Marcelo Martelotte diz que ainda não pensa em 2018

Treinador vive em meio às incertezas se o grupo irá continuar atuando nas rodadas finais da Série B

por Renato Torres ter, 14/11/2017 - 23:26
Rafael Bandeira/LeiaJá Imagens O Santa Cruz empatou com o Paraná em 0x0 no Arruda Rafael Bandeira/LeiaJá Imagens

Era um drama no Arruda. Rebaixado à Série C, o Santa Cruz havia sido formalmente notificado pelos seus atletas de uma possível greve devido aos salários atrasados. Até horas antes do duelo com o Paraná nesta terça-feira (14), os jogadores estavam em reunião com a diretoria para encontrar soluções aos pagamentos que não recebem há cerca de três meses. Segundo o técnico coral, já é uma conquista para o clube que o grupo tenha decidido entrar em campo, porém isso influenciou demais na performance do time.

"O jogo é estressante, a situação é estressante. O Grafite pediu para sair no intervalo por causa da cabeça que não estava no jogo. Não foi uma preparação boa para a partida. Havia uma dúvida se íamos entrar ou não, uma reunião de mais de uma hora para decidir isso. Ele é o nome mais forte do grupo sentiu o peso nesse caso. Foi um desgaste tão grande que a cabeça dele não foi para o jogo. O resultado não importava mais depois que eles entraram, isso foi o mais importante. Seria uma catástrofe não ter jogo", contou Marcelo Martelotte.

Questionado se pretende ficar para a próxima temporada, o comandante lembra que o clube está próximo de eleições presidenciais e isso pode definir também se há o interesse do clube. Desgastado, Martelotte pensa em tirar férias e conta que ainda não pensou na possibilidade. 

"Ainda não pensei em sequência, um próximo ano. Nem em ficar, ou sair, estava concentrado no trabalho que temos para fazer. É lógico que para a gente se concentrar e brigar até o final, era preciso estar com a cabeça aqui. Vem eleição por aí, uma nova história. Agora se aceitei essa condição atual, é porque gosto do clube e tenho identificação, seria difícil recusar convite. Garanto que foi muito desgastante, mas nem parece que fiquei grande parte do ano em minha casa. Agora penso em férias, mas a sequência a gente não sabe, depende do interesse no clube e o que quer para seu futuro", afirmou.

Existe a incerteza se o grupo irá viajar para Belém, onde o Santa encara o Paysandu no sábado. Marcelo garante que sua presença é garantida, desde que tenha um elenco para treinar. "Posso te garantir, se os jogadores entrarem em campo, vou estar junto. Se não tem time, não adianta técnico. Agora com eles terminando o campeonato, sou o primeiro a estar junto. A decisão está na mão dos atletas, se eles viajarem para jogar eu acompanho", disse o técnico.

A maior lamentação fica por conta do foco desviado, sempre por questões que extrapolam o trabalho dentro das quatro linhas. "É triste desviar a atenção do futebol, ainda mais no dia do jogo. Conseguimos entrar e fazer um jogo de boa qualidade, no final saímos satisfeitos. O que fez com que os jogadores tivessem essa posição é que mais uma vez ao invés de soluções, apareceram promessas. Eles entraram em campo por uma promessa, com tudo que aconteceu ao longo do ano, não há credibilidade para motivar. Eles decidiram se empenhar, mas para a sequencia do campeonato não há segurança. A gente espera que essa reta final não seja ainda mais complicada", torce Martelotte.

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