Campos dos Goytacazes - Cerca de 300 alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) fecharam, ontem à tarde, em Campos, a BR-101, liberada somente após negociação com o chefe da 10ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF/Campos), Maurício Sarmet. A interdição foi na altura da localidade de Tapera e durou meia hora, interrompendo o tráfego de veículos. O canavial à margem da rodovia virou estrada para os motoristas que não quiseram esperar a liberação da pista.
O objetivo do ato pacífico foi reivindicar a construção de um restaurante universitário, alojamento estudantil e ainda protestar contra a defasagem de bolsas e cortes de verbas. Um representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos acompanhou a manifestação. Em carta à Imprensa, a reitoria da Uenf informou que atua com postura de diálogo, esforço nas negociações e clareza nos atos, que podem ser conferidos através de documentos publicados no site da universidade www.uenf.br.
Com faixas, bate-latas, fogo em pneus e gritos, os universitários pediam mais transparência no uso da verba, segundo eles, de R$ 5 milhões, votada na Alerj e aprovada pelo governador Sérgio Cabral. Desde o início do mês, há alunos acampados no pátio da Reitoria.
Após negociação com a PRF, universitários liberaram a pista e caminharam até o Shopping Estrada pelo acostamento, distribuindo panfletos aos motoristas. Representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Robson Maia, disse que participou do ato a fim de garantir a integridade dos estudantes e evitar que cenas, como a de 2005 — na ocasião, a Polícia Militar jogou gás de pimenta contra universitários na mesma rodovia.
Documentos — Segundo a Reitoria, os recursos foram liberados em julho, último. Ainda segundo a Reitoria, no mesmo mês foi aberta licitação por meio de concorrência pública para a construção do restaurante universitário e cumprido o prazo legal de 45 dias, que culminou no último dia 5. Alguns itens do Edital de licitação foram retificados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).