Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


A crise econômica brasileira

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 29/07/2015 - 09:30

O Brasil conseguiu superar sem maiores problemas a crise econômica mundial, ocorrida em 2008 e que afetou gravemente países como os Estados Unidos e a Comunidade Europeia. Mesmo enquanto a recessão tomava conta das economias capitalistas, o nosso país continuou a crescer. Anos depois, falamos na crise econômica de 2015, não como uma possibilidade, mas sim como um fato consumado.

Desde o início do ano, todos os brasileiros têm escutado, exaustivamente e por diferentes atores institucionais, que é preciso "arrumar a casa", "cortar e equilibrar gastos públicos". Infelizmente, a inflação, assim como o dólar, vem aumentando a cada dia e não há perspectiva de investimentos à vista. Aliado aos problemas econômicos, a crise política, endossada pela sequencia de casos de corrupção, também corrobora com a preocupação de todos.

Desde o fortalecimento do capitalismo, inúmeros países já passaram por crises econômicas com conseqüências. Entretanto, o restabelecimento econômico dos países que viveram tais crises aconteceu de forma gradativa. Claro que a paralisia econômica brasileira, depois de anos de prosperidade, gera uma frustração na população, como foi confirmado por uma pesquisa do Instituto Ibope, realizada em 141 cidades e publicada em maio deste ano. Os dados revelaram que 36% dos brasileiros estão pessimistas em relação ao futuro do país, e outros 12% estão muito pessimistas. Ou seja, 47% da população está sem esperança sobre o que virá.

As crises econômicas chamam a atenção para as contradições resultantes do capitalismo, um sistema que proporciona oportunidades, mas também desigualdades econômicas. A recente crise que expôs o capitalismo permitiu que a desigualdade social viesse à tona e as soluções para tal problema precisam ser debatidas constantemente.

Não podemos ser pessimistas. O Brasil viveu mais de uma década de bonança. Tivemos um visível crescimento econômico, recebemos investimentos estrangeiros, tivemos a inflação e câmbio sob controle, a oferta de crédito foi facilitada, o salário mínimo foi reajustado, tivemos baixos índices de desemprego, etc.

Infelizmente, isso não é suficiente para manter um país em desenvolvimento. Talvez, se as reformas agrária, política, tributária e estrutural tivessem sido implantadas durante esses últimos 10 anos de crescimento, não estaríamos vivenciando a crise. A reforma agrária tornaria o país menos dependente da exportação de commodities, e mais favorecido pelo mercado interno. Já a reforma tributária, que foi recomendada pelo economista francês Thomas Piketty, priorizaria a produção, e não a especulação.

O ajuste fiscal necessário e tão desejado pelo governo, lentamente, vem sendo colocado em prática. Este ajuste contribuirá para que a economia brasileira volte a ser pujante como em outras épocas. Claro que o momento vivido pela economia do país não é desejado por ninguém, porém, devemos acreditar que a crise é passageira.

Não há como evitar a crise econômica de 2015, mas manter a prudência certamente irá nos ajudar durante todo o período de turbulência. Precisamos ver o lado positivo e avaliar o aprendizado que toda crise traz. Podemos diminuir o ritmo, mas é certo que o Brasil não vai parar.


O empreendedor de Sucesso

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 15/07/2015 - 09:34

Empreender não é fácil e nem simples. Enganam-se aqueles que pensam que para ter um negócio de sucesso basta apenas investir um valor financeiro, em um determinado setor. Alcançar o sucesso empresarial é muito mais que abrir um negócio.

Uma pesquisa da União Europeia realizada na região e nas maiores economias do mundo colocou o Brasil como o segundo lugar entre os países com maior tendência para o empreendedorismo – de acordo com os resultados, 63% dos brasileiros preferem trabalhar em um negócio próprio. A pesquisa incluiu os 27 membros da União Europeia e mais 13 nações, entre elas, China, EUA, Rússia, Índia e Japão. O primeiro lugar ficou com a Turquia, com 82%.

Empreender é a força do fazer acontecer, em qualquer área, seja de forma inédita ou não. É o envolvimento de pessoas e processos. É o principal fator promotor do desenvolvimento econômico e social de um país. É identificar oportunidades, agarrá-las e buscar os recursos para transformá-las em negócio lucrativo.

O empreendedor de sucesso é a pessoa capaz de gerar bons resultados em qualquer área de atividade, é aquele que motiva ações e cultiva ideias em prol do bem estar comum. O empreendedor de sucesso é, de fato, aquele que tem um novo olhar sobre o mundo à medida que presencia a evolução. Para isso, ele precisa apresentar determinadas habilidades e competências para criar, abrir e gerir um negócio, gerando resultados positivos.

As características técnicas de um empreendedor de sucesso envolvem a habilidade em saber escrever, ouvir as pessoas e captar informações. Além de ser organizado, saber liderar e trabalhar em equipe. Para a segunda categoria, classificamos as características gerenciais envolvidas na criação e gerenciamento da empresa. O conhecimento em marketing, administração, finanças, operacional, produção, tomada de decisão, planejamento e controle.

Finalizando as categorias, o empreendedor de sucesso precisa ser extremamente disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistência, ser visionário, ter iniciativa, coragem, humildade e principalmente ter paixão pelo que faz. Claro que existem outras características como criatividade, autoconfiança, pró atividade, otimismo e senso de oportunidade que complementam o perfil.

E mesmo quando os aspirantes a empreendedores tem as características citadas acima, por vezes uma regra básica é esquecida: é preciso conhecer o mínimo a respeito da atividade que se pretende desenvolver e do mercado no qual quer se envolver. Familiarizar-se com aquilo que se deseja vender, seja o que for, é essencial.

E completando, é claro que o sucesso empresarial tem uma boa dose de sorte. No entanto, atribuir o sucesso dessas pessoas, única e exclusivamente ao fator sorte, é um raciocínio simplista e também uma injustiça com elas. Vale lembrar que errar também faz parte da vida de qualquer empreendedor. No entanto, no segundo caso, o mais importante é aprender com o erro e jamais cometê-lo novamente. O segredo é transformar seus erros e fracassos em lições.

O primeiro passo para ser um empreendedor de sucesso é sonhar. E para realizar os nossos sonhos é preciso muito esforço e perseverança. No empreendedorismo, correr riscos faz parte do negócio.


Um Brasil chinês

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 06/07/2015 - 10:22

Em meio a um ano que se mostra difícil para a economia brasileira, fomos surpreendidos pela notícia de que a China e Brasil assinaram um plano de cooperação mútua, até 2021, que somam aproximadamente US$ 53 bilhões ou R$ 167 bilhões.

O acordo chega exatamente quando os fundos de investimento globais se mostram cautelosos com o Brasil. Somos o país emergente que mais perdeu espaço nas carteiras dos fundos de investimento estrangeiros desde abril, de acordo com relatório do Instituto Internacional de Finanças, formado pelos maiores bancos do mundo.

Voltando ao acordo com os orientais, são 35 projetos previstos no projeto, incluindo os estudos de viabilidade para a construção da ferrovia transcontinental, que almeja cruzar o Brasil e seguir cortando o continente sul-americano. São parcerias nas áreas econômicas, estratégicas, de infraestrutura, transporte, agricultura, energia, mineração, comércio, ciência e tecnologia, entre outras.

A relação Brasil e China não é uma novidade. Ambos mantêm relações comerciais desde 1979, sendo que, a partir de 2009, o país asiático se transformou no maior parceiro comercial brasileiro. Juntos, eles mantêm importantes fluxos de investimentos bilaterais, sendo a China uma das principais fontes de investimento direto no Brasil. Se pensarmos em números, as trocas comerciais entre os dois países alcançaram US$ 77,9 bilhões em 2014, com superávit brasileiro de US$ 3,3 bilhões.

Sabemos que o Brasil tem um sério problema com infraestrutura, ficando sempre muito aquém nos rankings dos países com as melhores estradas, aeroportos, portos e ferrovias. Já a China, tem como preocupação principal manter 1,3 bilhões de pessoas em um país com características que não possibilitam desenvolvimento na agricultura e na pecuária e onde não há muito acesso aos recursos minerais. Assim, podemos considerar que um acordo desse nível seria benéfico para ambos os lados?

A economia é movida por três pilares: consumo, investimento – público e privado – e exportações. A China, durante anos, cresceu a uma taxa com dois dígitos. No entanto, esse número caiu e já entrou na casa de um dígito, mas ainda  é o pais que mais cresce no mundo. Os chineses precisam movimentar sua economia. Querem investir em infraestrutura no Brasil por vários motivos, um deles é o lucro. Por outro lado, precisam,  também, mudar seu modelo de crescimento econômico além de almejar garantir o escoamento de seus produtos.

Vale ressaltar que não somos uma economia que tem a capacidade competitiva dos chineses. Somos economias complementares. Precisamos de investimentos em infraestrutura e eles precisam de matéria prima. Hoje, um país emergente precisa investir, em média, 5.4% do PIB em infraestrutura e, nós, investimos apenas 2.2%. Além disso, investimentos em infraestrutura são estratégicos ao desenvolvimento do Brasil e para impulsionar a retomada de crescimento econômico. Assim, uma injeção de R$ 167 bilhões é um bom começo.

Todas as parcerias têm pontos positivos e negativos. Um acordo de cooperação mútua não seria diferente. Entretanto, há um ponto em especial que é bastante preocupante: a mão-de-obra. Será que tantos investimentos irão gerar emprego para os brasileiros ou será que centenas ou milhares de chineses imigrarão para a Brasil para suprir uma mão-de-obra qualificada que, infelizmente ainda  não podemos oferecer?


Intolerância religiosa e o respeito

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 29/06/2015 - 09:48

A intolerância religiosa é, certamente, um dos conflitos mais delicados em nosso planeta. Este debate, onde o fanatismo religioso está entranhado em milhões de pessoas, conduz a verdadeiras guerras, em nome, supostamente, de sua religião, como se fosse possível estabelecer qual delas "estaria com a razão".

Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição, sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. A perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.

O Brasil é um país de estado Laico, ou seja, imparcial, quando se trata do assunto religião, e as liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. Então, qual é o genuíno direito do cidadão de repudiar, agredir e ir contra à religião que não faz parte de sua “fé”?

Constitucionalmente falando, todo cidadão brasileiro tem assegurado o direito de opinião e a inviolabilidade de consciência, isso quer dizer, que podemos seguir, ou não, qualquer crença religiosa, ainda que ela seja minoria. Assim, antes de sobrepor princípios inerentes, as pessoas devem respeitar as escolhas alheias e ter o entendimento de que uma religião, independente de possuir ou não a maioria de adeptos, não significa que ela seja a mais correta.

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis. Podemos citar a falta de bom senso e de respeito mínimo à diversidade como fatores que criam e fortalecem as situações de caos e violência vistas em todo canto do mundo, inclusive em nosso país.

Vale ressaltar que crítica não é o mesmo que intolerância. Todos nós temos o direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio. Entretanto, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião.

A grande questão não é a qual a religião correta a seguir, mas sim, o respeito que deve existir entre os adeptos de cada crença. É preciso respeitar as diferenças, seja em ambiente doméstico ou escolar. É preciso respeitar as escolhas do outro individuo, seja ela semelhante ou diferente da sua. Respeitar o próximo, independente de atitude, opinião ou crença.


O desafio de inovar

por qua, 17/06/2015 - 11:50

Em 10 anos, a taxa de empreendedorismo no Brasil saltou de 23%, para 34,5%.  Deste total, metade corresponde a empreendedores novos – com menos de três anos e meio de atividade – e a outra metade aos donos de negócios estabelecidos há mais tempo. Esse é o resultado da nova pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no Brasil pelo SEBRAE e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).

Segundo os dados, três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Quando comparado a países que compõem o Brics – grupo de países que tem atuado juntos para pôr em prática acordos comerciais e desenvolver projetos conjuntamente -, o Brasil é a nação com a maior taxa de empreendedorismo, ficando quase oito pontos percentuais à frente da China, que apresenta uma taxa de 26,7%.

Apesar de números tão positivos, as incertezas atuais em torno da conjuntura econômica mundial e, principalmente, brasileira, têm impactado diretamente nos resultados de organizações de diferentes setores. Além disso, as novas e crescentes exigências do mercado, a concorrência e os desafios do cotidiano empresarial exigem que se pense empreendedorismo de um jeito diferente. 

Então, como é possível sobreviver a um mercado que se mostra cada dia mais irregular, especializado e competitivo? A resposta está na inovação. Para manter ou melhorar as condições de uma empresa no mercado, faz-se necessária à criação de fatores competitivos ligados à inovação. Atualmente, inovar é condição para permanecer no jogo dos negócios.

Inovar, no ramo empresarial, é uma forma de ver os desafios, encontrando soluções práticas, úteis e econômicas. É a capacidade de mudar um cenário, de revolucionar. Aqueles que inovam ficam em posição de vantagem em relação aos demais e esse é o papel dos empreendedores: fazer com que suas empresas tenham relevância na vida dos seus consumidores, oferecendo soluções para um determinado problema, necessidade ou desejo, seja ele consciente ou inconsciente.

No entanto, o sucesso de um empreendimento não se resume apenas ao empreendedor. O segundo principal ponto é a equipe, o perfil das pessoas por trás do projeto é relevante para qualquer tipo de corporação. O equilíbrio de competências dos profissionais envolvidos traz um diferencial para empresa. Apenas os seres humanos são dotados de inteligência e capacidade para executar as ações propostas para inovação, então é preciso valorizar o capital humano para que se tenham inovações consistentes.

Empreender, no Brasil ou em qualquer outro país, é saber se adaptar às mudanças constantes e inerentes ao mercado. Ter uma idéia é apenas o começo. É preciso saber e estar preparado para se adaptar às circunstâncias que se apresentam, abraçar novas oportunidades e olhar além do obvio, mantendo sempre um pouco de ousadia para se manter competitivo.

A rivalidade entre os concorrentes existentes, a pressão dos produtos substitutos, o poder de negociação dos compradores e dos fornecedores sempre existirão. Entretanto, será a inovação que irá minimizar a competição.


Educação e Desenvolvimento Econômico?

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qua, 10/06/2015 - 15:59

Durante anos, e com o crescimento econômico vivido pelo Brasil, a importância da melhoria e do desenvolvimento da educação deixou de ser uma bandeira apenas das instituições e escolas particulares para ser o diferencial para o desenvolvimento do país. Por cerca de uma década, programas de aceleração para atingir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) foram criados e incentivados e milhares de jovens e adultos puderam ingressar no ensino técnico e superior.

Nos últimos 15 anos, a educação brasileira alcançou algumas conquistas importantes para melhorar seus índices. A criação de um fundo de financiamento para toda a educação básica (o Fundeb); um sistema de avaliação consolidado, o Enem; e metas de aprendizagem, instituídas pelo PNE para todos os níveis. Apesar dessas melhorias, o Brasil ainda está bem distante da educação oferecida pelos países desenvolvidos e que estão no topo da educação mundial.

Podemos citar as mudanças da Finlândia, Coréia e Espanha como bons exemplos de uma transformação no cenário econômico mundial ao longo das últimas décadas, um investimento maciço em educação. Os três países colocaram em prática uma série de novas diretrizes de políticas educacionais contínuas – que significa dizer que mesmo com as mudanças no governo, a promessa de mantê-las não mudou. Todos executaram reformas nas leis educacionais e ampliaram o tempo de permanência na sala de aula, optando e incentivando o ensino integral. Como resultado, todos apresentam um ininterruptos aumento no índice de desenvolvimento social.

Alguns podem questionar, afinal, por que a educação faz tanta diferença? A resposta é porque ela afeta todos os demais setores da sociedade. Incide sobre a qualidade da representação política, a distribuição de renda, o desenvolvimento econômico e o discernimento da justiça social. Porque quando se tem educação, a tendência é que se exija mais qualidade em todos os setores do país.        

No Brasil, a preocupação com a educação só virou política de governo nos anos 30, com Getúlio Vargas, que criou o primeiro Ministério da Educação. Isso significa 100 anos depois de outros países latino-americanos e 150 anos depois da Europa. Hoje, ainda é preciso superar os dois extremos característicos da educação brasileira: o enfrentamento do analfabetismo – principalmente o funcional - e as desigualdades educacionais que impedem o acesso e o exercício da cidadania plena pela falta de conhecimentos.

Na França, os iluministas defendiam um sistema de governo onde todos fossem iguais perante a lei. Por lá, a escolaridade é obrigatória dos 6 aos 16 anos e o sistema de educação é centralizado e controlado pelo ministério da educação francês, cujo orçamento é o mais alto de todos os ministérios.

A necessidade de alcançarmos uma educação de qualidade para todos é consenso entre a sociedade brasileira. Entretanto, para que isso aconteça, a educação tem de ser prioridade não apenas nos discursos de políticos durante suas campanhas. 

Infelizmente, e com a justificativa da crise econômica que o país enfrenta, programas sociais criados para acelerar o alcance das metas e o investimento em educação foram reduzidos ou cortados. Junto com eles, perdemos um pouco a esperança de continuarmos a desenvolver o país de forma justa e democrática, concedendo a todos condições para entender os contextos históricos, sociais e econômicos em que estão inseridos.

Apenas um pouco. Queremos acreditar que esta é uma situação temporária e que, em breve, a educação se tornará prioridade e será entendida, de fato, como agente transformador. Só assim mudaremos definitivamente o perfil social do Brasil.

 


Um país de corruptos?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 03/06/2015 - 14:29

Em meados de março deste ano, a presidente Dilma Rousseff disse, durante um pronunciamento, que “A corrupção é uma senhora idosa”. A fala aconteceu em meio a inúmeros escândalos e em resposta à série de protestos contra a corrupção no Brasil.

Assistindo a essa declaração, muitos brasileiros tiveram a sensação de que encontravam-se mergulhados em um dos ambientes  mais corruptos do mundo.  E estavam certos.  Esta foi a constatação feita pela edição 2014 do Corruption Perpception Index (Índice de Percepção da Corrupção), um estudo sobre corrupção divulgado pela ONG Transparency International e que indicou o Brasil como o 69º país mais corrupto do mundo, em um universo de 174 países.

Ao contrário do Brasil, desde a criação do índice em 1995, a Dinamarca figura entre o primeiro e segundo lugar do ranking como o país menos corrupto, com uma média de 92 pontos em uma escala de 0 a 100 pontos, onde o último significa um país sem corrupção. Vale lembrar que a Dinamarca já é bem conhecida pelos altos índices de saúde, segurança, saneamento, educação e renda, além de ser citada como uma nação que tem um forte Estado Democrático  de Direito, apoio à sociedade civil e regras claras de conduta para as pessoas que ocupam cargos públicos.

Na Dinamarca, o combate à corrupção começou muito cedo, ainda durante a formação da política do país. A transparência, a honestidade e a meritocracia foram e ainda são princípios fundamentais por lá.

Infelizmente, estamos vivendo um fenômeno em que a percepção dos cidadãos é a de que a corrupção está entranhada na maioria das cabeças dos gestores públicos.  É lugar comum ouvir a máxima de que “todo político brasileiro é corrupto”. Ou ainda, após ver uma notícia sobre corrupção, a declaração de que “isto é o Brasil”.  

Entretanto, quero acreditar que esta afirmação não  constitui regra. Mas, exceção. Haja vista, - e continuo acreditando - que muitos gestores públicos são honestos, dotados de alto compromisso ético, bem intencionados e ingressam na  política como forma de ajudar a coletividade. Pois a cultura da corrupção só se desenvolve onde não há noções de ética incorporadas às ações do cotidiano. Por outro lado,  ouso afirmar que a corrupção do cidadão comum não é resultado, mas é alimentada pela corrupção nas instituições públicas conduzidas por aqueles gestores  que fazem parte do grupo das exceções. E quanto menos instrução as pessoas tem, mais difícil de entender o significado da corrupção.

O que é preciso para acabar com a corrupção? Sem dúvidas, muitas ações precisam ser implementadas. Em primeiro lugar,  mister se faz mudar a cultura daqueles que pensam  que o bem público e a política  constituem  fontes de enriquecimento individual. Quando na realidade, o bem público nada mais é do que instrumento para servir a coletividade e a política é a forma de servir a sociedade e o seu povo.  Ademais, é necessário o aumento da transparência das ações dos gestores públicos e a urgente reformulação da legislação para que sejam criadas penas mais severas para os corruptos e corruptores. E por fim, que surjam muitos Sérgios Moro, corajosos e idealistas.

Mas, para acabar com a corrupção, todos tem que fazer a sua parte.  Não basta  cobrar da classe política e dos gestores públicos ética e honestidade se,  nas  ações diárias, os cidadãos  cometem infrações  - pequenas ou grandes-   que comprometem o bem comum. O exercício da cidadania, que vai muito além do voto, exige educação política, informação e conscientização.

Não podemos nos acostumar em dizer ou ouvir que a corrupção sempre vai existir, esse é um argumento básico e inapropriado. O Brasil nunca viveu em toda sua história um período democrático tão longo como este. Desde 1989, nós podemos eleger o nosso governante maior e não temos ameaças de golpes ou de ditaduras

Temos que lutar para fortalecer nossas instituições públicas. Temos que definir e trabalhar pelas prioridades comuns a todos os brasileiros. Temos que nos conscientizar e mudar a cultura de que a  res (coisa) pública deve ser utilizada em benefício de uns e em detrimento do coletivo. Temos que estar cientes de que um país forte e soberano só se faz com educação, saúde e com instituições fortes, independentes e livres de qualquer forma de corrupção.  E para finalizar, penso que em um país democrático, é preciso haver dois partidos:  governo e a oposição. 


Por que é tão fácil ser corrupto?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 29/05/2015 - 09:43

A corrupção é um dos maiores problemas na atualidade e enganam-se aqueles que pensam que este é um problema ligado apenas a política. Na prática, ser corrupto é utilizar poder ou algum tipo de facilidade para conseguir vantagens que atendam aos próprios interesses ou de familiares e amigos. Mas, por que o Brasil está entre as nações mais corruptas do mundo?

Recentemente, em um de seus discursos, a presidente da República sugeriu que a corrupção no governo, exaustivamente publicada na imprensa, é uma influência da corrupção no dia a dia. Será que isso é verdade? Será que todos nós somos corruptos? E ainda mais, será que devemos ser culpados por todo enriquecimento pessoal que políticos vem promovendo com dinheiro público?

Discordo dessa tese. É uma generalização abusiva dizer que o brasileiro, em sua essência, é corrupto. Em todos os países do mundo, a percepção do nível de corrupção é bem menor quando as instituições funcionam direito. E aqui me refiro a todos os serviços comuns à população, como saúde, habitação, segurança publica, educação, saneamento, etc.

Infelizmente e mesmo que hoje existam medidas de combate à corrupção, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei da Ficha Limpa e a modernização dos instrumentos de controle interno e externo dos órgãos públicos e das empresas, não temos visualizado melhoras. Aparentemente, o ganho fácil, tirar vantagem em tudo e enriquecer às custas do dinheiro público parece ter se transformado, para alguns, em um projeto de vida a curto prazo.

Do ponto de vista estritamente legal, os crimes são apenas e só os atos que a lei penal considere como tal. E são esses conceitos jurídicos, essas definições legais, que estabelecem e permitem a aplicação das penas correspondentes a todos aqueles que, de modo comprovado e deliberado, os pratiquem. Poucos políticos brasileiros são punidos por envolvimento em casos de corrupção e quando a punição é aplicada, ela costuma ser mais branda do que deveria.

Os brasileiros têm reclamado cada vez mais da corrupção no nosso sistema público. Aqueles que trabalham arduamente sabem que não é tão fácil assim construir um patrimônio sólido, principalmente em tão pouco tempo. Por vezes, isso pode levar uma geração inteira ou até mais. 

Não podemos mais permitir que cargos públicos sejam usados para desviar recursos, para enriquecimento ilícito ou para uma perpetuação no poder. Não devemos permitir que servidores públicos em funções de comando deixem de servir o seu principal propósito: o bem da população. Honestidade e ética não podem ser considerados apenas um mero detalhe.


O preço da corrupção

Petrobras, Janguiê Dinizpor Thabata Alves ter, 19/05/2015 - 15:53

Em meio a diversos escândalos de corrupção, a população brasileira parece desnorteada em relação às denúncias e às punições que são dirigidas aos políticos envolvidos nos processos. O mais midiático deles, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público, que investiga um esquema bilionário de corrupção envolvendo contratos da Petrobras com as maiores empreiteiras do país, e que teria desviado recursos para partidos políticos, políticos, operadores e ex-executivos da própria empresa.

Junto com as manchetes de corrupção veiculadas quase que diariamente pela imprensa nacional, começamos a nos questionar o que será do futuro do Brasil. Como o rombo econômico causado pela corrupção será sanado? Além do corte de programas de governo, como Fies, financiamento de imóveis, a população sofrerá com o aumento de impostos?

Em matéria publicada pela agência de notícias Bloomberg, uma das mais conceituadas do mundo, os avanços econômicos atingidos pelo país nas últimas décadas também são colocados como uma “miragem”. Em meio a uma matéria repleta de acusações e teorias sobre a corrupção no Brasil, a reportagem termina falando sobre as medidas tomadas pelo governo para eliminar a corrupção na Petrobras e a nova gestão do presidente da estatal, Aldemir Bendine.

No entanto, talvez mais importante que falar da corrupção na Petrobras, é lembrar que ela não se restringe apenas à Estatal e todos os casos acabam impactando a eficiência da economia, o chamado custo-Brasil, que estaria em R$ 120 bilhões. Somem a isto que os frequentes  escândalos complicam ainda mais a situação econômica brasileira, já que a falta de confiança aumenta o risco de investimentos internacionais.

Em 2011, a revista Veja trouxe como matéria de capa o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano – ou 2,3% do PIB na época. Um valor que já nos incluía na lista dos países mais corruptos do mundo. A reportagem incluía também a estimativa de que, em 10 anos, R$ 720 bilhões haviam sido desviados dos cofres públicos. Além disso, revelou-se, ainda, que a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15.000 contratos da União com estados, municípios e ONGs, tendo encontrado irregularidades em 80% deles.

Fazendo um comparativo, para construir um hospital de porte, com equipamentos de ponta, atendendo a cerca de 600 pacientes por dia, são gastos R$ 62 milhões. Ou aproximadamente 8 vezes o que é indicado para investimento em educação para que o Brasil tenha boas escolas na educação básica.

Seria ingenuidade dizer que a corrupção é um fato recente na história do Brasil. Ao contrário, a corrupção é, sim, uma prática histórica e quando há um amplo combate à corrupção, existe um alto potencial de crise. Talvez, seja este o cenário que se modela para 2015, com leve recuperação em 2016 e entre 2017 e 2018 o país volte a crescer.

Infelizmente, os escândalos na política nacional continuam surgindo a uma velocidade preocupante. A cada nova situação, outras se revelam. E o mais preocupante de tudo é que a população brasileira não aprenda a lição mais importante: a justiça deve punir os corruptos, mas o desconhecimento e a ignorância podem fazer com que a transformação que o Brasil está vivendo seja insignificante.     


O Brasil em conta gotas

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 11/05/2015 - 17:55

O Brasil é - ou era - conhecido no mundo como o país das águas. Isso porque somos detentores de cerca de 13% de toda água doce disponível no planeta. No entanto, também somos os maiores consumidores de água do mundo. Essa afirmação é resultado de uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal, divulgada recentemente.

Hoje, é realidade no Brasil uma crise hídrica que afeta não apenas a região Nordeste do país – já habituada a longos períodos de estiagem. Muito tem se falado sobre os baixos níveis dos reservatórios em São Paulo, região sudeste. A cidade já está no uso do volume morto do Sistema Cantareira e com outros reservatórios, como o Alto Tietê e o Guarapiranga, entrando em colapso.

E a situação se agrava ainda mais quando avaliamos que, com a falta de chuvas no Sudeste, a principal nascente do rio São Francisco praticamente secou, causando sérias consequências na região Nordeste. Locais onde a água era abundante foram substituídos por bancos de areia e entre os estados de Sergipe e Alagoas, onde a profundidade do rio atingia até dez metros, hoje não passa de dois, dificultando a navegação.

Basicamente, a atual crise hídrica pode ser explicada por três fatores: a situação climatológica absolutamente fora dos padrões habituais, um modelo de consumo de água incompatível com a oferta e obras de infraestrutura hídrica que não foram implementadas tempestivamente.

Infelizmente, apenas a chuva não será capaz de resolver o problema do sistema Cantareira, nem do Alto Tietê ou de Sobradinho, no Nordeste. A verdade é que nos últimos anos o consumo de água aumentou em quase todo o país, sendo a agricultura responsável por 70% do consumo e também quem mais desperdiça - para se ter uma ideia, só em 2013, o agronegócio gastou 200 trilhões de litros de água, o equivalente a 200 Sistemas Canteira cheios.

Para minimizar os dados da crise hídrica, é preciso pensar primeiro em redução de consumo ou em um consumo consciente. Não temos como produzir água para os reservatórios e é possível reduzir os altos índices de consumo através de um controle maior, evitando os excessivos vazamentos na distribuição. Tudo apoiado em tecnologia e investimentos.

Os especialistas atribuem a crise hídrica a uma falta de gestão por parte do governo regional, entretanto, assim como um acidente automotivo não acontece em função de um único problema, a crise da água vivida em São Paulo e no Brasil tem outros fatores que vão além da falta de prioridade por parte das autoridades governamentais ao tema da água.

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