
O portal LeiaJá acaba de divulgar números da pesquisa de intenções de voto para prefeito do Recife, realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), entre os dias 13 e 14 deste mês de dezembro. O levantamento tem margem de erro de 3,5 pontos de percentagem, para mais ou para menos, um nível de confiança de 95% e aplicou 811 questionários.
A Tabela 1 mostra quatro cenários elaborados pela pesquisa, em que o atual prefeito João da Costa aparecendo como candidato do PT. O IPMN também confeccionou cenários aventando a possibilidade de o deputado João Paulo vir a ser o representante petista, substituindo João da Costa (vide Tabela 2, abaixo).
Em todos os cenários postados na Tabela 1, o atual prefeito aparece liderando as preferências dos eleitores, porém sempre empatado tecnicamente com o dep. Federal Mendonça Filho, exceto, naturalmente, no cenário II, no qual o ex-governador não aparece entre os pré-candidatos.
Nesses cenários, sobressai-se o fato de que as pré-candidaturas líderes, João da Costa e Mendonça Filho, têm intenções de voto bem acima das conferidas ao bloco intermediário de pretendentes à PCR, formado por Raul Henry, Raul Jungmann e Daniel Coelho.
Com esses números listados na Tabela 1, se a eleição fosse hoje, haveria segundo turno entre o atual prefeito e o ex-governador Mendonça Filho nos cenários I, III e IV, pois nenhum dos dois teria alcançado 50% mais um dos votos válidos. No cenário II, o segundo turno de votação dar-se-ia entre João da Costa e um dos três postulantes do bloco intermediário, todos empatados tecnicamente, com ligeira vantagem para Raul Henry.
Chama à atenção, ainda, na Tabela 1, o enorme contingente de eleitores que ainda não se decidiu, englobado na categoria de votos brancos, nulos, não sabe, não respondeu. Na média dos cenários da Tabela em apreço, esse contingente representa 50% dos eleitores, o que é compreensível dada a distância de tempo que ainda falta para a realização do pleito.
Com efeito, quanto mais distante do pleito, mais os eleitores se mostram reticentes em manifestar preferência por este ou aquele candidato, optando por declarar que vai votar em branco, anular o voto ou, simplesmente, que não sabe em quem vai votar. Neste momento, as candidaturas ainda não estão consolidadas, os arcos de apoiamento não foram formados, as pré-campanhas não ganharam as ruas, etc., etc.
Quando as principais candidaturas líderes são confrontadas com determinadas categorias sócio-econômicas (vide Tabelas completas no site do LeiaJá) - sexo, grau de instrução, idade e renda - o prefeito João da Costa é preferido pelos eleitores do sexo masculino, eleitores que possuem curso superior completo, jovens de 16 a 24 anos, e eleitores que ganham entre 2 e 5 salários mínimos.
Já Mendonça Filho é preferido por votantes do sexo feminino, eleitores que cursaram só até a terceira série, no início da escala educacional, e também entre eleitores que têm curso superior completo, no fim dessa escala. As maiores intenções de voto para Mendonça Filho estão ainda entre os eleitores que têm de 35 a 44 anos, e eleitores que ganham de um a dois salários mínimos.

Quando o dep. Federal João Paulo entra no lugar de João da Costa como representante do PT, a eleição, se fosse realizada hoje, com os cenários postos na Tabela 2, seria definida no primeiro turno, com o ex-prefeito tendo entre 71,8% e 77,4% dos votos válidos.
As maiores votações em João Paulo estão concentradas nos eleitores que são predominantemente do sexo masculino, são eleitores que em termos de escolaridade têm o fundamental completo, são eleitores com 45 a 60 anos ou mais de idade, e são eleitores que ganham até um salário mínimo.
Neste momento, a dez meses do pleito, com pré-candidaturas ainda indefinidas, com poucas pesquisas realizadas, não há elementos que possam auxiliar na formulação de prognósticos abalizados. Mais à frente, já um pouco mais no clima eleitoral, com novos e sucessivos levantamentos, aí sim, os indicativos de intenção de votos poderão configurar determinadas tendências.
* Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau.