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Notícia | Publicada em 30/10/2008
Espanha prende grupo acusado de prostituir brasileiras
Webwriter: Paulo de Souza Neto Maciel
Fonte: Agência Brasil

Brasília - A polícia espanhola, com a colaboração da Polícia Federal brasileira, desmantelou hoje (29) um grupo acusado de forçar mulheres brasileiras a se prostituir na Espanha. Segundo os detetives, as vítimas viviam em regime de escravidão e sofriam ameaças de morte, informa a BBC Brasil.

Na operação realizada em seis cidades espanholas da Catalunha, 25 pessoas foram presas. Os detidos são acusados de tráfico internacional de seres humanos, ameaças, cárcere privado, porte ilegal de armas e delitos contra os direitos dos cidadãos estrangeiros.

De acordo com a polícia, as mulheres eram todas recrutadas em Natal, no Rio Grande do Norte. Aliciadas pela brasileira C.F.D.T. (presa pela Polícia Federal na capital potiguar), viajavam à Espanha enganadas com falsas promessas de emprego como garçonetes em hotéis.

A polícia nacional espanhola começou a investigar o grupo depois de uma denúncia do Consulado do Brasil em Barcelona, em maio.

Duas mulheres conseguiram fugir do prostíbulo onde viviam na província de Girona e pediram ajuda ao consulado, avisando que estavam sendo ameaçadas de morte.

Segundo a Unidade Contra Redes de Imigração Ilegal e Falsificações (UCRIF) da polícia espanhola, a quadrilha era chefiada por espanhóis com a conivência de brasileiros.

As investigações indicam que uma das líderes era a mulher presa pela Polícia Federal em Natal, namorada do chefe da organização.

As vítimas viajavam à Espanha com documentação legal preparada pelos donos dos prostíbulos e eram orientadas sobre o que dizer para passar os controles policiais do aeroporto de Madri, de acordo com a polícia.

Recebiam 1,5 mil euros para a viagem e, na chegada, eram avisadas que tinham uma dívida com a quadrilha. A forma de pagamento seria a prostituição todos os dias, sem folgas, pelo menos durante seis meses.

"Nos cinco prostíbulos da organização, as mulheres eram obrigadas a pagar hospedagem e alimentação, o que prolongava a dívida por mais meses de escravidão", afirma um porta-voz da UCRIF à BBC Brasil.

"Ainda havia castigos e multas de 300 euros por desacatar normas", acrescenta o porta-voz. "Um ciclo difícil de fechar."

No regime de trabalho forçado, as brasileiras pagavam também 70 euros diariamente pelo uso de toalhas, sabonetes, roupa de cama e preservativos.

O que recebiam pelo primeiro programa de cada dia era para o prostíbulo, o segundo como pagamento da dívida da viagem à Espanha e, só a partir do terceiro, o dinheiro ia para elas - mas ainda assim com uma cota para a quadrilha.

As normas internas incluíam também horários mínimos de trabalho. Quem terminasse antes das oito da manhã, pagava multa de 50 euros.

Apesar das ameaças de morte para assustar quem pensasse em fugir ou contar a situação para algum cliente ou parente no Brasil, a organização dava a opção de uma folga - desde que fosse paga. Um dia sem trabalho custava 300 euros.

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