Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

A corrupção importa?

Adriano Oliveirasab, 07/10/2017 - 14:12

Em maio deste ano, o Instituto de pesquisa Uninassau divulgou pesquisa qualitativa mostrando que existem eleitores das classes C e D que aprovam o gestor “que rouba, mas faz”. Recentemente, pesquisa quantitativa do instituto Datafolha reforçou a conclusão obtida pelo Instituto Uninassau. Diante de ambas as pesquisas, a tese de que candidatos acusados de corrupção são fracos competidores é frágil.

O estado bateu na porta dos eleitores das classes C e D. Sempre utilizo tal assertiva para explicar a força do lulismo, independente da região. A economia importa para explicar a escolha dos eleitores. No universo de dez estrategistas, dez concordam com tal assertiva. Diante destas duas premissas, concluo que o lulismo e o governo Temer são adversários na eleição de 2018.

Contudo, para que ambos sejam adversários, condições precisam estar postas. O lulismo é condição (Cl) que mostra forte estabilidade. Não observo, até o instante, o seu forte enfraquecimento. A recuperação da economia (Ct) é condição necessária para o fortalecimento eleitoral do governo Temer. Portanto, o fortalecimento de Ct+ permite que o governo Temer tenha candidato a presidente. Este candidato, o qual pode ser o atual presidente da República, tende a rivalizar com o candidato do lulismo.

O forte fortalecimento de Ct + poderá enfraquecer Cl-. Isto significa que o candidato do governo Temer pode vencer a vindoura disputa presidencial. Esta possibilidade, a qual continua a ser desprezada, advém da simples razão de que o bem-estar econômico orienta a escolha dos eleitores. Por outro lado, quando o Estado entra na casa dos eleitores das classes C e D, o provedor de tal ação adquire condições de conquistar ou manter eleitores.

A ação do Estado e a recuperação econômica fazem parte de uma única categoria: bem-estar. Se os eleitores sentem bem-estar ou desejam o retorno deste, o candidato que oferece bem-estar ou que um dia ofereceu, adquire chances de vencer a eleição presidencial. A corrupção, outra categoria, tem aparente força de fazer com que candidatos percam ou não conquiste eleitores.

O lulismo terá candidato em 2018. O governo Temer, caso ocorra a recuperação da economia, também. Ambos são acusados de práticas de corrupção. Mas ambos podem vir a ser reconhecidos pelos eleitores como promotores do bem-estar. O que orientará fortemente a escolha do eleitor em 2018: A acusação de corrupção ou o bem-estar? 

COMENTÁRIOS dos leitores