Ator é preso em Brasília durante intervenção artística

Maikon K foi levado pela Polícia Militar sob a alegação de ato obsceno

por Elaine Guimarães seg, 17/07/2017 - 16:55
Reprodução/Facebook Reprodução/Facebook

Durante a apresentação do espetáculo ‘DNA de DAN’, no último sábado (15), o ator Maikon Kempinski, mais conhecido como Maikon K, foi preso por policiais militares de Brasília sob a alegação de ato obsceno. A apresentação acontecia em frente ao Museu Nacional da República, no Distrito Federal, e fazia parte de uma mostra teatral promovida pelo Serviço Social do Comércio (Sesc).

Na intervenção artística, o ator aparece nu dentro de uma bolha plástica e lá permanecia, imóvel, banhado por um líquido que endurecia com o tempo. Após o rompimento dessa segunda pele, Maikon faria uma dança africana.

Segundo o Correio Braziliense, a Polícia Militar recebeu uma denúncia de que havia um homem nu na rua. Chegando ao local, os policias detiveram o artista que assinou um termo circunstancial de ato obsceno.

Nas redes sociais o ator desabafou sobre o fato. Confira um trecho:

“Estava eu imóvel no centro da bolha, coberto com essa substância (mais um paradoxo, minha pele está sim coberta, mas de transparência), que começava a secar. Quando ouço vozes de um grupo de policiais militares ordenando que a apresentação fosse encerrada, com falas como "isso vai parar de qualquer jeito, c*", "tira esse cara daí", "que p* é essa". Enquanto isso, Faetusa e Victor tentavam dialogar com eles, mas sem escuta alguma. Eles não queriam saber o porquê daquilo estar acontecendo ali, o que significava, qual o contexto. Tínhamos a permissão e o apoio do Museu Nacional para estar ali, ou seja, um museu ligado ao Ministério da Cultura, e éramos contratados do Sesc.

Até esse momento, eu pensava parado "logo o produtor do Sesc vai explicar a eles e esse mal entendido vai acabar", continuaremos o trabalho. Porque duas outras vezes já tivemos a aproximação de policiais, mas após a explicação eles entenderam se tratar de uma obra de arte e nos deixaram continuar sem que parássemos. Se eu me mexesse, como eles mandavam, todo o trabalho de 2 h que tínhamos feito até ali estaria perdido, pois a substância se desgrudaria de meu corpo e não teríamos como recomeçar o processo. Até aí, eu não me mexi, continuei em "performance", como sempre faço, não reagindo às reações externas.

Eu esperava que alguém do Sesc falasse com os policiais, mas justo neste momento o produtor tinha ido resolver um problema técnico e não estava no local para mediar. Foi então que os policiais chutaram e rasgaram nossa instalação de plástico, e tentaram entrar nela para me tirar à força. Um dos policiais entrou levantando a mão na intenção de me dar um soco. É assim que agem 10 homens diante de uma pessoa nua, imóvel dentro de uma bolha, em completo silêncio e desarmada? Neste momento, eu tive que me mover e gritei muito alto que ele não iria encostar em mim, pra ele não me tocar. A performance havia acabado ali. Eles então recuaram, mas o estrago estava feito, a bolha simplesmente rompeu-se esvaziando”.

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