Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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O mundo e Trump

Janguiê Dinizpor seg, 28/11/2016 - 19:13

Surpresa e apreensão. Essas são as duas palavras mais ouvidas quando o tema é o resultado das eleições americanas para presidente. Donald Trump venceu, não por número de votos, mas por número de delegados dos colegiados e provocou uma reação negativa por todo o mundo – bolsas de valores em baixa e o receio mundial que as promessas de campanha de Trump sejam cumpridas.

O tom do discurso da vitória de Donald Trump já não foi tão duro quanto suas propostas de campanha. Entretanto, ao assumir a Casa Branca em 2017, o presidente eleito pode reverter algumas das principais realizações de Barack Obama. Entre elas estão o fechamento do acordo nuclear com o Irã e a ampliação da  política externa e do comércio internacional.

Para entendermos melhor o que pode acontecer nos próximos anos: o muro ao longo da fronteira entre EUA e México pode ser utópico  de construir e os milhões de imigrantes sem documentos nos EUA podem não ser deportados imediatamente. Porém, os EUA têm o papel de promover maior integração comercial mundial e essa relação pode ser abalada com parceiros comerciais como a China através da imposição de tarifas punitivas de 45% sobre as mercadorias.

Outro ponto preocupante é que, em um de seus discursos, Donald Trump disse que o acordo entre Estados Unidos e Irã, para impedir que a república islâmica possua armas nucleares, seria, no mínimo, reestruturado. Trump já declarou que estava aberto a que o Japão e a Coreia do Sul desenvolvam arsenais nucleares visando conter a agressão da Coreia do Norte e reduzir os encargos dos EUA quanto à defesa dos dois países. Vale ressaltar que o EUA é, hoje, o maior detentor de armas nucleares no mundo.

O presidente eleito também é contra outros acordos internacionais que para ele são nocivos para os EUA. Citamos como exemplo  a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte),  cujo tratado  considera obsoleto e dispendioso, pois visa defender países cujos seus partidários “nunca ouviram falar”. O mesmo acontece com o acordo de Paris, que reza sobre programas e planos de combate ao aquecimento global. O povo americano também poderá sofrer com a política exibicionista de   Trump. O presidente eleito já aderiu à promessa republicana de que as reformas da saúde lançadas pelo democrata  Obama, o ObamaCare, devem ser desfeitas e substituídas.

Há três razões para o mundo estar receoso quando ao novo presidente americano: o temperamento errático de Trump; suas constantes mudanças de opinião com relação à política do Oriente Médio; e o mais importante, seus instintos isolacionistas.A vitória de Trump gerou alarme, choque e pavor. Trump se referiu ao presidente russo Vladimir Putin com admiração, e disse que a votação britânica de junho de 2016 pela saída da União Europeia foi “algo admirável”.

Infelizmente, resta ao mundo aguardar o que acontecerá nos próximos anos. Aguardar e torcer para que o senso e a tolerância estejam presentes no mandato do novo presidente americano.


Tecnologia e o futuro do mercado de trabalho

por qua, 09/11/2016 - 17:06

Não é nenhuma novidade que, a cada dia, surgem novas tecnologias que mudam a vida das pessoas causando o que chamamos de "impactos sociais". Essas tecnologias repercutem nos processos, na qualificação da força e nas próprias condições de trabalho, além de influenciar na saúde do trabalhador e, consequentemente, nas políticas de ocupação, afetando diretamente a questão do emprego. 

Se pensarmos nas consequências da tecnologia no mundo do trabalho e na sociedade, teremos um contrassenso: a tecnologia chega para promover a simplificação dos processos através das máquinas, porém, aumenta a complexidade das mesmas. Em contrapartida, temos uma redução do trabalho manual, mas que nem sempre resulta em um processo de capacitação do trabalhador para utilizar a tecnologia.

Mas, o que irá acontecer? A tecnologia vai acabar com o trabalho humano? Estudos recentes revelam que 47% dos empregos nos EUA são considerados sob ameaça de extinção por substituição tecnológica.  Ao mesmo tempo, estima-se que 65% das crianças que hoje entram nas escolas, provavelmente irão trabalhar em funções que atualmente não existem, graças ao desenvolvimento da tecnologia.

Há um trecho de Martin Ford, em Rise of the Robots: Technology and the Threat of a Jobless Future, que diz: “Imagine uma economia completamente automatizada, onde quase ninguém terá um trabalho (ou rendimento) e em que as máquinas farão tudo. Muito antes de atingirmos esse ponto, os modelos de negócio concebidos para os mercados de massas já serão insustentáveis. De onde virá o consumo? E, se ainda existir uma economia de mercado, por que razão a produção deverá continuar se não existirem consumidores viáveis que possam adquirir o seu output?”.

A edição recente da revista Veja trouxe uma entrevista com Erik Brynjolfsson, diretor do Centro de Negócios Digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sobre este tema. Erik é enfático ao dizer que “A crescente substituição do trabalho humano pelas máquinas deverá fazer com que metade das ocupações que existem hoje desapareça no prazo de uma ou duas décadas”.

Pode-se dizer que a tecnologia vem transformando radicalmente a forma de  trabalho humano, e por conta disso mister se faz nos adequarmos a esta nova realidade.  Ela cria oportunidades econômicas que não tínhamos imaginado antes, cria novas funções e permite trabalhos remotos e espaços de co-working.  

Todas as mudanças tecnológicas já ocorridas e que já estão impactando o trabalho humano representam apenas uma pequena parte  do que iremos viver nos próximos 20 anos. Novas tecnologias, ambientes de trabalho conectados virtualmente e em vários lugares, sistemas inteligentes de gestão de energia, inteligência artificial, etc. Em um mundo cada vez mais conectado, em que há milhares de dados em circulação pelo uso dos smartphones e dos computadores, é preciso olhar para o futuro e se adaptar à evolução tecnológica. É preciso aprendizado contínuo.

O primeiro passo é readaptar a educação visando a profissionalização para esse novo mundo que se constrói, com novas carreiras. A capacidade humana ainda faz diferença e há questões que apenas a habilidade dos homens é capaz de resolver. O mais importante é como iremos nos preparar para utilizar esses recursos da melhor forma possível.


Mais alfabetização, mais desenvolvimento

Faz-se estritamente necessário lembrar que, se no passado a educação condicionou a prosperidade dos países, ainda o faz no presente e fará no futuro

por ter, 18/10/2016 - 10:21

O número de crianças fora das escolas ainda é um dos problemas mais graves no nosso sistema de educação. Em todo o Brasil, há 5.577.430 crianças na educação infantil, 22.756.164 estudantes no ensino fundamental e outros 6.811.005 no ensino médio.

Entretanto, ainda é preciso alcançar 600 mil crianças de 4 e 5 anos que ainda não tem atendimento escolar, número que representa 17,3% da população nesta faixa etária quando comparado os dados do IBGE e as matrículas colhidas pelo Censo Escolar em 2014. Ainda de acordo com o Indicador, os dados tornam-se mais preocupantes quando falamos dos jovens: há 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. 

Também é preocupante a taxa de analfabetismo, que atinge 13 milhões de brasileiros ou 8,7% da população acima de 15 anos e os dados relacionado ao analfabetismo funcional - pessoas que apesar da capacidade de ler frases curtas, não desenvolvem a habilidade de interpretar textos e de fazer as operações matemáticas - que atinge 17,6% dos brasileiros.

Caros leitores, é pesaroso registrar que a Região Nordeste manteve-se com a taxa de analfabetismo funcional mais alta no País, 27,7% em 2013 e 27,1% em 2014.  A principal redução foi verificada na Região Norte, passando de 21,6% para 20,4%. Já  as Regiões Sudeste e Sul também continuam a apresentar os indicadores mais baixos, 12,7% e 13,8%, respectivamente.

No que diz pertinência ao assunto, cabe sugerir uma reflexão: o nosso PIB é maior do que o da Suíça, país com pouco mais de sete milhões de habitantes. Entretanto, não possuímos a mesma qualidade de vida dos suíços, que tem menos de 1% de analfabetos no país.

De logo, cumpre-nos salientar que países europeus possuem alto grau de alfabetização de sua população. Desta vez, citando a Irlanda, 99% da população é alfabetizada. Ainda pela Europa, a Grécia, que apesar da forte crise econômica atual, tem apenas 2,9% de analfabetos.

Voltando aos resultados  do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), menos de 30% da população brasileira é considerada plenamente alfabetizada e apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas no Brasil e 38% da população com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita.

Estamos evoluindo pouco. Faz-se estritamente necessário lembrar que, se no passado a educação condicionou a prosperidade dos países, ainda o faz no presente e fará no futuro. A educação é ainda mais importante hoje. Só e apenas ela é capaz de garantir o sucesso e desenvolvimento em um sistema marcado por incertezas e instabilidades econômicas.

Já dizia Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Sempre citamos a educação como principal pilar do desenvolvimento de qualquer país, e com o Brasil não é diferente.

Diante dessas afirmações, certamente, estamos muito distantes de sermos uma nação rica no mundo globalizado. O que falta ao Brasil é instituir, como prioridade, um sistema de educação eficiente, voltado para o mercado. É preciso abandonar a teoria do quadro, giz e livros e buscar diminuir o atraso que existe em relação ao uso de novas tecnologias.


Aos mestres do Brasil

Janguiê Dinizpor seg, 10/10/2016 - 10:02

Um bom professor tem um papel fundamental na vida do seu aluno. Todos nós temos alguma lembrança boa de um profissional que foi um mestre na nossa infância ou até na faculdade. Seja o “tio” ou “tia”, “professor”, “prof.” ou “mestre”, todos aqueles que trabalham com educação, na educação infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Superior, está ajudando a formar cidadãos que construirão a sociedade em que vivem. 

O professor é uma das profissões mais antigas e mais importantes pelo seu papel na formação de crianças, jovens e adultos. Professor é aquele que ensina, que transmite conhecimento, é essencial para a formação do ser humano. Professores são mestres que levamos pela vida afora. Ser professor é viver o seu tempo com sensibilidade e consciência. É saber lidar com as diferenças, ter flexibilidade e ajudar o seu aluno a refletir. É ser um difusor do saber. 

Tenho orgulho de ter sido professor de centenas de alunos e sei que todos aqueles que decidem por seguir a docência também se sentem assim. A humanidade precisa de educadores que possibilitem transformar as informações em conhecimento e em consciência crítica, para formar cidadãos sensíveis e que busquem um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. 

Infelizmente, apesar da importância, os professores ainda não têm a valorização que merecem em nosso país. A grande maioria entra em salas de aula com estruturas precárias e tem salários baixos. Além disso, os cursos de Pedagogia não preparam os profissionais para lidar com problemas como violência, indisciplina e dificuldades de aprendizagem. A forma com que se trata o professor é um dos primeiros problemas que hoje enfrentamos para atrair alguém para dar aula no Brasil.

O Plano Nacional de Educação (PNE) dedica quatro de suas 20 metas aos professores: prevê formação inicial, formação continuada, valorização do profissional e plano de carreira. Para que se tenha uma dimensão do trabalho que o país tem pela frente, entre os 2,2 milhões de docentes que atuam na educação básica do país, 24% não possuem a formação adequada, conforme dados do Censo Escolar 2014. 

Durante a minha trajetória acadêmica, aprendi que o professor tem um poder que nenhum outro profissional tem. O professor pode mudar uma vida e não há profissão mais bonita nesse mundo. Entendendo, que uma sociedade desenvolvida, é uma sociedade esclarecida e o esclarecimento vem, principalmente, através dos professores. Para tal, é preciso, em primeiro lugar, a valorização desses profissionais.  A decisão sobre como devem ser formados os novos profissionais impacta no projeto educacional de qualquer nação.

Rui Barbosa, em uma de suas citações, disse aos professores:  “Se és capaz de aceitar teus alunos como são, com suas diferentes realidades sociais, humanas e culturais; se os levas a superar as dificuldades, limitações ou fracassos, sem humilhações, sem inúteis frustrações; se os levas a refletir mais do que decorar; se te emocionas com a visão de tantas criaturas que de ti dependem para desabrochar em consciência, criatividade, liberdade e responsabilidade, então podes dizer: sou mestre!”. Hoje, entretanto, precisamos dizer: “Obrigado!” aos nossos professores. Obrigado pelos esforços, pela paciência e por terem sido e serem tão importantes na nossa formação. Obrigado por nos fazerem repensar o nosso lugar no mundo, e a importância do nosso modo de estar no mundo.


ABMES, 34 anos de lutas e vitórias

Janguiê Dinizpor qui, 01/09/2016 - 16:47

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior – ABMES completa 34 anos de história. Uma trajetória que, inicialmente foi construída por um grupo de 32 mantenedores liderados pelo ilustre professor Cândido Mendes de Almeida, que, na década de 1980, decidiu criar uma associação que representasse a categoria nacionalmente e que lutasse pelos interesses das instituições de ensino superior particulares.

Desde então, o grupo cresceu e chegou aos mais de 1200 mantenedores e mantidas que, hoje, estão unidos para debater e buscar melhorias contínuas, não apenas para o setor de ensino superior particular, mas também para a sociedade brasileira que necessita de acesso contínuo à educação. Ao longo desses 34 anos, o trabalho da ABMES é de contribuições assertivas nas discussões e no encaminhamento de grandes temas pertinentes ao desenvolvimento da educação, buscando, sempre, propostas viáveis ao governo e garantindo que os mais de sete milhões de estudantes do setor continuem sendo beneficiados.

Desde a sua fundação, a primeira e principal finalidade da ABMES consagrada em seu estatuto, consistia, e consiste até hoje, em:  “postular pelos direitos e interesses das entidades mantenedoras associadas ou filiadas”, inclusive judicialmente. É importante ressaltar a relevância do papel da ABMES e de seu primeiro presidente na conquista do preceito constitucional de que “o ensino é livre à iniciativa privada” (art. 209 da Constituição Federal), respeitadas as leis gerais da educação bem como todo aparato de avaliação e regulação definido pelo poder público. Estava-se, com total certeza, escrevendo a história do setor.

Sob a direção do professor Edson Franco, seu segundo presidente, que permaneceu no cargo também por três mandatos (1994/2004), a ABMES ganhou robustez acadêmica, produziu estudos e pesquisas, auxiliou na formulação de políticas públicas e criou a Editora ABMES. Em sua gestão foi definida e consolidada a política institucional que nortearia as ações da ABMES. Com Édson Franco, a ABMES viveu um forte período de expansão, após a consolidação de diretrizes elaboradas na gestão de Cândido Mendes. Em 12 anos, o número de associados foi multiplicado em dez vezes. Édson teve o mérito de transformar a ABMES em um reconhecido e privilegiado espaço de debates sistemáticos sobre o ensino superior no país.

Na gestão do brilhante professor Gabriel Mário Rodrigues, seu terceiro presidente, que conduziu os destinos da ABMES por quatro mandatos (2004/2016), a nossa associação amadureceu seus conceitos e profissionalizou sua gestão. Ao longo destes 12 anos, a instituição estabeleceu diálogo harmonioso com os órgãos do governo, promoveu seminários mensais com temas de interesse dos associados, incrementou as ações da Editora ABMES com a publicação periódica de inúmeros títulos e também realizou pesquisa nacional sobre as pequenas e médias instituições de ensino superior.

O trabalho da ABMES tornou-se essencial para a educação superior brasileira e, ao longo destes 34 anos de atividades, vem orgulhando seus associados com suas estratégias e posição de coragem em defesa do ensino particular. Muitos desafios foram levados ao MEC com intuito de garantir o espaço de negociações junto ao governo. Inúmeras conquistas foram alcançadas e tantas outras ainda são necessárias.

Em todos esses anos foram inúmeras mobilizações, estudos, pesquisas e encaminhamentos, sempre com intuito de representar, da melhor forma possível, o setor de educação e assegurar o cumprimento do papel do Estado de promover e garantir a democratização do ensino, seja através de incentivos  aos estudantes carentes que não conseguem acesso ao ensino público ou por meio dos programas de financiamento estudantil.

Além do trabalho com a educação, a ABMES busca a valorização social através de iniciativas como a Campanha da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular, a valorização de iniciativas inovadoras das instituições, o reconhecimento de personalidades que têm contribuído para a educação brasileira através dos prêmios Top Educacional Professor Mário Palmério, Milton Santos de Educação Superior e os Concursos de Vídeos sobre as ações das instituições. Tudo isso não apenas para valorizar a imagem da Associação, mas para que a comunidade, o Governo e a sociedade conheçam os trabalhos de grande valor, realizados  pelas instituições de ensino superior particulares.

Nos últimos 12 anos, estive acompanhamento de perto o trabalho da ABMES, seu desenvolvimento e sua preocupação com as necessidades dos mantenedores associados, mas não apenas com eles. O que diferencia a ABMES das outras entidades do setor não é apenas o seu tamanho, é a sua preocupação com o desenvolvimento e manutenção da educação e da sociedade brasileira.

A ABMES realizou intenso trabalho gerador de propostas ao Projeto de Reforma da Educação Superior (PL nº 7.200/2006) nas gestões dos Ministros Cristovam Buarque, Tarso Genro e Fernando Haddad. Participou ativamente das discussões e debates sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) – 2011/2020, desde o início do processo em 2010, estando presentes em audiências públicas, em reuniões e seminários para apresentar as propostas do setor privado. Além de ter papel fundamental nos debates de incremento e melhorias dos  programas como ProUni e Fies.

Hoje, o ensino superior particular é responsável por 80% das matrículas do setor, isso demonstra a importância e necessidade de atuação da ABMES para o desenvolvimento da educação no Brasil. Como presidente da ABMES para o triênio, acredito que a valorização da tradição da ABMES, conjugada à inovação científica e tecnológica, ao empreendedorismo e à ousadia corajosa, independente, autônoma, responsável e ética em defesa dos direitos e interesses dos mantenedores do ensino superior particular, ainda trará inúmeros benefícios e reconhecimento ao trabalho tão primoroso realizado durante todos esses anos de atuação.

A ABMES está completando 34 anos de lutas e me sinto orgulhoso em fazer parte dessa história. Muito já foi feito e ainda há muito para se fazer. Parabéns ABMES. Parabéns a todos que contribuíram e contribuem com a maior associação de mantenedores de ensino superior do Brasil.


Reino Unido fora da União Europeia, e agora?

Janguiê Dinizpor sex, 19/08/2016 - 16:05

Em uma promessa de campanha, o primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, garantiu a realização de um referendo consultando a população sobre a vontade de permanecer, ou não, na União Europeia por acreditar que a resposta seria positiva. O problema é que existia uma insatisfação por parte da população em torno de condições exigidas para permanecer como membro do bloco.

O resultado da decisão foi um pedido de desfiliação do Reino Unido da União Europeia (UE). A continuidade do processo depende do Conselho Europeu, que pedirá a Comissão Europeia para negociar o acordo de saída e que, para ser concretizada de fato, precisa do aval unânime dos 27 países integrantes do bloco. Isso pode durar ao menos 2 anos. Além de consequências nacionais, a decisão pode afetar no mundo todo as esferas política, econômica e social.

Os desdobramentos dessa decisão são inúmeros e podem afetar não apenas o Reino Unido, mas o mundo. No campo político, o primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que irá deixar o cargo em outubro, visto que é contra a saída do Reino Unido da UE. O resultado do referendo também pode causar conflitos internos no Reino Unido. A Escócia e Irlanda do Norte votaram por permanecer na UE e os políticos nacionalistas dos dois países já sinalizaram que pretendem trabalhar por um referendo para se separarem do Reino Unido.

O desgaste político com essas duas nações parece ser o ponto central e mais preocupante para o Reino Unido. Há cerca de um ano, a população escocesa votou em um referendo sobre a possibilidade de se desmembrar e sair da influência política exercida pela Inglaterra naquela região. Não houvesse acontecido, antes da votação, a visita e persuasão de David Cameron junto aos governantes do país, a Escócia teria deixado o Reino Unido. No caso da Irlanda, os entreveros remetem a fatos históricos do passado, mas que ainda refletem na relação política entre esses países.

Para a União Europeia, a saída do Reino Unido enfraquece o bloco no cenário mundial. Além de ser uma das principais potencias do bloco, isso significa perda de influência política, eles são responsáveis pelo quinto maior gasto militar do mundo. As consequências também recaem na política externa, devido aos laços estreitos com os Estados Unidos que devem sofrer desgaste. As restrições e uma diminuição acentuada da imigração de trabalhadores podem levar à falta de mão-de-obra na área da construção civil e em outros serviços.

O desfecho dos próximos capítulos ainda é uma incógnita. O estabelecimento de uma relação mais estável com o mercado global, tanto da União Europeia quanto do Reino Unido, ainda vai percorrer um longo caminho. Uma situação semelhante com a possível quebra do bloco ocorreu em 1975, mas foi derrubada com larga vantagem. O resultado ultrapassa o cunho político e fortalece as bases que buscam caminhos mais sólidos.


A vez da energia limpa

Janguiê Dinizpor seg, 08/08/2016 - 15:14

É na crise que surgem as grandes oportunidades.

Muito tem se falado da crise econômica que assola o país deixando milhares de desempregados e causando recessão em vários setores da economia. Entretanto, apesar do atual quadro econômico, a frase com a qual abri esse texto é uma realidade para o setor de energia limpa, como as de geração de energia eólica e solar, que continuam mostrando dinamismo e projetando crescimento para os próximos anos, registrando bons níveis de desenvolvimento e atraindo investidores.

O Brasil é o sétimo país do mundo que mais investe em energia limpa e o sexto mais atrativo devido às condições naturais. Atualmente, somos o quarto maior produtor de energia eólica no mundo, ficando atrás apenas da China, Alemanha e Estados Unidos, respectivamente. Entretanto, essa não é a principal fonte energética do nosso país.

A liderança energética no Brasil ainda é da energia hídrica, que responde por 66,7% da produção, seguidos por combustíveis fósseis (17,5%), biomassa (8,8%) e energia nuclear (1,3%), segundo dados da Aneel. Vale ressaltar que a energia eólica é a segunda fonte mais barata, sendo superada apenas pela hídrica, e apesar disto, hoje, representa apenas 5,81% da produção.

Além de garantir a segurança do sistema elétrico, os baixos custos fazem a energia eólica ser altamente competitiva. Tal informação tem respaldo nos resultados de crescimento global do setor, que, mesmo em tempos de crise, colocou o Brasil na 10ª posição no ranking mundial de capacidade instalada em 2015. Foram R$ 20 bilhões em investimentos e 41 mil empregos gerados.

É impressionante o nível de crescimento dos segmentos eólico e solar, que crescem a taxas de dois dígitos por ano e, com alto potencial de expansão. Juntos, ambos devem criar 828 mil empregos até 2020. Além dos estímulos públicos e de compromissos ambientais internacionais, o fator que está gerando esse grande crescimento é a redução no custo de implantação, graças ao ganho de escala e inovações tecnológicas. 

A iminência de uma crise climática coloca desafios sem precedentes a todas as nações. Há um forte movimento mundial para se reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, como o carvão mineral, gás natural e o petróleo, e aumentar a participação das energias renováveis.

De acordo com o Greenpeace, o Brasil pode ter sua matriz energética majoritariamente limpa até 2050. Segundo o relatório [R]evolução Energética, daqui a aproximadamente 30 anos, a matriz pode contar com 66,5% de fontes como vento, sol e biomassa para alimentar os setores elétrico, industrial e de transportes.

O alto índice de crescimento do setor de energia limpa é justificado por uma série de fatores, não apenas a crise econômica e o baixo custo de produção. O segmento tem unido todas as características que propiciam o desenvolvimento em qualquer setor: baixo custo, oportunidade, tecnologia e projeção de longevidade do negócio.

O Brasil tem recursos naturais de sobra para se tornar uma potência energética limpa. Ao contrário do que acontecia no passado, as energias renováveis – em especial a solar e eólica – são mais competitivas que o carvão e ainda utilizam recursos locais e criam mais empregos. Utilizar a energia renovável agora é mais uma vantagem econômica e capaz de reduzir a dependência de combustíveis importados.


Fies e a formação universitária

Janguiê Dinizpor sab, 30/07/2016 - 07:45

Ter um diploma de nível superior ainda é um privilégio para apenas 13% da população brasileira. Este número foi apontado pelo IBGE através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2014 (Pnad). De acordo com a pesquisa, quando se avalia o nível de instrução da totalidade de brasileiros acima de 25 anos, mais de metade da população (57,5%) tem no máximo o ensino médio completo, sendo que 32% não completaram o ensino fundamental. Uma graduação universitária é privilégio de apenas 13,1% das pessoas (contra 12,6% em 2013).

Nos últimos 20 anos a educação superior no Brasil viveu o seu período de maior expansão no número de instituições e de matrículas. Esses números são resultados de uma série de políticas públicas voltadas para a educação e que vão além do contexto favorável à ampliação do ensino superior. A partir dos anos 2000, houve um aumento do nível educacional da população brasileira e melhorias nas condições econômicas das famílias que fizeram com que os jovens seguirem estudando além do nível médio, muito graças aos programas de Financiamento Estudantil – Fies e as bolsas de estudos oferecidas pelo Programa Universidade para Todos – ProUni.

Em 2013, as instituições privadas contaram com 5,3 milhões de alunos, segundo o Censo de Educação Superior de 2014. Foram 1,9 milhões de estudantes com financiamento pelo FIES, correspondendo a 35% do total de alunos das instituições privadas. Comparando com o número total de alunos no ensino superior, que foi de 7,3 milhões, o FIES atendeu a 26% deste universo, ratificando a sua importância no acesso e permanência dos jovens no ensino superior.

Um avanço para o Estado, que começava a enxergar a possibilidade de atingir as metas do Plano Nacional de Educação para o ensino superior dentro do período estimado. Porém, mais importante para a sociedade, que na busca pela igualdade, percebia a redução das desigualdades econômicas e sociais, aliada a melhores oportunidades de emprego e renda proporcionadas pelo conhecimento de um curso superior.

É informação comum que um dos principais problemas da educação superior no Brasil é que o acesso não é oportunizado de forma igualitária para todos e foi através desses programas sociais que ações foram empreendidas no sentido de democratizar e ampliar o ensino superior. A falta de um orçamento coerente com os gastos coloca o programa numa situação de fragilidade.

O número de brasileiros que alcançam e concluem esse nível de ensino ainda é muito pequeno. O Fies é um programa de inclusão social e tem importância essencial para a garantia da efetivação do direito fundamental à educação. Beneficia o estudante carente e ainda alcança um mérito não previsto, que é possibilitar o estudo nos níveis superiores de pessoas fora da faixa etária regular, gerando a possibilidade de ascensão e melhoria da qualidade de vida a um público que não era alvo desse programa.

Por isso, é importante tratar as políticas públicas educacionais como prioridade e com muita responsabilidade, principalmente aquelas que atingem resultados tão significativos como o Fies.

Políticas públicas educacionais têm papel fundamental para o futuro do país, tanto sócio quanto economicamente, assim, é importante garantir e estabilizar as conquistas no setor para depois ampliá-las para não colocar em risco a efetivação do Plano Nacional de Educação. 


PNE e a educação do Brasil

Janguiê Dinizpor qui, 30/06/2016 - 10:32

A nova etapa do Plano Nacional de Educação (PNE) completou dois anos em junho e continua longe de atingir as metas estabelecidas. De acordo com ele, nesta etapa, o Brasil já deveria ter definido um custo mínimo para garantir a qualidade do ensino no país, em todas os setores, além de uma política nacional de formação para os professores e, até o final de 2016, deveria estar com todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos matriculados nas escolas.

A realidade é outra. Se metade da população infantil de até três anos de idade deveria estar em creches, hoje temos mais de 2,5 milhões de crianças sem o atendimento. Há 700 mil crianças com idade entre 4 e 5 anos que ainda não tem acesso à pré-escola e mais de 1,6 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que deveriam estar cursando o ensino médio, estão fora da escola.

A meta 15 do PNE previa o início de uma política nacional de formação docente, entretanto, até agora, apenas 32,8% dos professores das últimas séries do ensino fundamental têm licenciatura na área que atuam e 25% dos docentes que atuam na educação básica não têm curso superior. Dos 21 objetivos de curto prazo do PNE que já deveriam ter sido concluídos, apenas a criação de um fórum para acompanhar a evolução salarial dos professores foi alcançada.

No ensino superior, a meta era elevar a taxa bruta de matrícula da educação superior para 50% da população entre 18 a 24 anos, assegurando a qualidade, e expandir as matrículas no setor público em pelo menos 40%. Além disso, o PNE visava garantir que pelo menos 75% dos professores da educação superior sejam mestres e 35%, doutores.

Infelizmente, quando olhamos os dados referentes à formação dos professores da educação básica no Brasil, nenhum deles chama mais a atenção quanto o fato de que cerca de 1/4 dos docentes não possui formação superior. Trata-se de uma realidade muito distante daquela que o PNE vislumbra para 2024 – ter 100% dos professores com formação específica de nível superior em sala de aula.

De fato, o número de mestres e doutores formados pelas universidades brasileiras mais que quadruplicou em 15 anos, passando de 13.219 em 1996 para 55.047 em 2011 – aumento de 312% -, segundo uma compilação divulgada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Vale ressaltar que o crescimento foi impulsionado, em grande parte, pelo aumento na oferta de cursos de mestrados oferecidos em instituições de ensino particulares. Entretanto, tal número ainda está longe da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Pós-Graduação, que estipula necessidade de formação de 20 mil doutores por ano em 2020.

O Brasil é o 13º maior produtor de conhecimento científico, posição alcançada em 2013. No entanto, ele perde posições quando se avalia o impacto da produção, ocupando o 18º lugar. Apesar dos números que tratam o crescimento da quantidade de cursos de pós-graduação por região serem positivos - as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram um aumento maior do que 60% no número de cursos na modalidade e a região Sudeste continuar em ascensão, com um aumento de 32% - a assimetria na distribuição de cursos está longe de ser erradicada: quase 25% das mesorregiões brasileiras tem até um doutor e 45% ainda não têm programas de pós-graduação.

Em seu conceito, o Plano Nacional da Educação tem conceitos e objetivos que, quando pensados, fariam a educação do Brasil atingir níveis aceitáveis. Porém, sua implementação sem as ferramentas básicas da gestão contemporânea como cronograma de ações, a divisão de responsabilidades, o estudo de alocação das verbas, os indicadores de controle e avaliação, ele nunca será executado. Ademais, a crise econômica e os vários escândalos políticos vividos pelo Brasil mudaram as prioridades do país e a educação, mais uma vez, ficou em segundo plano.

A solução é simples: é preciso que a educação seja entendida de uma vez por todas como prioridade e que haja continuidade nos projetos mesmo nas transições políticas. Se não for assim, nenhum plano sairá do papel.


Ética e transparência

Janguiê Dinizpor seg, 20/06/2016 - 10:04

Há algum tempo os termos “ética” e “transparência” tem tomado força nos debates públicos e tem sido cada vez mais recorrente a exigência da população para que nossos gestores públicos mantenham um perfil que valorize essas duas palavras.

Entretanto, não é apenas na gestão pública que percebemos a mudança. Nas instituições privadas o ditado “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, já não tem tanto espaço. Hoje, os colaboradores se espelham nos gerentes, diretores e donos de empresas que entendem e executam a frase: “faça o que eu digo e o que eu faço, porque são a mesma coisa”.

Vivemos em uma época na qual o conhecimento é, cada vez mais, o alicerce das relações entre consumidores e fornecedores e, por isso, é necessário que sejam respeitados os princípios da ética e da transparência em respeito à sociedade. Em um mercado competitivo, a atitude ética é um dos principais valores na diferenciação da sua atuação e de seu concorrente.

No mundo dos negócios, o comportamento ético deve ser instituído na empresa de modo que todos os envolvidos tenham conhecimento das práticas empresariais e estejam focados em um mesmo objetivo. Um ambiente empresarial saudável vai prezar, sempre, pela aplicação de medidas que visam comunicar e treinar, aperfeiçoando um ciclo de atividades que valorizam honestidade, justiça, compromisso, respeito ao próximo, integridade, lealdade e solidariedade.

É preciso ressaltar que ética e transparência precisam andar juntas. Uma não existe sem a outra. Se determinada empresa não trabalha com ética, coerência e transparência, a probabilidade de o ambiente interno para os colaboradores ser péssimo é muito alta. É certo que nesse tipo de empresa existe uma alta rotatividade de colaboradores, pessoas estressadas e resultados inconsistentes.

Empresas que prezam por esses valores são percebidas como positivas pela sociedade e tendem a se firmar no mercado. No caso inverso, as empresas tornam-se frágeis, sem competitividade e ficam suscetíveis a riscos de imagem e reputação perante todos.

Mas, se agir com consciência moral é tão positivo, por que ainda há tantas pessoas que não seguem esses valores?

Uma publicação da ISAE/FGV coloca três pontos de reflexão sobre o tema: uma primeira causa pode ser a qualidade do seu aprendizado. A segunda causa pode ser a imaturidade do raciocínio moral, que pode reduzir valores éticos a comportamentos visando simples obediência para evitar punições ou para a satisfação de interesses pessoais. Um terceiro motivo é o desconhecimento dos outros, determinado por baixo grau de empatia e, por último o desconhecimento de si, alimentado por autoimagem irreal e autoestima exageradamente alta ou baixa.

No Brasil, a corrupção é o principal exemplo da falta de ética e transparência nos processos. Neste caso, há inúmeras consequências para a construção da sociedade e a principal delas é a destruição da meritocracia. Para evitar tal efeito, além da justiça, é preciso exigir punição, dentro dos padrões previstos na Constituição.

A educação tem um papel determinante neste contexto, visto que é de sua responsabilidade o processo pedagógico de informar comportamentos éticos e morais para futuros cidadãos. Assim, como Roberto Shinyashiki afirmou: ‘’Seja ético: a vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos”.

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