"Trabalho com medo”, revela motorista assaltado oito vezes

De acordo com Jaitan Correia, a linha T.I Pelópidas/PCR, na Região Metropolitana do Recife, é tão perigosa que passageiros evitam embarcar nela

por Eduarda Esteves qui, 14/09/2017 - 14:23

“A gente já inicia a rotina de trabalho com medo. Qualquer passageiro que sobe é suspeito, com o carro cheio ou vazio. A situação é caótica e a sensação é de não saber se voltamos para casa vivos”. O relato do motorista Jaitan Correia, assaltado oito vezes em quatro anos, ilustra a realidade de desesperança dos rodoviários em Pernambuco. O profissional trabalha na linha T.I Pelópidas/PCR e revela que é o percurso mais perigoso do Região Metropolitana do Recife (RMR).

Para participar do protesto dos Rodoviários no centro do Recife na manhã desta quinta-feira (14), o motorista Jaitan paralisou o seu veículo na Estação Riachuelo e junto aos seus companheiros de trabalho explicou o boato sobre a linha T.I Pelópidas/PCR ser a mais assaltada das que fazem o eixo norte da RMR.

“Todo mundo sabe que essa é a mais perigosa. Muitos passageiros preferem evitar esse carro porque tem todo um histórico de insegurança de assaltos”, lamenta Jaitan. Para ele, isso acontece porque é a linha com mais veículos disponíveis e as estações ao longo da PE-15 são escuras e sem segurança.

Nas contas do Sindicato do Rodoviários, o número de assaltos já é superior a 2.800 desde o início deste ano. Tony Nascimento, funcionário do Sindicato, denuncia o desencontro dos números de registro apresentados pela Secretaria de Defesa Social. “Quando a gente vai confrontar com os números do governo, eles não batem. Para eles, o número de assaltos está chegando a mil agora, mas nós já registramos mais de 2.700 ocorrências. A gente vai ao local onde acontecem os assaltos para fazer a contagem”, relata.

Uma outra queixa da categoria é a falta de estrutura para o trabalho dos operadores de catraca das estações do BRT em toda a Região Metropolitana do Recife (RMR). “Não tem locais para fazer as necessidades fisiológicas. Não há banheiros e eles trabalham mais de oito horas por dia”, pontuou Genildo Pereira, membro do sindicato.

Por meio de nota, o Grande Recife Consórcio de Transportes informou que o projeto das estações de BRT não contemplou a instalação de banheiros por ser um ponto de embarque e desembarque rápido, em que os usuários estão de passagem. "Em relação aos funcionários, eles trabalham em regime de rodízio. Quando há a necessidade, ele informa ao supervisor, que envia um funcionário volante, fazendo com que dessa forma ele possa sair", diz a resposta oficial do órgão.

Já a Secretaria de Defesa Social (SDS), informou por meio de nota que "reformulou a Força-Tarefa de assalto a ônibus, ampliando as equipes, intensificando as investigações e abordagens a coletivos. Somente em 2017, cerca de 150 praticantes desse tipo de crime foram presos e retirados de circulação. Esse número seria maior, além da prevenção, se as empresas concessionárias tivessem mais agilidade na implantação de câmeras de alta resolução em toda a frota de ônibus e BRTs, auxiliando o trabalho das polícias, e medidas de segurança que tornem essa prática menos atrativa para os bandidos. Nesse sentido, o sindicato dos rodoviários pode ser um parceiro da segurança pública, fazendo esse diálogo".                      

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