Manipulação em jogos na Paraíba teria até ameaça de morte

O jornal local Correio da Paraíba teve acesso aos autos do processo

seg, 14/05/2018 - 12:56
Divulgação/Polícia Civil da Paraíba Polícia cumpre mandado na Federação Paraibana de Futebol Divulgação/Polícia Civil da Paraíba

Os relatórios da Operação Cartola, que investiga manipulação de resultados no futebol da Paraíba, trazem casos de escolha de árbitros por dirigentes, pagamento de jogos armados e até ameaças de morte. Há transcrições de áudios mostrando a escolha de árbitros para o Campeonato Paraibano. As informações foram divulgadas pelo jornal Correio da Paraíba.

Na investigação, aparecem nomes de dirigentes de clubes como Botafogo-PB, Sousa, Treze e Campinense. Uma das partidas citadas no relatório é entre Botafogo-PB e CSP, realizada no dia 11 de fevereiro. Durante o confronto, que acabou 3x3, objetos foram arremessados em campo, mas o árbitro colocou na súmula que não era possível identificar de qual torcida partiram. Os investigadores acreditam que a súmula foi feita de forma ilícita. 

Segundo o Correio da Paraíba, os autos mostram transcrições de conversas com o presidente da Federação Paraibana de Futebol, Amadeu Rodrigues, o advogado da FPF, Marco Souto Maior Filho, o presidente do Botafogo-PB, Zezinho do Botafogo, e também o presidente da Comissão de Arbitragem da federação paraibana, José Renato.

Deputado estadual - Também aparece com bastante frequência nos autos o nome do vice-presidente de futebol do Botafogo-PB, Breno Morais. Ele é flagrado em conversa com José Renato, cobrando que cumpra os acordos. O dirigente pede que o ex-presidente da Comissão de Arbitragem interfira na partida entre Atlético de Cajazeiras e Sousa. Breno diz que o Atlético deve ganhar.

“Você tem que cumprir seus acordos que você faz”, diz Breno.“[Tem que] botar um cara que vá lá, que a gente chegue para o cara, resolva lá a situação e resolva a parada”.

Ele aparece dizendo também: “é domingo ou domingo, Zé, não tem outra data. Esperei até agora e esperei para a data certa, tem que o Sousa perder e a gente ganhar. Eu prefiro arriscar com o Renan junto com o Bosco e tirar esse menino inexperiente”.

Zezinho do Botafogo aparece nos autos em telefonema com o deputado estadual Sérgio Frota (PSDB-MA) para discutir sobre a arbitragem do jogo entre Botafogo e Altos-PI, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste. O dirigente pede ao deputado o nome do juiz, que seria do Maranhão. Ele passa o telefone para Breno em determinado momento. O deputado sugere que a conversa termine à noite e alega que resolverá o problema. 

Conforme reportagem do Correio da Paraíba, há diálogos também entre William Simões, do Campinense, e José Renato mais uma vez. Eles discutem a escolha de árbitros para uma partida. 

Ameaças - Outro ponto do processo é uma suposta armação de Amadeu Rodrigues  e Benedito Medeiros Júnior, conhecido como Beninha, presidente de uma torcida organizada do Botafogo-PB, contra o vice-presidente da federação paraibana, Nosman Barreiro, que não teve até o momento nenhuma crime encontrado nos áudios analisados. 

Em uma conversa entre José Renato e Rosilene Gomes, ex-presidente da federação, o ex-presidente da comissão afirma que percebeu que Amadeu estava nervoso em certa ocasião. Ao sair, ele teria encontrado Beninha, que revelou que, ‘a mando de Amadeu, eu fiz aquela merda com Nosman. E agora estou lascado”. Ainda na mesma conversa, José Renato diz que Beninha disse que precisava ir embora, porque se não iria matar Nosman.

Outra pessoa citada nos áudios é o radialista Fabiano Gomes. José Renato diz que Amadeu teria pago ao radialista uma matéria, referindo-se a um vídeo supostamente armado e veiculado pelo radialista. Ele diz ainda que Beninha confessou que tinha armado uma arapuca e se refere Beninha como uma ‘bomba ambulante’. Por fim, ele diz que Amadeu teria pago R$ 1,5 mil pelo vídeo e que Beninha estaria querendo mais 800 reais. Os citados não foram encontrados pela reportagem local.

 

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