Recifenses estão céticos, mas esperançosos sobre o Brasil

Pesquisa do Instituto UNINASSAU ouviu eleitores recifenses das classes C e D sobre o futuro do Brasil

por Nathália Guimarães dom, 04/06/2017 - 10:01

O futuro do Brasil é incerto, mas pode ser melhor que o presente. É o que aponta a pesquisa qualitativa do Instituto UNINASSAU, encomendada pelo LeiaJá em parceria com o Jornal do Commercio, que ouviu moradores de comunidades periféricas do Recife sobre questões relacionadas à política, economia e segurança. Indagados sobre o assunto, os entrevistados se mostraram céticos, revelando pouca esperança sobre o que está por vir.

Para eles, o cenário do país é crítico especialmente por conta da crise econômica e da classe política. E o pessimismo que derruba expectativas dos mais velhos também está presente no dia a dia dos jovens. O cientista político e coordenador da pesquisa Adriano Oliveira explica que a desconfiança é generalizada.

"Todos os eleitores estão céticos, desconfiados, com o futuro do Brasil. Os jovens revelam pouca esperança, mas acreditam em um futuro melhor. Para eles, é tanta confusão que não sabem quando o Brasil sairá dela. Ma continuarão tentando", frisou.

Um único sentimento é consenso entre os entrevistados - há esperança. É o que relata o comerciante Luis Carlos Pereira, de 53 anos, dono de um box no mercado de Casa Amarela há 44. "Se depender dos políticos de hoje, não há futuro para o Brasil. Podem surgir novas lideranças e por isso o povo pode voltar a acreditar, mas no momento não há ninguém deste tipo. O cenário só vai mudar quando os estudantes abrirem a boca e irem para as ruas", disse, em entrevista ao LeiaJá.

Quem também se arriscou a fazer uma previsão foi a comerciante Josineide Galdino, de 60 anos. "No lugar de caminharmos para frente, estamos retrocedendo. A gente tenta melhorar de vida e não consegue. O cenário pode mudar, mas quando ninguém sabe. Para isso acontecer, temos que tirar esse governo do poder", informa.

A opinião é corroborada até mesmo entre os recifenses que chegaram a perder renda, emprego e bens. "Se os jovens conseguirem tirar os políticos corruptos do poder, podemos prosseguir. As pessoas mais velhas não aguentam mais lutar pelo país. A gente perde poder aquisitivo e os políticos estão por aí esbanjando nosso dinheiro", conta a auxiliar de produção Aurenize Penin, de 37 anos.

O autônomo Jailton Sotero, morador do bairro de Beberibe, concorda. "Além do desemprego e da crise, os brasileiros também são vítimas da violência. Em um ano cheguei a ser assaltado a mão armada quatro vezes. Às vezes acho que sou muito pessimista, mas essa é apenas a realidade que vivemos. Mas a esperança é a última que morre", informa.

O comerciante Jorge Galdino, de 58 anos, vai além, e relata que atualmente tem vergonha do país em que vive. "Nosso país é desmoralizado. Hoje em dia eu mal consigo vender, porque ninguém compra na crise. Antes eu vivia em uma situação melhor, sempre como comerciante. Eu gostaria que tivéssemos uma eleição imediatamente para que as coisas pudessem melhorar", pontua.

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