Ministério Público terá cota de 20% de negros em concurso

Após dois anos de estudos, órgão decide reservar vagas para tentar equilibrar disparidade entre juristas aprovados

por Wagner Silva qui, 18/05/2017 - 15:35

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) aprovou a adoção de cota racial para negros, pardos e índios para o próximo concurso público que será realizado. De acordo com a nota emitida pelo órgão, 20% das vagas de promotor de Justiça serão destinadas aos candidatos que se declararem cotistas. Também haverá a reserva de 5% das vagas para portadores de deficiência física.

A matéria é estudada pelo MPSP desde 2015, quando foi realizado um censo para saber a opinião de 2 mil promotores sobre a questão do preconceito racial na instituição. A pesquisa tinha caráter obrigatório e era respondida através de um formulário eletrônico. Na época do levantamento foi constatado que 93% dos profissionais eram brancos e, além disso, nos últimos concursos realizados pelo órgão, quase 38% dos candidatos aprovados vinham de apenas quatro universidades tradicionais de São Paulo.

Especialistas também indicam falhas no processo de admissão e avaliação dos candidatos. “Posso dizer, sem medo de errar: a entrevista pessoal pode decidir – e muitas vezes decide – o concurso”, afirma o procurador Pedro Franco de Campos, que integrava a banca examinadora do MPSP.

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