Rock paraense procura renovação para ganhar espaço

Belém tem uma relação antiga com o ritmo que já dominou a cena regional nos anos de 1980 e 1990. Mas como anda esse gênero musical nos dias de hoje?

qua, 09/05/2018 - 17:44
Divulgação/Ryan Monotoshi Banda Zeit renova a cena do rock paraense Divulgação/Ryan Monotoshi

O auge do rock no Pará foi nos anos 1980 e 90, período que foi apelidado de “anos de ouro do rock”. Nessa época, os “camisas pretas” (como eram chamados os fãs de rock) reuniam-se na Praça da República para balançar a cabeça ao som de Stress, DNA e Delinquentes, entre outras bandas que estavam surgindo na época. O Teatro Waldemar Henrique abriu as portas para que essas bandas tivessem a oportunidade de tocar em um local com boa estrutura. “Virou um templo do rock”, de acordo com os músicos. Naquela altura, o heavy metal e o punk rock eram os gêneros mais fortes no cenário paraense.

A banda Stress ficou conhecida por ser a primeira banda a fazer um álbum de heavy metal no Brasil. O documentário “Lado B: o rock paraense dos anos 90” mostra o cenário do rock regional nesse período. Festivais como “24 horas de Rock” são lembrados até hoje por quem presenciou o evento. Infelizmente, o evento não é lembrado apenas positivamente. O terceiro dia do evento terminou em uma confusão causada por briga entre gangues que não tinham nada a ver com os shows, fato que acabou marginalizando de certa forma o rock na capital paraense naquele momento. Em 1992, o Mosaico de Ravena lança o disco que continha a música “Belém-Pará-Brasil”, adotada como um hino por vários paraenses.

O rock ficou em baixa até os anos 2000, quando surgiram novas bandas com um estilo diferente. Eram mais pop, com uma pegada mais sentimental. Essas bandas tocavam em lugares como Se Rasgum, Café com Arte e ganharam um público fiel.

Várias bandas do gênero continuam surgindo, mas não é um consenso que o rock vai voltar a ser tão escutado como em outras épocas. Há divergências sobre o atual cenário.

Roosevelt Bala, vocalista da banda Zona Rural, acredita que há muitas bandas boas, e diz que os eventos estão fervilhando. Porém, não tem boas perspectivas para o futuro do rock. “As perspectivas não são boas para o futuro. Mas o rock é forte e imortal, se reinventa a cada década. O negócio é não desistir nunca”, diz.

Danilo Rosa, da equipe do festival de música Rock Rio Guamá, percebe que o rock vem perdendo espaço depois da descoberta da Nova Música Paraense. “Não falo isso fazendo uma crítica à música regional. Acho ótimo ela tomar o seu espaço de direito, mas o Rock perdeu espaço”, afirma.

Nas rádios mais populares, as músicas do gênero são minoria. Das 50 mais ouvidas no aplicativo de música Spotify, quase nenhum rock aparece. A ascensão de outros gêneros no Brasil, como o sertanejo e o funk, talvez tenha deixado esse gênero tão popular desde os anos 50, quando surgiu nos Estados Unidos, um pouco de lado.

Agenor Neto, proprietário do Studio Pub, comenta que a demanda de shows de rock é realmente menor em relação a outros gêneros como pagode e sertanejo. Amanda Coelho, guitarrista da banda Zeit, formada por quatro amigos, tem uma visão mais otimista do cenário paraense. Para ela, o cenário do rock vem crescendo, com bandas novas e boas surgindo.

A Zeit toca em pubs como Speakeasy Pub e já tocou no Centro Histórico. A guitarrista percebe que cada banda está conseguindo um público fiel. “Bandas novas estão surgindo, fazendo o que realmente gostam e o que realmente acreditam, isso é muito importante para o nosso cenário. Temos um futuro promissor e temos bandas maravilhosas de forma independente”, comenta.

O proprietário do Old School GastroPub pensa de forma parecida. Para Artur Bestene, o panorama está ótimo. Ele considera que as bandas são muito boas e não devem nada para bandas de fora do Estado. “São pessoas de várias gerações que vão ao pub para acompanhar os shows. A frequência de público está muito boa.”

Por Nicksson Melo.

 

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