Pink Tax: produtos destinados a mulheres são mais caros

Produtos iguais, distintos apenas na cor (geralmente rosa), tem variação de valor e intriga consumidores

por Naiane Nascimento dom, 02/10/2016 - 11:20

A cultura das cores como simbolismo de gênero está arraigada nas tendências tradicionalistas do ser humano, mas quem determinou que “rosa é cor de menina e azul é cor de menino”? Nos dias atuais, o fenômeno conhecido como Pink Tax chama a atenção dos consumidores: produtos fabricados em tons de rosa, voltados ao público feminino, chegam às prateleiras com valores mais elevados do que o mesmo item de cor considerada masculina.

Em tradução direta para o português, a Taxa Rosa já foi analisada através de um levantamento do departamento de Consumer Affairs (DCA) de Nova York, que chegou à conclusão o fenômedo de fato existe. Com esse cenário, as consumidoras se veem diante de preços abusivos se quiserem adquirir produtos da cor desejada.

“Esse efeito é bem negativo. Um absurdo que o mesmo produto que é feito praticamente do mesmo jeito seja mais caro só porque é pra mulher. Vemos essa distinção em barbeador, itens esportivos e até vitaminas”, ressaltou a estudante, Laura Oliveira. 

A jornalista Jessica Mota aponta que os preços elevados superam até a questão da cor. “O fenômeno tem como alvo a mulher. Nós podemos ver os preços mais altos independentemente de estar ligado ao rosa ou em cores ditas femininas. Vemos isso até mesmo em cortes de cabelo. Esse tipo de trabalho feito em homens é muito mais barato do que o praticado para as mulheres”. 

O Portal LeiaJá verificou em lojas do Recife como o fenômeno e sua distinção de produtos está aplicado no mercado da cidade. Por exemplo, um sapato de cano alto, em couro sintético e modelo idêntico, é bem mais em conta no modelo masculino em relação ao feminino. Nas cores cinza e azul, o produto custava R$ 249,99. Enquanto nas cores rosa e lilás o valor subiu para R$ 329,99. 

Já a consumidora que desejar levar uma blusa básica no tom salmão terá que desembolsar R$ 39,90, enquanto o homem para adquirir o mesmo produto, na cor azul, fará uma economia de R$ 10. “Percebo esse aumento de valores sempre nos aparelhos de depilação e barbeadores. A versão feminina é sempre mais cara”, alegou a médica Renata Cabral. Nas farmácias, é possível ver a disparidade nos preços. 

A contadora Maria Rafaela dos Santos analisa que “tanto nos casos da Gillette quanto às roupa esportivas, a matéria-prima é a mesma usada nos artigos para os dois gêneros. A fabricação não justifica esse aumento nos preços. Isso deve estar aliado ao marketing, ligando a mulher a algo mais delicado, mas isso só engana e faz os preços subirem. Acho que é só uma forma de diferenciar os produtos, ganhando mais uma linha e, consequentemente, mais um nicho pra aumentar o consumo e o lucro”. 

Produtos infantis

É possível ser visto o direcionamento dos produtos às mulheres e aos homens desde muito cedo, a partir dos produtos infantis. A distinção de gênero nos preços é perceptível em detalhes simples, como na cor da embalagem ou das figuras desenhadas no produto. 

Uma mamadeira verde é etiquetada por R$ 17,99. O consumidor que pretender adquirir a rosa terá o custo mais salgado: R$ 21,99. Os pais de bebês poderão optar por economizar se quiserem adquirir o porta chupetas no tom azul. Este item custa R$ 9,99; em contrapartida, o rosa carrega o valor de R$ 14,99. 

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