Advogado negro é barrado em bar por 'parecer um segurança'

Juliano Trevisan escreveu uma carta aberta sobre o ocorrido e a postagem ganhou repercussão nas redes sociais

por Eduarda Esteves seg, 17/07/2017 - 11:37

Um advogado negro foi impedido de entrar em uma casa noturna por causa da roupa que vestia, uma camisa social preta, sapato marrom e calça preta. O caso aconteceu na cidade de Curitiba, no Paraná, e o relato de Juliano Trevisan viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Segundo a carta aberta divulgada no Facebook, o advogado estava na fila para entrar no James Bar na última sexta-feira (14), quando foi abordado por um funcionário da casa noturna.

"O funcionário me olhou dos pés a cabeça e informou que pelo meu estilo, com 'a roupa que estava usando eu não poderia entrar'. (...) Na hora a situação me chocou tanto, que fiquei bobo. Não quis discutir, não quis “acabar com minha noite e de meus amigos”, então simplesmente falei que iria embora", descreveu o advogado.

Ainda de acordo com a postagem, Juliano Trevisan, de 27 anos, conta que ficou surpreso com a abordagem dos funcionários da boate e sem acreditar no que estava acontecendo. "Como militante, vivo expondo situações de preconceito e discriminação e os vários viés. Mas quando acontece comigo, ainda fico chocado sem ação", continua o relato. 

Para ele, a situação constrangedora só foi percebida minutos após sair da entrada do bar e entrar no carro. "Me sinto humilhado, olhei mil vezes minha roupa, até entender que o problema não é minha roupa, não é meu estilo, não sou eu. E preciso sim, expor esta situação a vocês e demonstrar qual grave ela é, e o que ela representa socialmente falando nos dias de hoje", postou.

Após a postagem do advogado repercutir nacionalmente nas redes sociais, o James Bar publicou uma nota de repúdio e uma retratação nas redes sociais. A gerência da casa noturna também afirmou que o funcionário em questão foi demitido. "[…] O Juliano foi equivocadamente informado que não poderia entrar no bar por conta do que estava vestindo. Essa foi uma atitude errada e que não condiz com o que acreditamos. […] Ontem falhamos nessa missão por causa de uma atitude arbitrária dos funcionários envolvidos. Nossa decisão, portanto, foi desligá-los de nosso quadro, para que isso nunca mais ocorra", diz um trecho da nota. 

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