Bright é um dos piores filmes de 2017

David Ayer conseguiu uma proeza: fazer algo tão ruim (ou pior) do que Esquadrão Suicida

por Rodrigo Rigaud qua, 27/12/2017 - 16:51
Divulgação Cena de Bright. Ninguém liga. Divulgação

Um embate sem vencedores: Esquadrão Suicida x Bright. Em comum? Ambos possuem o ator Will Smith como um dos protagonistas e foram dirigidos por David Ayer. Até 2016, a filmografia do cineasta americano era povoada por obras, no mínimo, regulares como “Corações de Ferro” (2014) e Sabotage (idem), ou boas como “Marcados para Morrer” (2012) e “Os Reis da Rua” (2008). Mas o encosto que povoa o universo cinematográfico da DC parece ter grudado no diretor, que com o “Esquadrão Suicida” acabou trazendo ao mundo um dos piores filme dos últimos anos (mesmo que seus números de bilheteria testemunhem o contrário). Ainda assim, coube a Netflix estampar em letras garrafais nos pôsters de “Bright” que o filme é “do mesmo diretor de Esquadrão Suicida”. O encosto foi mais forte. O longa, que chegou na última semana no serviço de streaming, é tão ruim ou pior do que a reunião de “vilões” da DC.

Não que a produção cheirasse mais perfumada do que é, antes de seu lançamento, mas o efusivo marketing, a presença de nomes como o do próprio Smith, Joel Edgerton e Noomi Rapace, e ainda o argumento que mistura elementos de fantasia (Orcs, Elfos, Fadas...) com realidade, davam esperança ao mais facilmente iludíveis. Esse que vos escreve entre eles. Mas como diria Raça Negra: "não era amor, era cilada". E uma cilada tão funda que nem a guerra entre as raças distintas pela varinha mágica conseguiu explicar. E nem se explicar, já que o roteiro de Max Landis (do bom "American Ultra") resulta num filme de quase 2 horas que não sai do lugar. Os dramas dos policiais Ward (Smith) e Jakoby (Orc de maquiagem razoável, interpretado pelo Edgerton) se misturam com o turbilhão de informações e personagens desnecessários da trama, que espantam ainda mais por seus diálogos do que pela eficiência de alguma cena que seja.

Por incrível que pareça (e não parece), há similaridades com Esquadrão Suicida. Ambos os filmes usam o tempo fílmico de modo arbitrário. Há claros descansos na narrativa que contrariam o ritmo do que é contado antes ou vem a ser posteriormente. Isso além dos furos e coincidências do combalido roteiro. À parte o esforço da dupla protagonista, os demais personagens parecem surgir ocos em tela, carregando morais, valores, posturas, ou esteriótipos que, mesmo quando parecem apontar para algo, não o fazem com eficiência. Há sugestões de falas sobre racismo. Há sugestões de crítica social. Há sugestões de que há um filme rolando, mas na realidade é apenas uma sequência de cenas inclusive difíceis de serem vistas até o fim. E o fim talvez seja o que há de pior na bagunça toda.

Bright é um dos piores filmes de 2017, principalmente por ser completamente esquecível antes de terminar. É um dos piores filmes da Netflix no ano, porque o pior é Death Note. Este sim, provavelmente seja o pior filme de 2017.            

Nota: 1 / 5 

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