Troca de figurinhas da Copa do Mundo gera lucro e diversão

A atenção de colecionadores experientes e novatos é dobrada durante a caça por imagens decisivas que possam completar o álbum

por Paulo Uchôa sab, 09/06/2018 - 15:38
Paulo Uchôa/LeiaJáImagens O bairro do Derby, na área central do Recife, reúne os apaixonados que investem em figurinhas da Copa do Mundo Paulo Uchôa/LeiaJáImagens

A corrida para completar o álbum oficial de figurinhas da Copa do Mundo 2018 está a todo vapor. Uma estrutura montada na calçada da galeria Derby Center, na área central do Recife, é oferecida para receber colecionadores que participam aos sábados, sempre das 9h às 19h, de um encontro que busca conseguir cromos dos jogadores faltantes na publicação.

 Disponibilizado para os clientes, o pequeno espaço ao ar livre, mesmo com o clima abafado, não limita a vontade de quem deseja trocar aquela figurinha repetida que vem ao longo de diversos pacotes investidos nas bancas de jornais espalhadas pela capital pernambucana. A euforia de adultos e crianças, no momento em que conseguem uma nova figurinha, é natural no ambiente. A atenção dos experientes e novatos é dobrada durante a caça por imagens decisivas que possam completar o álbum.

A nostalgia bate à porta de quem colecionava as fotos dos craques na infância, como fez Eduardo Medeiros na manhã deste sábado (9). Acompanhado do filho Matheus, de 8 anos, o engenheiro garante que o prazer está em primeiro lugar. "Eu gosto de trocar figurinhas para ajudar o outro. Eu acho que a intenção aqui é colecionar. Eu nunca pensei em ganhar dinheiro com isso". Com os álbuns preenchidos em um mês, cada um com o seu, Eduardo investiu aproximadamente R$ 1 mil.

A funcionária pública Bruna Rodrigues, que gastou R$ 300 entre álbum e figurinhas, e faltando apenas cinco jogadores para completar, revela que os filhos não curtem a brincadeira. “Na Copa passada compramos álbuns para eles, mas não se interessaram. Eles dizem que é besteira. Só sei que eu e meu marido estamos super empolgados, e a gente não vê a hora de fechar o álbum”.

Em meio à curiosidade das imagens que tinha trocado com as pessoas esta manhã, Bruna condena a atitude de quem aproveita a situação do encontro para ganhar dinheiro. “Algumas pessoas, por fora, vendem mais caro. Eu procuro mesmo trocar. Já me ofereceram valores nos escudos [figuras mais valiosas] bem disputados, mas não aceitei. Eu não procuro tirar vantagem disso", pontuou. 

De acordo com Marcelo Henrique, a banca de jornais vende nos encontros de sábado mais de 1.500 pacotes de figurinhas, chegando no lucro de R$ 3 mil nas suas 10 horas de funcionamento. Por outro lado, o preço para deixar o álbum completo não sai barato. Um pacote com cinco figurinhas (R$ 0,40 cada) é vendida por R$ 2, porém existe muito mais valor quando o interesse surge.

 Para quem realiza a troca, já com todas as páginas do álbum preenchidas, lucrar com a necessidade de quem circula a cidade inteira, na esperança de não encontrar imagens repetidas, é um prato cheio. A comercialização fora das bancas tem valores mínimos, como R$ 0,60, mas o oferecimento de uma única figurinha pode chegar ao preço de R$ 20. A resistência e a aceitação, entre diversas ofertas envolvendo essas figurinhas, a cada quatro anos, andam ligadas com um divertimento que pais faziam na infância e que hoje, orgulhosos, passam a herança para os filhos.

 

 

 



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