39% dos recifenses querem ir embora do Brasil

Corrupção e insegurança têm feito os moradores da capital pernambucana buscarem construir a vida no exterior

por Naiane Nascimento dom, 13/08/2017 - 08:00
Paulo Uchôa/LeiaJáImagens Melhor qualidade de vida tem atraído recifenses que, apesar de amarem o país, preferem deixá-lo Paulo Uchôa/LeiaJáImagens

“Eu amo o meu país, amo ser nordestina, mas não me adapto mais ao Brasil. Os problemas me afastam cada vez mais do meu país”. Esse é o sentimento de Tamiris Mendonça, de 27 anos, recifense que vive há 12 anos na Alemanha. Assim como ela, a vontade de ir embora e construir uma vida no exterior faz parte do desejo de mais de 39% dos brasileiros, conforme uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa UNINASSAU.

Dois motivos que têm afastado os brasileiros da sua nação são a corrupção e a insegurança, representadas por 32,1% e 17,7%, conforme indica a pesquisa. Os políticos aparecem como terceiro quesito, com 14,9% das opiniões.

Esses dados são retratados no depoimento de quem já não vive mais no país. “Eu ia para o Brasil com a intenção de ficar, mas a falta de segurança não fazia mais parte do meu cotidiano. Aqui se anda pelas ruas a qualquer hora sem problemas, ando com o celular no bolso sem medo de ser roubada”, detalha Tamiris. Ela ainda explica que, “a corrupção é algo que se passa através de gerações e, sendo assim, a tendência é piorar. Não se tem educação, as pessoas não pensam umas nas outras e acabam prejudicando a vida dos outros”, conta desesperançosa. 

Esta visão também é tida por quem ainda está no Brasil, mas possuem o desejo de irem em busca de novas experiências. Movido pela curiosidade de ser mais que um turista em terras estrangeiras, o desenvolvedor de software, Luca Bezerra, detalha um dos principais motivos para querer viver em outro país. “A situação atual do Brasil que faz com que você pense que teria uma qualidade de vida muito melhor em outro lugar, por mais que existam dificuldades. A falta de segurança e de confiança na política e o que isso traz são justamente o que causam a sensação de insegurança. Não há investimento, a gente trabalha muito para ter muito do nosso salário tomado pelo governo, mas não se tem o retorno em forma de serviços e benefícios”. 

Tamiris ratifica a idea de melhor qualidade de vida fora do país, na Alemanha, assim como almeja Luca conquistar no Canadá. “Aqui o cidadão pode ter tudo sem precisar ser rico. As coisas que eu posso ter aqui, eu não conseguiria ter no Brasil. Por exemplo, o meu carro custa 30 mil euros, o equivalente a 120 mil reais. Eu não poderia nunca ter um automóvel desse valor morando e trabalhando no Brasil”, explica. 

Assim como eles, 92,6% dos entrevistados apontam que o país tem muitos problemas, mas, apesar da visão negativa, 66,8% acreditam que o país tem jeito. “Creio que tudo se resolve, mas precisa de muita vontade política e, especialmente, muita mobilização popular para poder cobrar desses governantes. Têm como melhorar muitas coisas, talvez levasse uns 30 anos pra chegar a patamar de Europa, mas é preciso mais gente honesta trabalhando pra representar a gente e, não somente, os próprios bolsos”, ressalta Luca.

Apesar da expectativa de ir embora, o amor pelo país continua sendo estampado a partir da esperança que se tem de melhoria em alguns aspectos, afinal, conforme o estudo, 69% dos entrevistados têm orgulho de serem brasileiros. 

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