Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


Ensino superior para todos

Janguiê Dinizpor qua, 03/02/2016 - 11:02

O ensino superior é o nível mais elevado dos sistemas educativos. Com o aumento da demanda e as poucas vagas oferecidas no ensino superior público, o sistema universitário privado cresceu rapidamente nas últimas décadas. O Censo da Educação Superior 2014, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2015, registrou mais de 7,8 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino superior, um aumento de 6,8% em relação a 2013.  

Desse total, aproximadamente 82,3% dos alunos estão vinculados a instituições de ensino superior privadas, o que significa dizer que três em cada quatro estudantes de graduação no Brasil estudam em instituições privadas. Outra curiosidade é que, em 2014, foram realizadas matrículas em 792 municípios de todas as unidades da federação, um número 180% maior que em 2003, quando apenas 282 municípios as registraram na graduação.

Grande parte do crescimento desses números foi graças às parcerias público privadas, com a implementação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e outros programas que, juntos, deram oportunidade para as classes C e D ingressarem no ensino superior. O número total de alunos com Fies, ainda em 2014, era de 1,9 milhão, o que representa aproximadamente 1/3 do total de matriculados em cursos de graduação presencial de instituições particulares. É provável que esses números caiam no próximo censo, visto que, em janeiro de 2015, o governo anunciou novas regras que limitaram o acesso ao financiamento.

Em 35 anos, aumentamos em cerca de 7 vezes o número de pessoas com grau de instrução superior. Na década de 80, apenas 1 milhão de pessoas frequentavam instituições de ensino superior. Vale ressaltar que todo esse processo fez parte do programa de aceleração de expansão do ensino superior no Brasil, com forte inclusão e preocupação com melhoria de qualidade nos cursos superiores. Um importante passo no resgate da dignidade de milhões de brasileiros que não tinham perspectiva de melhorar sua situação econômica e, graças à formação superior, tiveram esta oportunidade.

Ainda estamos distantes de atingir as metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que em 10 anos teremos que ter 32% de taxa líquida e 50% de taxa bruta de alunos no ensino superior. Em 2014, foram oferecidas mais de 8 milhões de vagas pelas IES brasileiras, sendo 78,5% de vagas novas e 90,2% em instituições privadas. Vale atentar que somos um país de 200 milhões de habitantes, e, levando em conta o número total de jovens em idade universitária (18 a 24 anos), somente 15% deles frequenta o Ensino superior. É um dos menores índices entre países com o porte econômico semelhante ao nosso e muito aquém dos principais parceiros ou competidores no cenário internacional.

É pensando nesses resultados que verificamos a importância do Fies, do Prouni e das instituições privadas para ajudar a atender a demanda de jovens e adultos em busca de qualificação. Apenas com o aumento do índice de formandos no nível superior é que poderemos construir de um novo cenário no Brasil, com mais diversidade e a participação de todas as classes sociais. É preciso garantir que todos os brasileiros tenham oportunidades iguais para ajudar a construir um país cada vez melhor.


O caos provocado pelo mosquito

Janguiê Dinizpor qua, 20/01/2016 - 12:58

Mais de um 1,6 milhão de casos suspeitos de dengue foram notificados no ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde. Um crescimento de 178% em comparação a 2014. Do total de casos de 2015, mais de 840 pessoas morreram – 80% mais óbitos que no ano anterior. Vivemos a maior epidemia de dengue desde os anos 1990.

Entretanto, não só de dengue vive o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. Ele é, também, responsável pela transmissão da febre Chikungunya e o vírus Zika, que ao infectar gestantes pode causar aos bebês a má formação conhecida como microcefalia.

Os dados são alarmantes e, mais do que a dengue e a Chikungunya, a maior preocupação tem sido com o alto índice de crianças nascidas com microcefalia, principalmente em Pernambuco. O Zika vírus infectou ao menos meio milhão de brasileiros neste ano, de acordo com a estimativa mínima do Ministério da Saúde. Considerando expectativas de casos não informados, o número sobe para 1,4 milhão de pessoas contaminadas, segundo o Protocolo de Vigilância e Resposta à Microcefalia e ao Zika.

Infelizmente, em meio à crise política e econômica, os problemas na saúde pública se agravam com a epidemia dos vírus, lotando ainda mais os hospitais e levando a espera por atendimento a se arrastar por muitas horas. E no meio do caos, talvez a assertiva mais correta seja dizer que a população é vítima do seu próprio descaso.

Hoje, o exército está nas ruas para ajudar a combater o mosquito. 80% dos focos de reprodução estão nas casas, que, infelizmente, não conseguem ser vistoriadas pelos agentes de saúde ou pelos soldados porque os donos não liberam a entrada ou porque os imóveis estão fechados.

No final de 2015, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro da vacina contra a dengue. A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue, no entanto, não protege contra Chikungunya e Zika. Claro que algumas perguntas surgem diante da notícia: por que demorou-se tantos anos para buscar uma vacina para a dengue? A medicação será disponibilizada pelo SUS? E partir de quando será possível encontrá-la no mercado?

Ainda sobre a eficácia da vacina, um estudo que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe demonstrou que a vacina foi capaz de reduzir em 60,8% o número de casos de dengue.  Em outro estudo, feito com mais de 10 mil voluntários da Ásia, a vacina conseguiu reduzir em 56% o número de casos da doença. Ou seja, não é uma solução definitiva.

O fato é que a epidemia de Dengue, Chikungunya e Zika só irá diminuir caso a população mude de atitude, que envolve uma meta fácil: não permitir que haja água parada em pneus velhos, vasos de plantas, ralos e caixa d’água destampada. É em meio ao caos que a população tem que mostrar sua força. É preciso denunciar criadouros, entrar em imóveis fechados ou abandonados e acabar, de uma vez, com o que causa as três doenças: o mosquito.


O que esperar para 2016?

Janguiê Dinizpor sex, 15/01/2016 - 09:55

O novo ano chegou e com ele muitas expectativas. Fechamos 2015 com o Brasil em uma crise econômica e política, com alto índice de inflação, elevadas taxas de desemprego, aumento da dívida externa e tantas outras coisas que nos deixaram decepcionados e temorosos pelo ano que se inicia. O que esperar, então, para 2016?

Em 2014, o PIB do Brasil ficou estagnado em 0,1%. Isso significa que foi um ano sem expansão econômica. Iniciamos 2015 com perspectivas muito negativas para a economia brasileira e elas se confirmaram ao longo do ano. Com resultados ainda não divulgados, economistas calculam que 2015 deve registrar uma queda do PIB de algo em torno de 3,5%. A inflação deve passar dos 10% e o desemprego continuará sua trajetória de alta, mesmo com as contratações temporárias comuns no fim do ano.

Infelizmente, o governo começa o ano incapaz de gerar confiança entre os investidores. Mais do que isso, as divergências políticas estão atrasando as tentativas de recuperação econômica do país. A sensação que os brasileiros têm é de que há uma disputa pelo poder mais importante do que o pensamento coletivo de transformar o Brasil em um país melhor.

Em um cenário ideal, o governo poderia avançar na agenda de reformas estruturais, como a tributária e a da previdência, e em outras mudanças que ampliam a competitividade das empresas brasileiras. No entanto, isso depende do consenso com o Congresso.  Se a crise política for solucionada, o cenário se torna menos pessimista para a nossa economia, mas ainda assim 2016 será um ano muito difícil. 

Para equilibrar as finanças, o governo anunciou novos cortes no orçamento federal para 2016. No entanto, mais uma vez, essas medidas  dependem da aprovação no Congresso. Caso aceitas, as medidas irão gerar uma economia de R$ 26 bilhões para os cofres públicos no próximo ano. Tudo isso na tentativa de viabilizar uma  economia de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e assim poder pagar parte dos juros da dívida pública  deste ano.

E como “sobreviver” a mais um ano de crise? Essa pergunta tem várias respostas. Se pensarmos na econômica nacional, é interessante avançar na busca de parcerias comerciais com outros países e blocos de modo a ampliar as vendas externas e dar mais dinamismo a economia do país.

Pensando como um trabalhador brasileiro, é a hora de conter gastos, de economizar e planejar. Desde o início de 2015 mais de 800 mil pessoas perderam suas ocupações no Brasil. A taxa de desemprego, que em dezembro de 2014 chegou a 4,3%, no final de 2015 atingiu 8% e muitos economistas não descartam um índice acima de 10% para 2016.

Mais do que pensar que 2016 será um ano difícil, podemos reverter isso e dizer que este novo ano será de muito aprendizado e desafios. Não podemos deixar de lembrar que esse ano teremos Olímpiadas e, mais uma vez, assim como em 2014, os olhos do mundo estão voltados para nós.

Entretanto, seria muita ingenuidade resumir 2016 a isso. Este ano, teremos eleições municipais e vale lembrar que cada cidadão precisa acompanhar os debates públicos e eleitorais para ter um voto consciente.

Em um país sofrido e calejado, como o nosso, o ano novo é extremamente importante para que se discutam reformas, novos modelos de negócios e novas formas de trabalhar, sempre com inteligência, civilidade e informação. Mesmo marcado pelo desrespeito às leis, impunidade e dúvidas acerca da solidez das instituições, 2016 oferecerá uma batalha dificílima e não há chance de “sobrevivermos” a ele sem mudanças.


O futuro da educação no Brasil

Janguiê Dinizpor ter, 29/12/2015 - 16:19

Chegamos ao final de 2015 rodeados e preocupados com uma forte crise econômica vivida pelo país. Um cenário de incertezas ronda a cabeça de todos os brasileiros e dezenas de perguntas permanecem sem respostas. Entre as dúvidas está o desenvolvimento da educação nacional.

No Brasil, todos os governos colocam que a educação é uma meta prioritária. Ela foi e ainda é utilizada na plataforma eleitoral de todos os partidos. No entanto, a maior parte das promessas feitas durante a corrida eleitoral não são cumpridas pelos que assumem o poder.

O desleixo com a educação no Brasil não é tema de debate recente. Em 1932, foi lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, um documento que continha um diagnóstico conciso e propunha ações necessárias para uma mudança drástica no setor de educação. Em 1959, uma nova versão do mesmo Manifesto foi feita.

O primeiro Plano Nacional de Educação (PNE) foi pensado em 1962. Apenas 26 anos depois, em 1988, ele foi aprovado pelo Congresso e só em 2001 foi implantado. O PNE continha um conjunto de metas e estratégias para um período de 10 anos. O segundo PNE foi aprovado recentemente pelo Congresso.

O que todos esses projetos têm em comum? A resposta é simples: eles não têm sido executados em  sua totalidade. O futuro da educação nacional é incerto, mas é possível traçar possíveis caminhos na busca pela excelência e democratização do modelo educacional brasileiro. Para não perdermos em competitividade é preciso formar mão de obra qualificada e para atender as demandas da crescente classe média, que busca oportunidades de um futuro melhor, é preciso garantir a todos o acesso ao conhecimento.

De acordo com a pesquisa realizada em 2013 pela consultoria McKinsey & Company, 48% dos empregadores brasileiros consideram a escassez de competências como a principal razão para vagas no nível iniciante não preenchidas. Para melhorar a educação é preciso pensarmos de forma ampla e também podemos nos avaliar fórmulas que dão certo em outros países.

No Brasil, o ensino público é sinônimo de gratuidade e, não tanto quanto antes, mas essas instituições são reconhecidas, também, pela sua qualidade de ensino e pelo foco na formação acadêmica. Nos Estados Unidos, entretanto, até as universidades públicas são pagas. Lá, há uma diversidade de instituições voltadas à capacitação profissional de jovens que optam por seguir um caminho menos tradicional e acadêmico e mais voltado para o mercado de trabalho, as community colleges.

Na Europa, em 1999, 29 países aderiram à Declaração de Bolonha, visando estabelecer um padrão para o Ensino Superior na Europa. Na prática, a Declaração estabeleceu que por lá, o ensino superior estaria dividido em três ciclos: o primeiro com duração mínima de três anos irá garantir o grau de licença ou graduado; o segundo corresponde ao grau de mestre e deve durar entre um ano e meio e dois anos; e o terceiro ciclo, que equivale ao grau de doutor. Esse sistema é válido para todos os Estados que aderiram  à Declaração, promovendo um ciclo comum entre as instituições e proporcionando a mobilidade dos estudantes e pesquisadores.

Claro que elevar o padrão de qualidade da nossa educação não é só um requisito para a modernização do país e a melhoria das condições de vida dos brasileiros. É um requisito também para a inclusão demandada por uma sociedade desigual. O ensino de qualidade, especialmente no nível fundamental, que é o nível que mais afeta a cidadania, deve ser visto como um compromisso e todos.

Os conteúdos desnecessários em todos os níveis de ensino devem ser substituídos por exercícios que estimulem o pensar, a argumentação, a criatividade, e a prática aplicada na resolução dos problemas. Não há outro caminho para o Brasil melhorar, para as ruas serem atendidas, para diminuir o grau de corrupção, para que se elejam políticos e governantes dignos, probos, para melhorar a qualidade do serviço público, da pesquisa, da tecnologia, de tudo no País, se não investir na educação de forma intensiva.


Esporte e a integração social

Janguiê Dinizpor sex, 18/12/2015 - 09:27

O esporte é, talvez, a melhor forma de inclusão social que existe. Essa afirmação pode ser considerada verdadeira se levarmos em consideração a sociedade em que vivemos, onde o grande ídolo, para parte da população, não é mais um escritor, um professor ou um cientista. Mas, sim, um jogador de futebol, o vencedor do Big Brother ou uma modelo de passarela.

Falar sobre educação e esporte nos possibilitam dissertar inúmeras teorias, isso porque ambos são temas amplos, que compreendem diferentes campos do conhecimento e que podem se completar em determinados aspectos. A prática do Esporte é de extrema importância para a inclusão social, mas como alguém pode ser incluído socialmente praticando esporte sem uma educação de qualidade?

A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 217, inovou ao elencar a prática desportiva como direito de cada indivíduo, sendo um dever do Estado o seu estímulo. Já a declaração do Direito à Educação aparece no artigo 6º: “São direitos sociais a educação, [...] na forma desta Constituição”, onde pela primeira vez em nossa história Constitucional explicita-se a declaração dos Direitos Sociais, destacando-se, com primazia, a educação.

O mundo globalizado tem levado as pessoas a uma competição cada vez mais acirrada, seja para atingir o sucesso ou para ter melhores condições e possibilidades de vida. Em contra partida, ainda é alto o índice de crianças e adolescentes que vivem em situação de risco e apresentam problemas de aprendizado e relacionamento nas escolas que frequentam. Como consequência, ainda apresentamos altos números de repetência, evasão e os processos disciplinares a essas crianças.

Infelizmente, não é incomum que jovens e adolescentes nessas situações acabem se relacionando com traficantes e viciados em drogas, passando, inclusive, a consumi-las. E é neste momento que o esporte tem sido um grande aliado da educação, principalmente em comunidades carentes. Projetos esportivos têm evitado que jovens fiquem com tempo ocioso e corram o risco de serem aliciados por criminosos, proporcionando a eles um futuro diferente do que tantos outros tiveram.

A importância da prática esportiva tem benefícios comprovados pela ONU (Organização das Nações Unidas). A instituição observou que além do princípio do desenvolvimento físico e da saúde, o esporte contribui também para a aquisição de valores necessários para coesão social e mundial. A prática regular do esporte, além de uma vida mais saudável, proporciona ao praticante, uma forte inclusão social, que inclui a criação e manutenção de ciclos de amizades e diversão.

É preciso entender o esporte, acima de tudo, como um instrumento pedagógico capaz de agregar valor à educação, ao desenvolvimento das individualidades, a formação pessoal para a cidadania e a orientação para a prática social. Já a educação propriamente dita, através da escrita, da leitura, da sala de aula, tem a capacidade de formar o indivíduo para participar da vida política, econômica e social das cidades, estados e do país. Precisamos entender que o papel decisivo do esporte, junto à educação, é a busca por princípios e valores sociais, morais e éticos.

Ao aliarmos esporte e educação de qualidade é possível que nossas crianças e jovens se sintam participantes da sociedade. O setor de educação particular incentiva os esportes nas instituições através da distribuição de bolsas estudantis e isso se reflete no alto nível dos atletas que participam dos Jogos Universitários, por exemplo. Cabe, também, ao poder público investir mais nesta área, melhorando a relação existente entre esporte e educação como elementos básicos para a melhoria da qualidade de vida da sociedade como um todo.

Educação e esporte precisam andar juntas, no entanto apenas e somente a educação básica de qualidade é capaz de garantir uma inclusão social completa e permanente. O acesso ao mercado de trabalho e as vagas de emprego bem remuneradas estão disponíveis para aqueles que buscam e possuem qualificação de mão de obra. Este é o grande desafio.


A guerra dos refugiados

Janguiê Dinizpor seg, 07/12/2015 - 11:54

De acordo com a Convenção de Refugiados de 1951, um refugiado é alguém que “temendo ser perseguido por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país”. Atualmente, mais de 54 milhões de pessoas estão nessa condição. 

Há um detalhe importante para entender: não podemos confundir refugiados com imigrantes. Os imigrantes são aqueles que entram num país estrangeiro por escolha, com o objetivo de morar ou trabalhar. Hoje, o país com maior número de refugiados é a Síria, em decorrência da Guerra Civil vivida pelo país desde 2011.

Atualmente, existem no Brasil aproximadamente 8400 refugiados. Apesar de parecer muita gente, esse ainda é um número pequeno se comparado a outros países. A maioria dos refugiados que, hoje, vivem no Brasil vêm da Síria, da Colômbia, de Angola, do Haiti e da República Democrática do Congo. Muito pouco quando comparado aos dados da Turquia, que recebeu 1.9 milhão de sírios nos últimos quatro anos. Já no Líbano foram 1,1 milhão, e na Jordânia, 629,6 mil.

A cada dia, o número de refugiados cresce. Mas, será que há uma solução para a crise dos refugiados? A Turquia, Jordânia, Líbano estão sobrecarregadas com o recebimento das populações que emanam do Iraque, Síria e  Líbia.

Talvez se fosse aumentada a porcentagem de aceitação dos refugiados em países como Austrália, Nova Zelândia e  Estados Unidos o problema seria minimizado. No entanto, acolher os refugiados é uma medida paliativa. O problema é que esse acolhimento tem sido enorme, em números, mas extremamente perigoso para os países porque o custo social de acolher os refugiados está maior que o custo econômico.

A incerteza marca a vida dos refugiados. Desde a decisão de ficar em seus países de origem, sem perspectiva de vida e de segurança, até a decisão de sair de suas terras. Eles não sabem se vão ser acolhidos nos países de destino e nem sequer se vão chegar, assim como acontece com milhares de refugiados que morrem ao tentar, diariamente, atravessar o mar Mediterrâneo. Aqueles que conseguem realizar a travessia, não sabem se vão poder permanecer em outros países e nem por quanto tempo. 

Para minimizar o sofrimento dos refugiados, a ONU criou uma agência para apoiar as milhares de pessoas que se encontram nesta categoria: a ACNUR, com a missão de assegurar os direitos e o bem estar dos mesmos, garantindo que qualquer pessoa possa exercer o direito de buscar e gozar de refúgio seguro em outro país. 

É preciso um esforço multilateral para  resolver este grave problema. Por um lado, mister se faz uma participação mais ativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas na resolução dos conflitos naqueles países em guerra civil, com o objetivo de sanar a raiz do que causa a imigração de refugiados. Mas por outro lado,  é  preciso respeito   pela dignidade humana.


A morte do Rio Doce

Janguiê Dinizpor seg, 30/11/2015 - 09:44

Um clima de indignação e comoção. Assim foi o dia 05 de novembro e os dias subsequentes ao rompimento de duas barragens de uma mineradora que liberou uma enxurrada de lama contaminada e causou grande destruição no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais. Este era apenas o começo do que pode ser considerada uma das maiores catástrofes ambientais já vistas no Brasil.

Quase um mês após a tragédia, os 62 milhões de metros cúbicos da lama percorreram mais de 650km e chegaram ao mar. Os resíduos de mineração atingiram três áreas de conservação marinha e deixaram uma mancha, que de acordo com o Ibama é composta principalmente por óxido de ferro e areia, no litoral do Espírito Santo.

Os danos ao ecossistema causados pelo rompimento das barragens foram drásticos e irreversíveis. A restauração total de fauna e flora são tidas como impossíveis, segundo ambientalistas; A lama "cimentou" o bioma e pode até ter causado a extinção de animais e plantas que só existiam ali; O Rio Doce, o mais importante de Minas Gerais, possivelmente está morto - a água, que virou lama em todo o curso do rio, não tem mais utilidade nenhuma, sendo imprópria para irrigação, consumo animal e humano.

Para o rio voltar à vida, é essencial restabelecer a oxigenação da água. O solo de Bento Rodrigues também está inutilizável. Ainda é tecnicamente impossível dizer quanto tempo e dinheiro custará a tentativa de recuperá-los. A grande pergunta que fica é: uma tragédia como esta pode ser evitada? E quem são os culpados do ocorrido em Mariana?

O desastre é resultado de uma combinação de negligência e descaso. Há no país 401 barragens de rejeito enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens, 317 delas estão localizadas em Minas Gerais. A verdade é que barragens precisam ser monitoradas integralmente. Não há como acontecer um rompimento repentinamente. Uma estrutura gigantesca como a de barragens dá avisos, sinais de problemas. A questão é se havia monitoramento para captar esses sinais.

Pelo grande número de mineradoras em Minas Gerais, rompimentos de barragens de rejeitos acontecem ao menos uma vez por ano no estado, causando danos localizados. A lei de segurança para as barragens determina que a empresa tenha um plano de ação emergencial para lidar com desastres. Parte desse planejamento consiste numa “estratégia e meio de divulgação e alerta para as comunidades afetadas”.

Especialistas afirmam que a legislação brasileira está dentro dos padrões internacionais, mas é muito recente e não foi regulamentada. A lei não exige, por exemplo, o uso de mecanismos modernos de aviso, como sirenes e envio de mensagens pelo telefone celular para avisar em casos de acidente, comuns em países como o Canadá.

Infelizmente, no caso das duas barragens, de grande porte, não havia sequer um alarme sonoro para alertar os cidadãos. Da mesma forma, falta fiscalização para o cumprimento das normas básicas de segurança para esse tipo de construção – apenas Quatro órgãos, subordinados a ministérios diferentes, fiscalizam todo tipo de barragem no Brasil.  O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), por exemplo, tem apenas 220 fiscais para cuidar de 27.293 empreendimentos.

O Ministério Público de Minas Gerais afirma que a empresa proprietária das barragens, tem culpa. Entretanto, apenas uma investigação poderá dar uma resposta definitiva. Enquanto isso, pelo menos meio milhão de pessoas devem ser afetadas pela tragédia.


Igualdade entre os sexos

Janguiê Dinizpor qui, 12/11/2015 - 14:59

“Eliminar a disparidade entre os sexos no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, a mais tardar até 2015”. Este é o terceiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), proposto pelo Programa das Nações Unidas, em 2000.

No Brasil, de acordo com o IBGE, as mulheres já são maioria da população, chegando a quase 52% do número total. Elas também passaram a viver mais, têm tido menos filhos, ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho e, atualmente, são responsáveis pelo sustento de mais de 37% das famílias.

As mulheres também obtêm destaque na escolaridade e o número de analfabetas teve redução. Ainda segundo o IBGE, adolescentes homens e mulheres com 15 anos ou mais de idade apresentavam taxas de analfabetismo próximas, mas a maior porcentagem era dos homens, com 9,8%, frente aos 9,1% entre as mulheres. Mas não podemos nos enganar. Se no Brasil, as mulheres estão ligeiramente à frente dos homens nesse sentido, isso não quer dizer que esse objetivo possa ser ignorado.

A desigualdade de gênero ainda existe e começa cedo, deixando as mulheres em desvantagem para o resto da vida. O incentivo para a participação feminina no mercado de trabalho e a representação política das mulheres também se tornaram metas que fazem parte dos ODM. No segundo caso, vale ressaltar que a média global de mulheres no parlamento ainda é de apenas 20%.

O Brasil está na 71ª posição no ranking de igualdade de gênero, divulgado pelo Fórum Mundial Econômico, atrás, inclusive, de outros países da América do Sul como a Argentina, que ocupa a 31ª posição. Estatísticas mostram que a desigualdade de gênero – da qual a diferença salarial também faz parte – tem diminuído na última década. Entretanto, em 2014, o índice ainda era de 60% quando se trata de participação econômica e oportunidades para mulheres. Isso significa que a diminuição tem sido lenta e irregular.

Segundo a previsão do Fórum, se continuarmos no ritmo atual, será preciso esperar até 2095 para que haja de fato uma igualdade de gêneros. No Reino Unido – que está na 26ª posição no ranking geral sobre desigualdade de gênero e na 48ª posição no ranking que mede a igualdade de salários entre homens e mulheres para o mesmo emprego – a mudança em uma geração poderia ser possível.

Curioso identificar que os países que garantem uma maior igualdade entre os sexos são Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca. Todos países nórdicos com altos níveis no setor de educação.

Só acabaremos com a desigualdade de gêneros quando o pensamento discriminatório de que o lugar dos homens é fora de casa, trabalhando pelo sustento da família e tomando grandes decisões, e que as mulheres devem ficar em casa, cuidando dos filhos e realizando trabalhos domésticos, acabar. Na sociedade atual, homens e mulheres são passíveis dos mesmos direitos, deveres e responsabilidades.


Um novo modelo de educação

Janguiê Dinizpor qua, 04/11/2015 - 09:49

Durante anos, a educação foi baseada apenas na transmissão de conteúdo do professor ao aluno. Restrita apenas ao conhecimento que o mestre detinha. Entretanto, a evolução de tecnologias, as necessidades humanistas e o incentivo para que mais estudantes buscassem conhecimento fizeram com que o modelo adotado para educação ficasse obsoleto.

O mundo mudou muito, mas a educação, as instituições e profissionais ainda não estão acompanhando tais mudanças. A sala de aula tradicional, apenas com quadro negro, professor e alunos tornou-se insuportável para os jovens, sedentos de conhecimentos. A sala de aula se ampliou e aquele modelo convencional, centralizado no professor e com pouca tecnologia já não surte mais efeito.

É preciso inovar, mesclar a sala de aula com outros espaços físicos, inclusive virtuais, tornando possível que qualquer local seja um lugar capaz de ensinar e de aprender, a qualquer momento e em qualquer situação. Esse é o diferencial de novos modelos de educação, que desenvolvem o ambiente pessoal de aprendizagem de alunos e professores, promovendo o enriquecimento mútuo.

O desafio educacional na era moderna se tornou outro: formar indivíduos que aceitem desafios e sejam, cada vez mais criativos. Sem dúvidas, esta não é uma tarefa fácil e pode ser pautada em quatro princípios fundamentais: é mais importante aprender do que ensinar; o conhecimento é inter e multidisciplinar; é preciso estimular uma comunidade acadêmica de diversas formas e o incentivo às publicações científicas tem o intuito de alavancar o conhecimento e não apenas ficar restrito ao currículo dos professores.

O ambiente físico das salas de aula e da escola como um todo também precisa ser redesenhado dentro desta nova concepção mais ativa. As salas de aula podem ser mais multifuncionais, que combinem facilmente atividades de grupo e individuais. Os ambientes precisam estar conectados.Capacitar coordenadores, professores e alunos para trabalhar mais com metodologias ativas, com currículos mais flexíveis, com inversão de processos também são ações que precisam ser adotadas.

Quando falamos e pensamos em educação, não podemos ser xiitas e defender um único modelo, proposta e caminho. O mundo muda. Trabalhar com modelos flexíveis que propõem a solução de problemas e desafios, com projetos reais, com jogos e com informação contextualizada, equilibrando o papel de professores e alunos, é o caminho mais coerente e que pode ser planejado e desenvolvido de várias formas e em contextos diferentes.

Instituições que conseguem unir essas caraterísticas, oferecendo opções de campus global, com currículos elaborados para ensinar competências em diversas áreas, fazem com que seus estudantes atinjam um nível de excelência, sendo capazes de superar os desafios e promover a integração social, o desenvolvimento regional e a excelência acadêmica. 


Um novo modelo de educação

por ter, 03/11/2015 - 18:59

Durante anos, a educação foi baseada apenas na transmissão de conteúdo do professor ao aluno. Restrita apenas ao conhecimento que o mestre detinha. Entretanto, a evolução de tecnologias, as necessidades humanistas e o incentivo para que mais estudantes buscassem conhecimento fizeram com que o modelo adotado para educação ficasse obsoleto.

O mundo mudou muito, mas a educação, as instituições e profissionais ainda não estão acompanhando tais mudanças. A sala de aula tradicional, apenas com quadro negro, professor e alunos tornou-se insuportável para os jovens, sedentos de conhecimentos. A sala de aula se ampliou e aquele modelo convencional, centralizado no professor e com pouca tecnologia já não surte mais efeito.

É preciso inovar, mesclar a sala de aula com outros espaços físicos, inclusive virtuais, tornando possível que qualquer local seja um lugar capaz de ensinar e de aprender, a qualquer momento e em qualquer situação. Esse é o diferencial de novos modelos de educação, que desenvolvem o ambiente pessoal de aprendizagem de alunos e professores, promovendo o enriquecimento mútuo.

O desafio educacional na era moderna se tornou outro: formar indivíduos que aceitem desafios e sejam, cada vez mais criativos. Sem dúvidas, esta não é uma tarefa fácil e pode ser pautada em quatro princípios fundamentais: é mais importante aprender do que ensinar; o conhecimento é inter e multidisciplinar; é preciso estimular uma comunidade acadêmica de diversas formas e o incentivo às publicações científicas tem o intuito de alavancar o conhecimento e não apenas ficar restrito ao currículo dos professores.

O ambiente físico das salas de aula e da escola como um todo também precisa ser redesenhado dentro desta nova concepção mais ativa. As salas de aula podem ser mais multifuncionais, que combinem facilmente atividades de grupo e individuais. Os ambientes precisam estar conectados.Capacitar coordenadores, professores e alunos para trabalhar mais com metodologias ativas, com currículos mais flexíveis, com inversão de processos também são ações que precisam ser adotadas.

Quando falamos e pensamos em educação, não podemos ser xiitas e defender um único modelo, proposta e caminho. O mundo muda. Trabalhar com modelos flexíveis que propõem a solução de problemas e desafios, com projetos reais, com jogos e com informação contextualizada, equilibrando o papel de professores e alunos, é o caminho mais coerente e que pode ser planejado e desenvolvido de várias formas e em contextos diferentes.

Instituições que conseguem unir essas caraterísticas, oferecendo opções de campus global, com currículos elaborados para ensinar competências em diversas áreas, fazem com que seus estudantes atinjam um nível de excelência, sendo capazes de superar os desafios e promover a integração social, o desenvolvimento regional e a excelência acadêmica. 

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