Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


Eu não consigo respirar

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 17/12/2014 - 09:36

Um grito de indignação percorreu os Estados Unidos nas últimas semanas: “Não consigo respirar”. Esta foi a última frase de Eric Garner, de 43 anos, negro e asmático, que morreu em Nova York no dia 17 de julho por asfixia, depois do policial à paisana Daniel Pantaleo te-lo estrangulado.

As mobilizações começaram em 24 de novembro, quando a Justiça americana decidiu não indiciar o policial Darren Wilson por atirar contra Michael Brown, um jovem negro que estava desarmado na cidade de Ferguson, Missouri. Para muitos norte-americanos, a justiça está dando privilégios aos  polícias, por serem brancos, discriminando, os  negros, sejam civis ou policiais.

Há muitas versões sobre o que, de fato, teria ocorrido durante a abordagem policial, mas alguns consensos, reconhecidos inclusive pela polícia, são fundamentais para se compreender o caso: Michael Brown estava desarmado.

Independente do país, a morte de um jovem desarmado causada por um policial é sempre chocante. E quando a vítima é negra, não há como evitar o início de uma discussão sobre racismo. Um tema polêmico. Nos Estados Unidos, infelizmente, ainda são muitos os comentários sobre a discriminação racial no país, mesmo tendo um presidente negro.

Um estudo de 2011 da Universidade de Brown, em Rhode Island, avaliou a composição média dos bairros americanos e constatou que o "branco típico" do país vive em um bairro onde 75% da população é branca e 8% é negra. Já o típico negro vive em um bairro onde 45% pertencem à sua raça e os outros 35% são brancos. O resultado do estudo, chamado “a persistência da segregação na metrópole”, é que negros e brancos têm poucos vizinhos de outra raça em seus próprios bairros. Outro ponto a ser analisado é que, em média, 75% dos policiais americanos são brancos.

Não estamos aqui para defender ou acusar policiais ou civis, sejam eles negros ou brancos, principalmente porque isso exigiria um estudo sobre os índices da criminalidade americana. Preferimos questionar a desigualdade racial que ainda é realidade não apenas nos Estados Unidos, mas em inúmeros países pelo mundo. Obviamente, os analistas lembram que desigualdade social e econômica são fatores que levam à criminalidade e, portanto, confrontos policiais com negros não são, necessariamente, sempre causados por preconceito racial.

Em agosto de 1963, o pastor batista Martin Luther King fez um discurso em Washington, nos Estados Unidos, que entrou para a história: em frente a uma multidão de 250 mil pessoas, ele pediu o fim da desigualdade racial. Mais de cinco décadas depois, sem dúvidas, ainda temos muito trabalho pela frente para que o racismo seja realmente extinto e para que negros e brancos tenham as mesmas oportunidades.


Thomas Piketty e a educação

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qui, 11/12/2014 - 12:05

O livro O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, aborda a evolução do capitalismo. Nele, o autor apresenta os benefícios e custos trazidos por este sistema econômico que, até o instante, não faliu. E tende, assim acreditamos, a não falir. O socialismo entrou em decadência por suas contradições no âmbito do indivíduo. Estes não optaram por abrir mão da individualidade e, portanto, da livre iniciativa. Indivíduos podem relegar o capitalismo caso optem por tornar a liberdade individual como objetivo secundário. Porém, não visualizo esta possibilidade.

Apesar das crises, como bem afirma Thomas Piketty na obra, o capitalismo sobrevive. As contradições provenientes dele e apontadas por Piketty ainda não foram suficientes para implodi-lo. No referido livro, encontro a principal contradição do capitalismo: renda do capital versus renda da renda. A renda do capital advém da acumulação, já a renda da renda é proveniente do trabalho. Porém, a renda do capital foi, em algum dia, advinda da renda da renda.

Ao mostrar as diferenças entre capital e renda, Piketty conduz o leitor a refletir sobre o capitalismo. Após intensa reflexão, constatamos que o capitalismo é o sistema que oferta oportunidades para todos. Porém, os indivíduos precisam estar aptos para aproveitá-las. O estado é, portanto, o instrumento adequado para possibilitar a igualdade de oportunidade aos indivíduos através da educação.

Aliás, o autor aborda o papel da educação no sistema capitalista. É a educação que tem condições de amenizar as consequências negativas do capitalismo. Portanto, ela é instrumento que conduz a igualdade de oportunidades para os indivíduos.

Constatamos, por fim, após a leitura do brilhante trabalho de Thomas Piketty, os desafios do Brasil para os próximos anos. Nosso país precisa gerar intensamente igualdade de oportunidades para amenizar as consequências negativas do capitalismo. É preciso priorizar a educação, ou seja, a formação do capital humano, o qual, segundo Piketty, não deve ser confundido com o capital advindo da acumulação de renda. Inúmeras ações governamentais, como o Programa Universidade para Todos,  a ampliação do crédito educativo através do Fies e o Pronatec, possibilitaram e possibilitam a igualdade de oportunidade.

Se ações como estas perdurarem, independente dos presidentes eleitos, será possível o crescimento da economia brasileira, e, especificamente, a melhoria dos indicadores socioeconômicos. Por consequência, os efeitos negativos do capitalismo serão amenizados. 

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Perspectivas econômicas para 2015

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 05/12/2014 - 10:21

Faltando pouco para a chegada de 2015, os especialistas começam a fazer analises e projeções para o próximo ano. Um dos setores mais preocupados com essas perspectivas é a economia. A forte desaceleração da economia brasileira neste ano surpreendeu os economistas e é uma unanimidade entre eles que 2015 será um ano difícil.

Esse pessimismo é justificado pelas sucessivas quedas no crescimento econômico deste ano. No segundo trimestre de 2014, a economia brasileira encolheu 0,6%, entrando em recessão técnica pela primeira vez desde a crise econômica mundial de 2008.

Olhando para determinados setores, fica clara a preocupação dos economistas. A previsão de crescimento do comércio exterior, por exemplo, no início do ano de 2014 era de 4,7%. Durante o ano a projeção diminuiu para 3,1%. Já para 2015, a estimativa já foi calculada de 5,3% para 4%. 

Para entendermos: do total de bens exportados pelo Brasil, 35% restantes são de manufaturados, sendo que a metade vai para a América do Sul. A Argentina é a nossa maior compradora, ficando com 20% desse total. No entanto, a economia argentina já está em recessão, e terá que reduzir as importações e consequentemente, nossa economia será afetada.

É correto afirmar que o problema brasileiro decorre, também, da dificuldade em recuperar o nível de crescimento devido aos nossos problemas estruturais. É de conhecimento comum que não temos estrutura para escoar facilmente nossos produtos e o fato de o país ter passado a década de 1990 sem investir em infraestrutura provocou graves problemas, resultando em baixa competitividade.

Executando essas ações, é possível que a economia volte a crescer entre 3% e 4%. Sem isso, provavelmente não chegaremos a 2% de crescimento. O Brasil ainda é um país atrativo e seguro para se continuar investindo, mesmo que com cautela. Não podemos ter como exemplo, nesse campo, a China – que amplia seu mercado consumidor com a utilização de baixos preços.

Temos que investir em infraestrutura, nas reformas tributária e trabalhista, e também reduzir a excessiva burocracia. Este último item é essencial - de acordo com um relatório Doing Business 2014, publicado pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição de um ranking com 189 países, considerando a facilidade para fazer negócios em cada um deles. 

É preciso aproveitar 2015 para reorganizar o País e depois voltarmos a crescer economicamente. Entretanto, para isso, é preciso que todos façam os seus papéis, inclusive o Governo.


A democratização da educação

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qui, 27/11/2014 - 11:06

Quando o assunto é o acesso à escola, o Brasil vem comemorando os índices de atendimento atingidos nos últimos anos, que permitem dizer que o ensino fundamental já foi universalizado. De acordo com dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de atendimento escolar das crianças de 7 a 14 anos está acima de 90%. 

Entretanto, como está o acesso à educação pelas outras faixas etárias? Além disso, como avaliar o alto índice de evasão que o Brasil tem? Podemos afirmar que, apesar dos esforços para atender à demanda social por educação, infelizmente, a oferta ainda é restrita e nem sempre garante a aprendizagem. 

Engana-se quem pensa que a democratização da educação se limita ao acesso e à instituição educativa. O acesso é apenas a porta inicial para a democratização, mas é necessário também garantir que todos que ingressam tenham condições de permanecer nas escolas. Da mesma forma, não é a modalidade de ensino que garante a qualidade. Existem programas de ensino a distância excelentes e que podem vir a auxiliar nas metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). 

De fato, entre as ações propostas pelo PNE, a destinação de 10% do PIB do País para a educação tem sido a mais celebrada delas. Sem dúvidas, devemos comemorar esse incentivo, principalmente se ele vier para suprir disparidades como o baixo salário dos professores e a precariedade física de grande parte das escolas públicas do Brasil, principalmente as localizadas no interior dos Estados. 

Concordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa, iniciativa da Organização para Coordenação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, quando ele afirma que um maior gasto de dinheiro não conduz, obrigatoriamente, a melhoria da educação. Oferecer educação de excelência para todos os alunos e atingir um alto nível de exigência são pontos essenciais para alcançar e, depois, manter uma educação de qualidade. 

Esse deve ser um compromisso com toda a sociedade, mas também um compromisso da sociedade. Cabe a nós, que fazemos parte dela, observar e cobrar que a destinação correta dos recursos propostos como meta do PNE, relativa à gestão democrática da escola. Infelizmente, essa meta é de difícil acompanhamento e averiguação, pois não há um indicador específico que determine seu cumprimento.


O Brasil e a crise

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 19/11/2014 - 17:02

Em 2008, a crise econômica mundial deixou clara a fragilidade e necessidade da criação de novos modelos de desenvolvimento. Economistas e cientistas políticos trouxeram à tona discussão da dicotomia entre capitalismo e socialismo. Entretanto, o debate, apesar de ter encontrado adeptos no auge da crise, não prosperou. Concluímos, então, que existe um aparente consenso de que o capitalismo é o sistema econômico adequado para a sociedade.

Apesar do consenso, como manter a política capitalista diante de crises que causam instabilidades política, social e econômica? Os países europeus, principalmente a Espanha, Grécia e Portugal, orientados pela Alemanha, optaram por alcançar o superávit através da redução drástica dos gastos públicos. As consequências são contraditórias – os resultados oscilam entre momentos positivos e negativos. Esses países mantêm taxas de desemprego elevadas e baixo crescimento econômico.

Já os Estados Unidos optaram por realizar várias ações. Inicialmente, aumentaram os gastos públicos para salvar bancos privados e indústrias. Em consequência, tiveram uma crise fiscal. Com a política dividida, Republicanos e Democratas continuam diante do seguinte impasse: o estado deve continuar a gastar para proteger os que possuem menor renda? De fato, a crise econômica de 2008 produziu alto desemprego na América, no entanto, lentamente, a economia se recupera.

O Brasil também foi afetado. Para manter o crescimento da economia, à época, o presidente Lula incentivou o consumo e o crédito. Em 2011, já com Dilma na presidência, o Brasil parou de crescer de modo semelhante à era Lula. As consequências da crise econômica de 2008 foram usadas como justificativa para o baixo crescimento. Porém, chegou o momento de discutir o novo governo Dilma.

O que a presidente irá fazer para o Brasil voltar a crescer economicamente? Políticas anticíclicas, ou seja, intervenção forte do Estado na economia e mais gastos públicos são necessários para a superação de crises?  Essas estratégias já foram utilizadas na era Dilma. Porém, é preciso, em um novo governo, desconsiderar um pouco a crise e analisar novos fatos.

Como reduzir os gastos públicos sem diminuir os gastos sociais? Qual política industrial deve ser criada, sem recorrer a um  forte protecionismo? A redução de impostos deve continuar para determinados setores da indústria? Qual deve ser o tamanho do superávit? O que fazer para aumentar o investimento público em infraestrutura?

Temos a expectativa de que o novo ministro da Economia apresente respostas para as questões apresentadas. A economia e o mercado brasileiro não esperam que a crise econômica de 2008 continue a ser argumento para justificar o pífio crescimento econômico do Brasil. É necessário coragem e capacidade inovadora para a construção de uma nova política econômica.


Orgulho Nordestino

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qui, 13/11/2014 - 13:43

Mais uma vez os nordestinos foram hostilizados por outras regiões do País. E, novamente, a expressão “orgulho de ser nordestino” surgiu como reação a mensagens discriminatórias e xenófobas postadas na internet por ensejo da eleição de Dilma, para presidente do Brasil. Mesmo fato já acontecido em 2010.

Disse o memorável Ariano Suassuna: “… é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Se a discussão for de cunho político, vale lembrar que o país não está dividido e não foi apenas no Nordeste que Dilma teve vitórias importantes, já que o Sudeste também apresentou resultados expressivos na contagem dos votos: com 54,9% no Rio de Janeiro (RJ) e 52,4% em Minas Gerais (MG). Na realidade, 54,82% dos votos em Dilma vieram das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

Eu não tenho vergonha e muito menos omito dizer que nasci em Santana dos Garrotes, no estado da Paraíba. Fui adotado pelo Recife, isso também me deixa muito orgulhoso. O povo brasileiro é um povo heterogêneo e multicultural, pois se não for, como explicar uma terra onde nasceram Abelardo da Hora, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Sivuca, José de Alencar, Patativa do Assaré, Dom Helder Câmara e tantos outros?

Esse tipo de discurso preconceituoso ao nordestino é lastimável, pois, foi com a força dos nordestinos que o Brasil foi desbravado e construído. Quem escreve e fala assim, demonstra desconhecimento profundo sobre a realidade do nordeste brasileiro. O Nordeste não é mais uma região marcada pela fome, desemprego e pela falta de oportunidade.

Ao contrário. Somos a região onde a economia cresce mais que a taxa registrada no País. A região que mais de dezesseis mil estudantes dessas universidades foram estudar no exterior com o Ciência sem Fronteiras e onde, dos vinte milhões de empregos criados no país, quase 20% foram no Nordeste. Mais de 140 escolas técnicas foram implantadas na região, representando 33% do total no país.

Sinto enorme orgulho de ser nordestino. Esse orgulho de ser nordestino não pode ser entendido como contrário ao orgulho de ser brasileiro, pois sinto imenso orgulho em ser brasileiro. Não importa em quem cada região votou ou quem venceu as eleições. O que importa é deve existir a união para construir um país melhor para todos. Um país mais justo, menos corrupto, mais solidário e com mais oportunidades.


Estudar após os 60 anos

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 10/11/2014 - 11:11

Para alguns, se tornou lugar comum falarmos da importância da educação na vida das pessoas. Muitos ainda se recusam a acreditar que, através dos estudos, podemos mudar como pessoas, mudar o país e mudar o rumo de nossas vidas. O aprendizado contínuo faz bem para a mente, o corpo e a alma.

Mas, o que a chamada “boa idade” tem a ver com isso? Infelizmente, muitos têm em mente que os idosos não têm que trabalhar ou estudar. Que devem apenas se preocupar em curtir a aposentadoria, os filhos e netos, se os tiver. No entanto, esquecem que é preciso envelhecer com sabedoria e mente ativa. E que envelhecer dessa forma, vai proporcionar muito mais anos de vida.

Em 2010, o IBGE contabilizou 19,28 milhões de brasileiros acima dos 60 anos. Em 2014, o número atingiu a marca de 26,3 milhões ou 13% da população. Aos 60 anos, pode-se ter uma vida social mais ativa e participativa na sociedade. Ainda é possível ter realização profissional e conhecer novas pessoas, ter oportunidade de novos relacionamentos. 

Se antigamente estudar era caro e poucas pessoas tinham condições de chegar à universidade, hoje a realidade não é essa. Existem vários cursos de graduação, pós-graduação e cursos técnicos disponíveis em diversas áreas do saber, tudo depende da vontade e do interesse de cada um. Idade e experiência de vida não são empecilhos.

Neste ano, 15,5 mil idosos fizeram a inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E esse número tem crescido anualmente - segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2013 foram 10,9 mil inscritos e em 2009, foram 4,7 mil.

Existem comprovações cientificas que estudar após os 60 anos previne doenças e melhora a depressão, já que a motivação ativa o sistema límbico do cérebro, região que está ligada às emoções e ao prazer. Quanto mais se aprende, maior o número de conexões neurais que se formam. Nosso cérebro aprende o tempo todo. Seja criança ou adulto, é claro que no início, vai existir uma dificuldade, considerada normal. 

Não importa se a procura pelos estudos está relacionada à realização de uma vontade antiga de aprender a ler ou escrever, ou se há um sonho de cursar uma segunda graduação. O que, de fato, importa, é que a ato de continuar ou voltar a estudar está diretamente ligado à condição de ter uma vida melhor e que não há idade ou tempo para recomeçar.


Políticas para a juventude

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes ter, 28/10/2014 - 10:07

Apesar de ter aumentado a faixa etária da população brasileira, o Brasil ainda é um país jovem. São mais de 51 milhões de jovens, de 15 a 29 anos, entre os cerca de 200 milhões de habitantes. E é essa faixa etária que traz grandes preocupações para o País. Apesar de todos os incentivos do governo, 9,6 milhões de jovens não estudam nem trabalham, aproximadamente 19,6% da população dessa faixa etária. São a chamada geração “nem-nem”.

Com a implementação da Política Nacional da Juventude, a partir de 2005, avanços importantes foram registrados, como o aumento do número de jovens no ensino superior e a retirada de milhões deles de situações de risco. No entanto, as discussões sobre ações ligadas a juventude entraram recentemente na agenda das políticas públicas, principalmente quando falamos sobre o debate das medidas socioeducativas realizadas pelas instituições voltadas para essas demandas.

De fato, a exclusão ainda é o maior problema da política juvenil. Além dela, é preciso incluir a preocupação com a educação de qualidade, a saúde integral, o acesso à cultura, esporte e lazer, além do enfrentamento à violência contra a juventude, em especial, contra os jovens negros, que ainda são as principais vítimas da violência no país.

Infelizmente, há também um grande número de jovens infratores e as políticas socioeducativas brasileiras tem se mostrado ineficazes também para eles, principalmente quando falamos de internações em estabelecimentos educacionais. As instituições, assim como as cadeias, estão superlotadas e não possuem projetos de ressocialização que estimulem os infratores a estudar ou a buscar uma colocação no mercado de trabalho.

Na grande parte dos casos, a violência é resposta às desigualdades socioeconômicas e a prática de crimes não é restrita apenas aos jovens das camadas pobres da sociedade. No entanto, quando o jovem é internado, ele sofre uma série de mudanças que envolvem aspectos de atitude, pensamentos, gestos, palavras e olhares e serão as práticas disciplinares adotadas que irão trabalhar a ressocialização desses indivíduos.

Mais uma vez, ressaltamos a importância da educação. É preciso pensar que esses jovens, indiferente de classe, cor ou gênero, necessitam de ajuda e que, se não houver incentivo em atividades educacionais no período de internação, não haverá mudanças de comportamento. Os jovens internados precisam ter acesso à escola regular de ensino fundamental e médio, além de outros projetos que devem incluir a capacitação da mão de obra, para que existam possibilidades quando eles deixarem as instituições. Caso contrário, as instituições socioeducativas perdem o sentido e nós perderemos, definitivamente, nossos jovens.


Indagações para o futuro

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 17/10/2014 - 16:02

A agenda da disputa presidencial sugere consensos. No primeiro turno, os três principais candidatos, Marina Silva, Aécio Neves e Dilma Rousseff, abordaram no debate eleitoral temas, desafios e problemas semelhantes. Entretanto, Marina Silva, tentou incentivar os sonhos de uma nova prática política entre os eleitores. Sonhos de um Brasil melhor. Mas, os brasileiros não aceitaram as sugestões da candidata do PSB e ela não conseguiu chegar ao segundo turno.

Aécio e Dilma disputam o segundo turno. Aécio convoca o eleitor para a mudança. Entretanto, para qual mudança? O candidato do PSDB aborda, acertadamente, o tema da corrupção e apresenta as suas meritórias ações quando era governador de Minas Gerais. Aécio mostra os desafios do Brasil: inflação fora da meta e reduzido crescimento econômico. Entretanto, não diz como trará a inflação para a meta e nem apresenta caminhos para a retomada do crescimento.

Dilma fala excessivamente do passado. Ela apresenta as ações importantes da era Lula e do seu governo nos âmbitos da inclusão e proteção social. Porém, a candidata do PT não fala do Brasil do futuro. Assim como Aécio, ela não mostra soluções para a inflação fora da meta e ações para o País voltar a crescer pujantemente. O tema da corrupção é abordado por Dilma. Contudo, soluções para a corrupção na Petrobrás não estão sendo apresentadas. Tanto Aécio quanto Dilma não sugerem caminhos para o futuro do Brasil.

Mudar para onde? Esta deve ser a pergunta do eleitor indeciso para Aécio. E, qual será o futuro do Brasil? Certamente, esta é a pergunta do eleitor indeciso para a candidata do PT. Campanhas eleitorais requerem o uso da emoção e devem prestar contas das ações dos candidatos à reeleição. Mas, não apenas isso. As campanhas eleitorais precisam apresentar caminhos para o futuro. Todos nós queremos saber qual será o nosso futuro.

Em 2015, a inflação brasileira diminuirá, ficará estável ou aumentará? Qual será o crescimento econômico do Brasil nos próximos quatro anos? As empresas estatais e agências reguladoras terão os seus cargos preenchidos em razão do mérito do indicado ou em virtude da importância do partido que lhe indicou? Os empresários serão convocados pelo presidente da República para cooperar com o crescimento econômico? A previdência pública será reformada ou a discussão em torno dela ficará restrita a extinção ou a manutenção do fator previdenciário? Quais serão os meios utilizados para a expansão do ensino superior privado e a qualificação da educação básica?

As respostas para essas perguntas construirão o Brasil do futuro. Mas, se elas não foram dadas pelos presidenciáveis e, em especial, pelo próximo presidente da República, a economia perderá vigor e os programas sociais serão enfraquecidos. 


A epidemia de Ebola

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 10/10/2014 - 12:02

Em meados da década de 70, um vírus desconhecido causou 431 mortes e atingiu 90% de mortalidade dos infectados. Altamente transmissível e mortal, o vírus foi chamado de Ebola. Desde então, os principais surtos aconteceram em 1995, com 254 óbitos; em 2000 e 2007, com 224 mortes cada, todos na África.

Desde dezembro de 2013, a África Ocidental enfrenta o maior surto do vírus ebola já registrado na história. Já são mais de 2.800 mortes e 5.800 casos identificados, apenas nesta região. Além disso, o vírus já ultrapassou as fronteiras, atingindo, inclusive, outros continentes. O mais preocupante é que, quando uma pessoa é infectada pelo ebola, em até dez dias ou ela morre ou o organismo começa a combater o vírus.

A primeira pergunta que nos fazemos é: como um vírus descoberto há tantos anos consegue ser tão devastador, provocando tantas mortes em um curto período? Para os especialistas, o grande problema do vírus ebola é que, além da alta letalidade, ele apresenta facilidade de transmissão, sendo o contato com os fluidos, como sangue, urina e suor do paciente, suficiente para a contaminação. 

Há também outro problema envolvendo o ebola: as crenças locais. Nos países africanos, é comum lavar o corpo no momento do enterro e este simples ato permite a transmissão da doença, uma vez que, mesmo após a morte, o paciente continua com o vírus e o contato direto sem proteção é um grande risco. 

Então, como combater a epidemia? Nos Estados Unidos, dois infectados conseguiram a cura com o uso de um tratamento experimental e pelo menos duas vacinas experimentais parecem dar resultados. No entanto, mesmo que essas vacinas sejam disponibilizadas em novembro, até lá já teremos mais centenas ou milhares de mortes. É necessário o isolamento imediato dos infectados para conter a propagação do vírus. 

Infelizmente, a epidemia atual do ebola só mostra a ineficiência nos sistemas de saúde africanos e o primeiro passo para o controle da infecção é a conscientização. As pessoas precisam perder o medo e entender que roupas especiais precisam ser utilizadas pelos profissionais para que um tratamento correto possa ser efetuado. 

Tratamentos sintomáticos precisam ser realizados nos doentes como tentativa para minimizar o alto número de mortes. Para isso, a África Ocidental precisa da ajuda dos outros países, já que não há médicos ou clínicas suficientes. A luta contra o ebola é uma preocupação mundial e o trabalho de organizações humanitárias, como a Médico Sem Fronteiras, precisa ser intensificado.

Apesar da suspeita que de que o Brasil tenha registrado o primeiro caso do vírus, trazido por um missionário da Guiné, esperamos que esta doença devastadora não ultrapasse as nossas fronteiras. Infelizmente, o número de casos só aumenta a cada dia. É essencial que as autoridades mundiais da saúde se unam em busca de descobrir um tratamento rápido e eficaz contra tão mal tão ameaçador.

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