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O Trânsito pela ótica do refém

Djalma Guimarães*, | seg, 28/11/2011 - 12:02
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Não é novidade que o trânsito no Brasil está cada vez mais caótico. Tal situação parece estar associada ao crescimento da frota que se amplia em proporção muito superior a expansão da vias e a um sistema de transporte coletivo que não proporciona um serviço em nível aceitável de qualidade de forma a incentivar o brasileiro a deixar o veículo em casa e utilizar o transporte coletivo.

Até alguns anos atrás o parágrafo acima poderia descrever a situação do trânsito das grandes cidades do centro-sul do Brasil, no entanto os constantes congestionamentos são cada vez mais freqüentes na região Nordeste. O ritmo de crescimento da região nos últimos anos tem contribuído para tal contexto, as grandes e médias cidades da região tem se familiarizado com a rotina de transito e engarrafamentos.

Um bom exemplo do que está acontecendo na região são os dados sobre a aquisição de carros novos no estado de Pernambuco. Segundo dados da ANFAVEA no ano de 2005 em Pernambuco foram vendidos cerca de 84 mil carros já em todo o ano de 2010 tal valor se aproximou dos 212 mil carros. 

O resultado de tamanho inchaço na frota são congestionamentos e diminuição na qualidade de vida do morador. Segundo a Pesquisa Mensal de Expectativa de Consumo do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau, 71,8% dos recifenses estão muito insatisfeitos ou insatisfeitos com o transito da região.

Algum alento para tal situação ocorre em algumas capitais nordestinas que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014, nas quais há a promessa de investimentos em mobilidade urbana.

A despeito de tais projetos, as principais saídas para a resolução do problema do ponto de vista do cidadão de Recife são: Criação de mais viadutos (11,9%), construção de mais estradas (10,2%) e maior fiscalização no transito (9,1%). A educação no transito é uma alternativa de segundo plano, pois apenas 5% dos entrevistados apontam tal item como uma boa alternativa para a superação dos problemas no trânsito; uma prática comum na cidade de São Paulo, o rodízio de veículos é a solução dos problemas do transito para apenas (3,3%) dos entrevistados.

No médio prazo o panorama do trânsito não é nada promissor, pois vários são os incentivos a aquisição de veículos e poucos os incentivos para a utilização de transporte coletivo, a exemplo de: O aumento da renda de um grupo substancial de nordestinos “nova classe C” que tende a elevar a frota, tal segmento possui entre alguns de seus principais projetos de consumo a aquisição de um veículo; o recente afrouxamento do crédito para aquisição de veículos; a má qualidade dos serviços de transporte coletivos, etc .

Em Recife segundo pesquisa do IPMN, o ônibus é o meio de transporte mais utilizado para deslocamentos na cidade 66,1%, no entanto, dentre os indivíduos que pretendiam adquirir um veículo nos próximos meses (50%) utiliza o ônibus como meio de transporte principal. Logo, nos próximos meses tende a ocorrer uma migração de indivíduos do transporte coletivo para o transporte através de carros/motos, inchando ainda mais a frota.

* Texto opinativo produzido pelo economista do Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau e mestre em Engenharia de Produção Djalma Silva Guimarães Júnior. 

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