Músicos paraenses celebram o carimbó de Verequete

Mestre do ritmo que marca a cultura do Pará completou cem anos de nascimento em 2016. Ritmo é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

seg, 07/11/2016 - 09:13
Arquivo da família Mestre Verequete, em uma de suas últimas fotos divulgadas pela mídia Arquivo da família

“Rei do Carimbó”. Assim é conhecido Augusto Gomes Rodrigues, o mestre Verequete. Nascido no dia 16 de agosto de 1916, em Quatipuru, nordeste do Pará, Verequete foi um dos responsáveis pela popularização e difusão do carimbó no Estado. Foi através das composições feitas pelo mestre que o ritmo e a dança paraense ganharam destaque nacional nas décadas de 1970 e 1980. O carimbó se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O registro foi aprovado por unanimidade no dia 11 de setembro de 2014, em Brasília, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

Músicos tradicionais paraenses celebram o centenário de nascimento de Verequete neste ano de 2016. O mestre morreu no dia 3 de novembro de 2009. De acordo com o historiador Antônio Costa, Verequete iniciou a carreira ainda jovem, quando morava em Icoaraci, distrito de Belém. “Foi através do envolvimento com bois-bumbás e festas populares de quadra junina que tudo começou. E por volta de 1960 Verequete se dedicou quase exclusivamente ao carimbó”, contou Antônio.

Tendo suas composições inspiradas principalmente no cotidiano e em seu universo, mestre Verequete usava elementos da Umbanda para compor suas músicas, principalmente com inclusão de tambores da religião afro. “As letras de Verequete eram inspiradas em comunidades locais, como as ribeirinhas, praianas e interioranas. Ele falava de relações amorosas. Verequete gostava de transformar a vida em canção”, disse Antônio.

De acordo com o historiador, Verequete dedicou sua trajetória na composição do carimbó tradicional, chamados de “carimbó pau e corda” e “carimbó de raiz”. Grande divulgador do ritmo paraense, Verequete compôs cerca de 200 músicas, além de lançar dez discos e quatro CDs. Ente os sucessos do mestre estão as canções: “O carimbó não morreu”, “Chama Verequete”, “Morena penteia o cabelo” e “Xô, peru”.

Canção “Chama Verequete” - O historiador Antônio Costa explica que a canção “Chama Verequete” não é de autoria do mestre, mas uma reinterpretação feita por Verequete, através de instrumentos do carimbó. Segundo Costa, Verequete ouviu a música pela primeira vez em um batuque, cantada por um pai de santo. “Apesar da música não ter sido escrita por ele, todo mundo conhece na sua voz, e lembra sempre do mestre Verequete”, explicou.

Além de ficar famosa na voz do mestre, a canção "Chama Verequete" também foi transformada em um curta-metragem, em 2002, que conta a trajetória de Verequete. O curta-metragem foi dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério José Parreira.

Verequete morreu aos 93 anos, três anos depois de ter recebido o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural, concedido pelo Ministério da Cultura, mas seu legado permanece vivo, e ainda inspira mestres e grupos de carimbó.

Ouça agora a música Chama Verequete:

Por Karina Reis.



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