Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


Intolerância religiosa e o respeito

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 29/06/2015 - 09:48

A intolerância religiosa é, certamente, um dos conflitos mais delicados em nosso planeta. Este debate, onde o fanatismo religioso está entranhado em milhões de pessoas, conduz a verdadeiras guerras, em nome, supostamente, de sua religião, como se fosse possível estabelecer qual delas "estaria com a razão".

Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição, sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. A perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.

O Brasil é um país de estado Laico, ou seja, imparcial, quando se trata do assunto religião, e as liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. Então, qual é o genuíno direito do cidadão de repudiar, agredir e ir contra à religião que não faz parte de sua “fé”?

Constitucionalmente falando, todo cidadão brasileiro tem assegurado o direito de opinião e a inviolabilidade de consciência, isso quer dizer, que podemos seguir, ou não, qualquer crença religiosa, ainda que ela seja minoria. Assim, antes de sobrepor princípios inerentes, as pessoas devem respeitar as escolhas alheias e ter o entendimento de que uma religião, independente de possuir ou não a maioria de adeptos, não significa que ela seja a mais correta.

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis. Podemos citar a falta de bom senso e de respeito mínimo à diversidade como fatores que criam e fortalecem as situações de caos e violência vistas em todo canto do mundo, inclusive em nosso país.

Vale ressaltar que crítica não é o mesmo que intolerância. Todos nós temos o direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio. Entretanto, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião.

A grande questão não é a qual a religião correta a seguir, mas sim, o respeito que deve existir entre os adeptos de cada crença. É preciso respeitar as diferenças, seja em ambiente doméstico ou escolar. É preciso respeitar as escolhas do outro individuo, seja ela semelhante ou diferente da sua. Respeitar o próximo, independente de atitude, opinião ou crença.


O desafio de inovar

por qua, 17/06/2015 - 11:50

Em 10 anos, a taxa de empreendedorismo no Brasil saltou de 23%, para 34,5%.  Deste total, metade corresponde a empreendedores novos – com menos de três anos e meio de atividade – e a outra metade aos donos de negócios estabelecidos há mais tempo. Esse é o resultado da nova pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no Brasil pelo SEBRAE e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).

Segundo os dados, três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Quando comparado a países que compõem o Brics – grupo de países que tem atuado juntos para pôr em prática acordos comerciais e desenvolver projetos conjuntamente -, o Brasil é a nação com a maior taxa de empreendedorismo, ficando quase oito pontos percentuais à frente da China, que apresenta uma taxa de 26,7%.

Apesar de números tão positivos, as incertezas atuais em torno da conjuntura econômica mundial e, principalmente, brasileira, têm impactado diretamente nos resultados de organizações de diferentes setores. Além disso, as novas e crescentes exigências do mercado, a concorrência e os desafios do cotidiano empresarial exigem que se pense empreendedorismo de um jeito diferente. 

Então, como é possível sobreviver a um mercado que se mostra cada dia mais irregular, especializado e competitivo? A resposta está na inovação. Para manter ou melhorar as condições de uma empresa no mercado, faz-se necessária à criação de fatores competitivos ligados à inovação. Atualmente, inovar é condição para permanecer no jogo dos negócios.

Inovar, no ramo empresarial, é uma forma de ver os desafios, encontrando soluções práticas, úteis e econômicas. É a capacidade de mudar um cenário, de revolucionar. Aqueles que inovam ficam em posição de vantagem em relação aos demais e esse é o papel dos empreendedores: fazer com que suas empresas tenham relevância na vida dos seus consumidores, oferecendo soluções para um determinado problema, necessidade ou desejo, seja ele consciente ou inconsciente.

No entanto, o sucesso de um empreendimento não se resume apenas ao empreendedor. O segundo principal ponto é a equipe, o perfil das pessoas por trás do projeto é relevante para qualquer tipo de corporação. O equilíbrio de competências dos profissionais envolvidos traz um diferencial para empresa. Apenas os seres humanos são dotados de inteligência e capacidade para executar as ações propostas para inovação, então é preciso valorizar o capital humano para que se tenham inovações consistentes.

Empreender, no Brasil ou em qualquer outro país, é saber se adaptar às mudanças constantes e inerentes ao mercado. Ter uma idéia é apenas o começo. É preciso saber e estar preparado para se adaptar às circunstâncias que se apresentam, abraçar novas oportunidades e olhar além do obvio, mantendo sempre um pouco de ousadia para se manter competitivo.

A rivalidade entre os concorrentes existentes, a pressão dos produtos substitutos, o poder de negociação dos compradores e dos fornecedores sempre existirão. Entretanto, será a inovação que irá minimizar a competição.


Educação e Desenvolvimento Econômico?

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qua, 10/06/2015 - 15:59

Durante anos, e com o crescimento econômico vivido pelo Brasil, a importância da melhoria e do desenvolvimento da educação deixou de ser uma bandeira apenas das instituições e escolas particulares para ser o diferencial para o desenvolvimento do país. Por cerca de uma década, programas de aceleração para atingir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) foram criados e incentivados e milhares de jovens e adultos puderam ingressar no ensino técnico e superior.

Nos últimos 15 anos, a educação brasileira alcançou algumas conquistas importantes para melhorar seus índices. A criação de um fundo de financiamento para toda a educação básica (o Fundeb); um sistema de avaliação consolidado, o Enem; e metas de aprendizagem, instituídas pelo PNE para todos os níveis. Apesar dessas melhorias, o Brasil ainda está bem distante da educação oferecida pelos países desenvolvidos e que estão no topo da educação mundial.

Podemos citar as mudanças da Finlândia, Coréia e Espanha como bons exemplos de uma transformação no cenário econômico mundial ao longo das últimas décadas, um investimento maciço em educação. Os três países colocaram em prática uma série de novas diretrizes de políticas educacionais contínuas – que significa dizer que mesmo com as mudanças no governo, a promessa de mantê-las não mudou. Todos executaram reformas nas leis educacionais e ampliaram o tempo de permanência na sala de aula, optando e incentivando o ensino integral. Como resultado, todos apresentam um ininterruptos aumento no índice de desenvolvimento social.

Alguns podem questionar, afinal, por que a educação faz tanta diferença? A resposta é porque ela afeta todos os demais setores da sociedade. Incide sobre a qualidade da representação política, a distribuição de renda, o desenvolvimento econômico e o discernimento da justiça social. Porque quando se tem educação, a tendência é que se exija mais qualidade em todos os setores do país.        

No Brasil, a preocupação com a educação só virou política de governo nos anos 30, com Getúlio Vargas, que criou o primeiro Ministério da Educação. Isso significa 100 anos depois de outros países latino-americanos e 150 anos depois da Europa. Hoje, ainda é preciso superar os dois extremos característicos da educação brasileira: o enfrentamento do analfabetismo – principalmente o funcional - e as desigualdades educacionais que impedem o acesso e o exercício da cidadania plena pela falta de conhecimentos.

Na França, os iluministas defendiam um sistema de governo onde todos fossem iguais perante a lei. Por lá, a escolaridade é obrigatória dos 6 aos 16 anos e o sistema de educação é centralizado e controlado pelo ministério da educação francês, cujo orçamento é o mais alto de todos os ministérios.

A necessidade de alcançarmos uma educação de qualidade para todos é consenso entre a sociedade brasileira. Entretanto, para que isso aconteça, a educação tem de ser prioridade não apenas nos discursos de políticos durante suas campanhas. 

Infelizmente, e com a justificativa da crise econômica que o país enfrenta, programas sociais criados para acelerar o alcance das metas e o investimento em educação foram reduzidos ou cortados. Junto com eles, perdemos um pouco a esperança de continuarmos a desenvolver o país de forma justa e democrática, concedendo a todos condições para entender os contextos históricos, sociais e econômicos em que estão inseridos.

Apenas um pouco. Queremos acreditar que esta é uma situação temporária e que, em breve, a educação se tornará prioridade e será entendida, de fato, como agente transformador. Só assim mudaremos definitivamente o perfil social do Brasil.

 


Um país de corruptos?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 03/06/2015 - 14:29

Em meados de março deste ano, a presidente Dilma Rousseff disse, durante um pronunciamento, que “A corrupção é uma senhora idosa”. A fala aconteceu em meio a inúmeros escândalos e em resposta à série de protestos contra a corrupção no Brasil.

Assistindo a essa declaração, muitos brasileiros tiveram a sensação de que encontravam-se mergulhados em um dos ambientes  mais corruptos do mundo.  E estavam certos.  Esta foi a constatação feita pela edição 2014 do Corruption Perpception Index (Índice de Percepção da Corrupção), um estudo sobre corrupção divulgado pela ONG Transparency International e que indicou o Brasil como o 69º país mais corrupto do mundo, em um universo de 174 países.

Ao contrário do Brasil, desde a criação do índice em 1995, a Dinamarca figura entre o primeiro e segundo lugar do ranking como o país menos corrupto, com uma média de 92 pontos em uma escala de 0 a 100 pontos, onde o último significa um país sem corrupção. Vale lembrar que a Dinamarca já é bem conhecida pelos altos índices de saúde, segurança, saneamento, educação e renda, além de ser citada como uma nação que tem um forte Estado Democrático  de Direito, apoio à sociedade civil e regras claras de conduta para as pessoas que ocupam cargos públicos.

Na Dinamarca, o combate à corrupção começou muito cedo, ainda durante a formação da política do país. A transparência, a honestidade e a meritocracia foram e ainda são princípios fundamentais por lá.

Infelizmente, estamos vivendo um fenômeno em que a percepção dos cidadãos é a de que a corrupção está entranhada na maioria das cabeças dos gestores públicos.  É lugar comum ouvir a máxima de que “todo político brasileiro é corrupto”. Ou ainda, após ver uma notícia sobre corrupção, a declaração de que “isto é o Brasil”.  

Entretanto, quero acreditar que esta afirmação não  constitui regra. Mas, exceção. Haja vista, - e continuo acreditando - que muitos gestores públicos são honestos, dotados de alto compromisso ético, bem intencionados e ingressam na  política como forma de ajudar a coletividade. Pois a cultura da corrupção só se desenvolve onde não há noções de ética incorporadas às ações do cotidiano. Por outro lado,  ouso afirmar que a corrupção do cidadão comum não é resultado, mas é alimentada pela corrupção nas instituições públicas conduzidas por aqueles gestores  que fazem parte do grupo das exceções. E quanto menos instrução as pessoas tem, mais difícil de entender o significado da corrupção.

O que é preciso para acabar com a corrupção? Sem dúvidas, muitas ações precisam ser implementadas. Em primeiro lugar,  mister se faz mudar a cultura daqueles que pensam  que o bem público e a política  constituem  fontes de enriquecimento individual. Quando na realidade, o bem público nada mais é do que instrumento para servir a coletividade e a política é a forma de servir a sociedade e o seu povo.  Ademais, é necessário o aumento da transparência das ações dos gestores públicos e a urgente reformulação da legislação para que sejam criadas penas mais severas para os corruptos e corruptores. E por fim, que surjam muitos Sérgios Moro, corajosos e idealistas.

Mas, para acabar com a corrupção, todos tem que fazer a sua parte.  Não basta  cobrar da classe política e dos gestores públicos ética e honestidade se,  nas  ações diárias, os cidadãos  cometem infrações  - pequenas ou grandes-   que comprometem o bem comum. O exercício da cidadania, que vai muito além do voto, exige educação política, informação e conscientização.

Não podemos nos acostumar em dizer ou ouvir que a corrupção sempre vai existir, esse é um argumento básico e inapropriado. O Brasil nunca viveu em toda sua história um período democrático tão longo como este. Desde 1989, nós podemos eleger o nosso governante maior e não temos ameaças de golpes ou de ditaduras

Temos que lutar para fortalecer nossas instituições públicas. Temos que definir e trabalhar pelas prioridades comuns a todos os brasileiros. Temos que nos conscientizar e mudar a cultura de que a  res (coisa) pública deve ser utilizada em benefício de uns e em detrimento do coletivo. Temos que estar cientes de que um país forte e soberano só se faz com educação, saúde e com instituições fortes, independentes e livres de qualquer forma de corrupção.  E para finalizar, penso que em um país democrático, é preciso haver dois partidos:  governo e a oposição. 


Por que é tão fácil ser corrupto?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 29/05/2015 - 09:43

A corrupção é um dos maiores problemas na atualidade e enganam-se aqueles que pensam que este é um problema ligado apenas a política. Na prática, ser corrupto é utilizar poder ou algum tipo de facilidade para conseguir vantagens que atendam aos próprios interesses ou de familiares e amigos. Mas, por que o Brasil está entre as nações mais corruptas do mundo?

Recentemente, em um de seus discursos, a presidente da República sugeriu que a corrupção no governo, exaustivamente publicada na imprensa, é uma influência da corrupção no dia a dia. Será que isso é verdade? Será que todos nós somos corruptos? E ainda mais, será que devemos ser culpados por todo enriquecimento pessoal que políticos vem promovendo com dinheiro público?

Discordo dessa tese. É uma generalização abusiva dizer que o brasileiro, em sua essência, é corrupto. Em todos os países do mundo, a percepção do nível de corrupção é bem menor quando as instituições funcionam direito. E aqui me refiro a todos os serviços comuns à população, como saúde, habitação, segurança publica, educação, saneamento, etc.

Infelizmente e mesmo que hoje existam medidas de combate à corrupção, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei da Ficha Limpa e a modernização dos instrumentos de controle interno e externo dos órgãos públicos e das empresas, não temos visualizado melhoras. Aparentemente, o ganho fácil, tirar vantagem em tudo e enriquecer às custas do dinheiro público parece ter se transformado, para alguns, em um projeto de vida a curto prazo.

Do ponto de vista estritamente legal, os crimes são apenas e só os atos que a lei penal considere como tal. E são esses conceitos jurídicos, essas definições legais, que estabelecem e permitem a aplicação das penas correspondentes a todos aqueles que, de modo comprovado e deliberado, os pratiquem. Poucos políticos brasileiros são punidos por envolvimento em casos de corrupção e quando a punição é aplicada, ela costuma ser mais branda do que deveria.

Os brasileiros têm reclamado cada vez mais da corrupção no nosso sistema público. Aqueles que trabalham arduamente sabem que não é tão fácil assim construir um patrimônio sólido, principalmente em tão pouco tempo. Por vezes, isso pode levar uma geração inteira ou até mais. 

Não podemos mais permitir que cargos públicos sejam usados para desviar recursos, para enriquecimento ilícito ou para uma perpetuação no poder. Não devemos permitir que servidores públicos em funções de comando deixem de servir o seu principal propósito: o bem da população. Honestidade e ética não podem ser considerados apenas um mero detalhe.


O preço da corrupção

Petrobras, Janguiê Dinizpor Thabata Alves ter, 19/05/2015 - 15:53

Em meio a diversos escândalos de corrupção, a população brasileira parece desnorteada em relação às denúncias e às punições que são dirigidas aos políticos envolvidos nos processos. O mais midiático deles, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público, que investiga um esquema bilionário de corrupção envolvendo contratos da Petrobras com as maiores empreiteiras do país, e que teria desviado recursos para partidos políticos, políticos, operadores e ex-executivos da própria empresa.

Junto com as manchetes de corrupção veiculadas quase que diariamente pela imprensa nacional, começamos a nos questionar o que será do futuro do Brasil. Como o rombo econômico causado pela corrupção será sanado? Além do corte de programas de governo, como Fies, financiamento de imóveis, a população sofrerá com o aumento de impostos?

Em matéria publicada pela agência de notícias Bloomberg, uma das mais conceituadas do mundo, os avanços econômicos atingidos pelo país nas últimas décadas também são colocados como uma “miragem”. Em meio a uma matéria repleta de acusações e teorias sobre a corrupção no Brasil, a reportagem termina falando sobre as medidas tomadas pelo governo para eliminar a corrupção na Petrobras e a nova gestão do presidente da estatal, Aldemir Bendine.

No entanto, talvez mais importante que falar da corrupção na Petrobras, é lembrar que ela não se restringe apenas à Estatal e todos os casos acabam impactando a eficiência da economia, o chamado custo-Brasil, que estaria em R$ 120 bilhões. Somem a isto que os frequentes  escândalos complicam ainda mais a situação econômica brasileira, já que a falta de confiança aumenta o risco de investimentos internacionais.

Em 2011, a revista Veja trouxe como matéria de capa o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano – ou 2,3% do PIB na época. Um valor que já nos incluía na lista dos países mais corruptos do mundo. A reportagem incluía também a estimativa de que, em 10 anos, R$ 720 bilhões haviam sido desviados dos cofres públicos. Além disso, revelou-se, ainda, que a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15.000 contratos da União com estados, municípios e ONGs, tendo encontrado irregularidades em 80% deles.

Fazendo um comparativo, para construir um hospital de porte, com equipamentos de ponta, atendendo a cerca de 600 pacientes por dia, são gastos R$ 62 milhões. Ou aproximadamente 8 vezes o que é indicado para investimento em educação para que o Brasil tenha boas escolas na educação básica.

Seria ingenuidade dizer que a corrupção é um fato recente na história do Brasil. Ao contrário, a corrupção é, sim, uma prática histórica e quando há um amplo combate à corrupção, existe um alto potencial de crise. Talvez, seja este o cenário que se modela para 2015, com leve recuperação em 2016 e entre 2017 e 2018 o país volte a crescer.

Infelizmente, os escândalos na política nacional continuam surgindo a uma velocidade preocupante. A cada nova situação, outras se revelam. E o mais preocupante de tudo é que a população brasileira não aprenda a lição mais importante: a justiça deve punir os corruptos, mas o desconhecimento e a ignorância podem fazer com que a transformação que o Brasil está vivendo seja insignificante.     


O Brasil em conta gotas

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 11/05/2015 - 17:55

O Brasil é - ou era - conhecido no mundo como o país das águas. Isso porque somos detentores de cerca de 13% de toda água doce disponível no planeta. No entanto, também somos os maiores consumidores de água do mundo. Essa afirmação é resultado de uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal, divulgada recentemente.

Hoje, é realidade no Brasil uma crise hídrica que afeta não apenas a região Nordeste do país – já habituada a longos períodos de estiagem. Muito tem se falado sobre os baixos níveis dos reservatórios em São Paulo, região sudeste. A cidade já está no uso do volume morto do Sistema Cantareira e com outros reservatórios, como o Alto Tietê e o Guarapiranga, entrando em colapso.

E a situação se agrava ainda mais quando avaliamos que, com a falta de chuvas no Sudeste, a principal nascente do rio São Francisco praticamente secou, causando sérias consequências na região Nordeste. Locais onde a água era abundante foram substituídos por bancos de areia e entre os estados de Sergipe e Alagoas, onde a profundidade do rio atingia até dez metros, hoje não passa de dois, dificultando a navegação.

Basicamente, a atual crise hídrica pode ser explicada por três fatores: a situação climatológica absolutamente fora dos padrões habituais, um modelo de consumo de água incompatível com a oferta e obras de infraestrutura hídrica que não foram implementadas tempestivamente.

Infelizmente, apenas a chuva não será capaz de resolver o problema do sistema Cantareira, nem do Alto Tietê ou de Sobradinho, no Nordeste. A verdade é que nos últimos anos o consumo de água aumentou em quase todo o país, sendo a agricultura responsável por 70% do consumo e também quem mais desperdiça - para se ter uma ideia, só em 2013, o agronegócio gastou 200 trilhões de litros de água, o equivalente a 200 Sistemas Canteira cheios.

Para minimizar os dados da crise hídrica, é preciso pensar primeiro em redução de consumo ou em um consumo consciente. Não temos como produzir água para os reservatórios e é possível reduzir os altos índices de consumo através de um controle maior, evitando os excessivos vazamentos na distribuição. Tudo apoiado em tecnologia e investimentos.

Os especialistas atribuem a crise hídrica a uma falta de gestão por parte do governo regional, entretanto, assim como um acidente automotivo não acontece em função de um único problema, a crise da água vivida em São Paulo e no Brasil tem outros fatores que vão além da falta de prioridade por parte das autoridades governamentais ao tema da água.


Uma tragédia anunciada?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti ter, 05/05/2015 - 17:11

Mais de quatro mil mortos, sete mil feridos e um milhão de pessoas precisando de ajuda humanitária. Esses são dados após a tragédia causada por um terremoto de magnitude 7,8 na escala de Richter, no Nepal na última semana. A placa tectônica indiana se movimentou quatro metros em apenas vinte segundos, quando o comum era de 5 centímetros por ano.

Dias após o tremor e ainda em processo de resgate de feridos e vítimas, chamamos a atenção para as seguintes questões: sabia-se que Kathmandu, capital do Nepal, fica na falha geológica onde se chocam as placas tectônicas da Índia e Euro-Ásia, tornando-a uma das cidades mais vulneráveis do mundo. Acrescentem a isso os registros históricos, que indicam que o período de retorno de um sismo de magnitude 8 na região é de cerca de 75 anos, sendo que, segundo a National Society for Earthquake Technology do Nepal - o último tinha sido em 1934.

Teria sido esta uma tragédia anunciada?

O Nepal é um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo. Localizado em uma região com alto risco sísmico, com 28 milhões de habitantes e com PIB per capita de aproximadamente mil dólares, para muitos especialistas a má qualidade das construções locais é uma das razões que explica o elevado número de vítimas e o efeito devastador do terremoto.

O custo total da reconstrução no Nepal, usando padrões de construção apropriados para uma região com muitos tremores, pode superar os cinco bilhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 20% do PIB do país. Um grande desafio.

Podemos dizer que não há semelhanças entre a tragédia no Nepal e o Brasil. Por um lado, sim. O Brasil não possui registros históricos de terremotos, já que ficamos localizados em um conjunto de placas tectônicas muito antigas e com pouca, ou nenhuma atividade. Entretanto, vivemos tragédias que, assim como o Nepal, são anunciadas e não são prevenidas.

Se em 1934, mais 18.000 mil pessoas morreram em todo o Nepal e na Índia devido a um tremor, o que dizer das centenas de pessoas que morrem todos os anos com as enchentes que ocorrem por todo o Brasil nos períodos de chuvas? Ou das centenas de desabrigados devido aos desabamentos de barreiras?

O mundo deve, sim, se unir para ajudar na reconstrução do Nepal e no apoio aos sobreviventes. No entanto, é preciso que esta tragédia sirva de exemplo a todos os países que, de uma forma ou de outra, são atingidos por desastres naturais que podem ser prevenidos e minimizados.


Crise e futuro

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 24/04/2015 - 18:22

O Relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que as perspectivas para os próximos anos da economia brasileira são sombrias. De acordo com o relatório, a inflação, neste ano, sairá da meta e a previsão é de que ela alcance 7,8%. Em 2016, a expectativa é de um recuo  da taxa para 5,9%. A contração da economia tende a ser de 1% em 2015, voltando a crescer 1%, em 2016, segundo o FMI.

Por outro lado, as perspectivas para a crise política não são tão pessimistas. Se no início do segundo mandato do governo Dilma Rousseff, o presidencialismo de coalizão funcionava conturbadamente, é possível que ocorra processo de arrefecimento entre o Congresso Nacional e o Poder Executivo.

Política, economia e opinião pública estão relacionadas simetricamente. O crescimento econômico motiva o aumento da satisfação dos eleitores para com o governo. Quando sufragistas apoiam majoritariamente o governo, o presidencialismo de coalização funciona sem fortes turbulências. Estes mecanismos foram observados em 2011 e 2012, anos iniciais do primeiro mandato do governo Dilma Rousseff.

Neste momento, não há crescimento econômico e, por consequência, os eleitores, majoritariamente, reprovam a gestão de Dilma Rousseff, colocando o regime governamental sobre fortes turbulências. O futuro aparenta ser difícil. Porém, a expectativa é que 2015 sirva para realizar ajustes.

O envolvimento do vice-presidente da República Michel Temer na articulação política é o primeiro passo para a construção de um futuro promissor. Temer, junto com outros ministros e a disposição da presidente da República pode apaziguar a relação com o Congresso Nacional. Com isto, o ajuste fiscal proposto por Joaquim Levy tem condições de ser aprovado.

A aprovação desse ajuste fiscal e o esforço do governo para resgatar a confiança do setor produtivo e da sociedade brasileira farão com  que existam esperanças para o futuro próximo. O ajuste fiscal, como bem ressaltam diversos economistas, construirá condições para o retorno do crescimento econômico e o controle da inflação. Caso isto ocorra, surgirão condições mais adequadas para o retorno dos avanços socioeconômico.

O cotidiano da política serve para explicar as crises. Em momentos assim, a opção pela tragédia não é escolha coerente para um país que insiste em avançar desde a época do Império. A melhor opção ainda é o diálogo, o exercício responsável da oposição e o reconhecimento de que, na próxima eleição presidencial, todos os partidos políticos terão oportunidades de oferecer novas opções de agenda ao Brasil. 


Vencidos pela dengue?

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 20/04/2015 - 15:10

Em 2013, o Brasil sofreu com uma epidemia de dengue. Foram campanhas, ações e tentativas de combate ao mosquito transmissor da doença. Em 2014, os números reduziram e acreditou-se que havíamos chegado ao controle da doença. Entretanto, até o fim de março deste ano, o Ministério da Saúde registrou mais de 460,5 mil casos de dengue no país – número que pode ser muito maior já que nem todos os casos são diagnosticados.

Os números alarmantes, fizeram acionar os alertas para uma nova epidemia. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, OMS, a dengue é a doença tropical que se espalha mais rapidamente no mundo e presente em 125 países – um número maior que do que os da malária, considerada a doença mais notória que é transmitida por mosquitos.

Calculando em torno de 220 casos confirmados da doença por hora, o combate à dengue vai muito além de diagnosticar e tratar a doença. É preciso prevenir. São Paulo é, de longe, o estado mais afetado pela dengue. As mudanças climáticas, os problemas com o racionamento e o armazenamento incorreto de água ajudam na rápida proliferação do mosquito transmissor.

Mais preocupante é saber que uma em cada dez cidades brasileiras já tem, em apenas quatro meses, índices epidêmicos de dengue. Ou seja, nessas cidades, a cada 100 mil habitantes, a incidência da dengue supera 300 casos. Além de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Pernambuco estão no topo da lista com os maiores índices da doença.

Infelizmente, diante de surtos de doenças como a dengue, é que ficam ainda mais claros os problemas vividos e as falhas no sistema de saúde pública brasileira. A grande quantidade de hospitais lotados e a impossibilidade de fornecer atendimento aos pacientes tem, inclusive, resultado no aumento de índice de mortes causadas pela dengue hemorrágica – caso mais grave da doença e que, se diagnosticado e tratado em tempo, tem cura.

Além de estrutura para o diagnóstico e tratamento, outras questões importantes, como prevenção e combate ao mosquito, não foram planejadas. Planejamento e prevenção são atitudes chaves não apenas para o controle de epidemias como a dengue ou outras doenças tropicais, mas, são atitudes válidas para inúmeros setores e que, se valorizadas, poderiam evitar uma série de problemas enfrentados pela população.

Diante da situação, temos que efetuar dois trabalhos intensivos para conter a epidemia de dengue no país: tratamento rápido e eficaz aos que estão com a doença; aliado ao trabalho de combate à proliferação do mosquito, para resultar na diminuição de infectados. Um trabalho que poderia ter sido evitado, se as medidas preventivas tivessem sido realizadas de forma constante.

Resta a todos nós continuarmos fazendo nossa parte nessa guerra e torcer que a situação não se agrave ainda mais.

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