Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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Brain drain no Brasil

Janguiê Dinizqua, 11/10/2017 - 13:48

Brain Drain é o termo em inglês utilizado para fazer referência à fuga de capital humano ou fuga de cérebros. De uma forma clara, seria a emigração em massa de indivíduos com aptidões técnicas ou de conhecimentos, normalmente devido a fatores como falta de oportunidade, riscos à saúde e instabilidade política nos países.

Os Estados Unidos, por exemplo, são grandes captadores de cérebros mesmo tendo um grande número deles em seu território. A atração de cientistas pelo país é decorrente das oportunidades de melhor remuneração, benefícios e reconhecimento, além da oportunidade de desenvolver pesquisas, tecnologias e etc.

O que isso significa para o país que perde esses cérebros? Ele perde um grande potencial de inovações, que serão desenvolvidas por seus trabalhadores, mas para uma outra nação. No Brasil, os obstáculos para a prática da ciência impulsionaram o brain drain. Em 2015, 49.735 pesquisadores deixaram o Brasil rumo a universidades estrangeiras, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Vale ressaltar que esse alto número foi decorrente de um estímulo ao intercâmbio científico, difundido pelo governo como estratégia, mas que fez os profissionais esbarrarem em condições totalmente favoráveis, como laboratórios de ponta, e não mais retornarem ao Brasil. Os pesados cortes de recursos para a área de ciência e tecnologia feitos pelo governo federal estão levando a produção científica brasileira a um estado caótico, com a interrupção de pesquisas e aceleração do êxodo de cérebros que não pode ser substituída a curto prazo.

O problema afeta, também, os mais jovens, que enxergam a ciência como uma profissão complicada por uma desvalorização governamental. Além disso, o Brasil tem inúmeros desafios para vencer com o auxílio das pesquisas: conhecemos apenas 5% da nossa biodiversidade e a exploração desses sistemas de forma sustentável pode contribuir para o desenvolvimento de medicamentos e produtos de alto poder agregado.

O Brasil ocupa o 69º lugar no Índice Global de Inovação. Em 2017, o corte no orçamento do Ministério de Ciências e Tecnologia, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) chamou atenção internacional. A decisão contrasta com o pensamento desenvolvimentista de países como China, EUA, Israel e Coreia do Sul, que, em época de crise, aumentaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Isso significa dizer que esses países entendem que o investimento em pesquisa é a melhor maneira de sair da crise de forma sustentável.

Claro que nós conhecemos os problemas que historicamente têm assolado nosso país, e precisamos atender as necessidades básicas da população. Entretanto, é preciso priorizar investimento em desenvolvimento científico e tecnológico no afã de tirarmos o nosso país deste marasmo e evitar a fuga de nossas melhoras cabeças.


Responsabilidade social deve fazer parte da missão das instituições de educação superior

Janguiê Dinizqua, 27/09/2017 - 13:39

No Brasil, a desigualdade social tem sido um cartão de visita. Segundo o Relatório Desenvolvimento Humano 2017 (Pnud/ONU), o país aparece entre os 10 mais desiguais do mundo. A baixa escolaridade e a falta de acesso à educação contribuem, entre outros graves fatores, para a estagnação socioeconômica, que tende a se acumular. Por isso, melhorar esse índice deve ser uma preocupação das instituições de ensino superior (IES), que além de proporcionar uma boa formação do profissional para o mercado do trabalho, precisam desenvolver cidadãos conscientes e engajados em questões socioambientais.

Dentro desse contexto, ações de responsabilidade social devem estar incluídas na missão de cada IES, assumindo institucionalmente, por meio de professores, alunos e funcionários, a responsabilidade de criar projetos e ações que contribuam para um desenvolvimento sustentável, visando uma sociedade melhor e mais participativa.

Uma das características de um país desenvolvido é possuir uma taxa de escolarização elevada, garantindo uma educação mais inclusiva, com acesso assegurado a toda sociedade, o que não vem ocorrendo no Brasil. De acordo com o mesmo relatório da ONU, desde 2014, o país vem se mantendo no 79º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no ranking que abrange 188 países, do mais ao menos desenvolvido. O IDH é medido anualmente pela ONU e utiliza indicadores de renda, saúde e educação.

Daí a importância de criar recursos para expandir o acesso à educação e às ações de responsabilidade social, estimulando a produção de novos conhecimentos com viés solidário e a condução de ações com efeito multiplicador. Dessa forma, ações de responsabilidade irão indicar o comprometimento das IES com o desenvolvimento socioeconômico tão urgente em nosso país.

Tanto as IES públicas quanto as particulares devem criar novos meios de se envolver nessas questões, sem contar com políticas governamentais, mas com ações de iniciativa própria. Atualmente, a força do setor da educação superior privada vem crescendo. As IES particulares já representam mais de 75% das matrículas no país. Dentro desse escopo, cresce ainda mais a responsabilidade das mesmas em desenvolver ações concretas que incluam a sociedade, a fim de dirimir diferenças sociais e a promover a expansão da educação.

 


Política a serviço da sociedade

Janguiê Dinizqui, 14/09/2017 - 15:06

Vivendo sua maior crise há alguns anos, o Brasil passa por problemas econômicos, sociais e  políticos, mas, principalmente, passa por uma crise de representatividade - a população brasileira não se vê representada pelos políticos em que votaram. Os brasileiros têm observado que poucos políticos estão fazendo jus a confiança que lhes foi depositada nas urnas.

Na última eleição, em 2014, elegemos nossos representantes em nível de governo estadual, deputados estaduais e federais e presidente da República. Em meio a tantos escândalos de  corrupção e mentiras a classe política vem tentando sobreviver à Operação Lava Jato. O quadro atual nos leva para uma reflexão: o que é ser um bom político?

No contexto da antiga politicagem, o bom político brasileiro é aquele que promete um novo mundo, sentado na mesa de num bar para beber com seu eleitorado, ou ainda aquele cara simpático, que na véspera das eleições oferece  cestas básicas para aquelas famílias que sofrem com a seca.

Poderíamos dizer que um bom político é aquele ético e honesto. Mas, essas são características que devem ser inerentes a qualquer bom cidadão e não necessariamente um bom cidadão pode ser tomado como um exemplo de um bom político. Além do conjunto de atitudes que compõe o caráter de um cidadão, é preciso para o bom político ter habilidades de relacionamento, capacidade administrativa e ideias propositivas.

Um bom político não é aquele que enxerga política como profissão, mas como uma oportunidade de melhorar o bem comum, a vida da  coletividade. Um bom político não é aquele que propõe inúmeros projetos, mas aquele que sabe focar no que é necessário para a maioria. Um bom político é aquele que tem conhecimento daquilo que o povo precisa e este conhecimento deve ser sempre a favor do povo.

Estamos evoluindo como sociedade e precisamos entender nosso papel. Temos que interagir com nossos representantes, buscando informações, cobrando soluções para os problemas sociais. O papel do político é ser um representante da sociedade, ser alguém aberto a receber as demandas vindas da sociedade, principalmente as coletivas. A principal característica que faz de um cidadão um bom político é sua capacidade de colocar o interesse público acima dos seus próprios interesses.

O livro “O Monge e o Executivo”, de James C. Hunter, deveria ser uma leitura obrigatória para os que ingressam na carreira política. Através dele, é possível entender que liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. O papel do líder é servir constantemente ao povo. O papel do político deve ser o de servir diuturnamente a sociedade.

Um bom político é aquele que cuida para que todos tenham acesso aos serviços públicos, em especial a saúde, educação, saneamento, habitação, lazer, infraestrutura,  etc., e luta para que esses serviços sejam eficientes   e de qualidade. É aquele que busca oportunidades para que os menos favorecidos saiam das condições de miséria e possam ascender na vida, e que cuida para que o dinheiro público não seja desviado.

Em 2018 teremos novas eleições. Que esses últimos anos de turbulência tenham servido de aprendizado para todos nós e que, nas urnas, tenha início o resgate da credibilidade e acreditação na classe política brasileira.


Todos pela Amazônia

Janguiê Dinizqua, 06/09/2017 - 15:06

A preservação da Floresta Amazônica ganhou mais um capítulo após a decisão do presidente Michel Temer em autorizar a extinção de uma reserva natural de mais de quatro milhões de hectares na Amazônia para permitir a exploração privada de minérios como ouro, manganês, cobre e ferro na área. Trata-se da Renca (Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados), uma área com alto potencial de ouro e outros metais preciosos que fica entre o Pará e o Amapá com 46.450 quilômetros quadrados, pouco maior que a Dinamarca.

A reserva foi criada em meados de 1984, ainda durante o regime militar. No local estão partes de três Unidades de Conservação (UC) de proteção integral, de quatro unidade de conservação de uso sustentável e de duas terras indígenas. Essa região, no início da década de 80, foi comparada à Serra dos Carajás por seu potencial mineral que despertava o interesse de investidores brasileiros e estrangeiros.

Imediatamente, a iniciativa foi criticada por especialistas brasileiros e estrangeiros, pela população nacional e mundial, que acreditam que os prejuízos da mineração serão sentidos amplamente com a exploração daquela que é uma das três maiores florestas tropicais do mundo e representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta, inclusive com liminar da justiça federal do Distrito Federal  suspendendo o Decreto. A Floresta Amazônica compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo e é um dos seis grandes biomas brasileiros.

O Brasil tem uma enorme rede de áreas protegidas, cobrindo quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. Esta rede protege biomas com uma enorme biodiversidade e presta riquíssimos serviços ecossistêmicos globais, um dos motivos que tornou o Brasil um líder ambiental, com papel de destaque em fóruns internacionais como as conferências climáticas da ONU. Autorizar a exploração dessa reserva é, além da exploração demográfica, promover o desmatamento, perda da biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos, incentivando o acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais que fazem parte da história do nosso país.

Infelizmente, em um ambiente complexo como esse, a derrubada e queima de árvores e do solo, o plantio de outras plantas e o uso de agrotóxicos, a criação de gado são fatores que contribuem para a perda desse bioma rico e importante. Com as intervenções humanas, os solos começam a ficar cada vez mais pobres em nutrientes e contaminados com substâncias provenientes da extração do ouro e outros minerais, as erosões começam a se intensificar e áreas que não eram alagadas, passam a ser. É um processo em cadeia. Com o corte de árvores ocorrem incêndios florestais, pois as árvores de grande porte constituem uma barreira de proteção contra incêndios. Calcula-se que 17% da área está devastada ou ocupada.

Há compromissos de clima e biodiversidade que assumimos internacionalmente e salvaguardas socioambientais que devem ser consideradas nestes processos. Não podemos retroceder e o governo precisa garantir a integridade das Unidades de Conservação e Terras Indígenas da região, impedindo que as florestas que ficaram sem proteção continuem sendo vítimas da exploração territorial e do desmatamento.


O perfil dos vencedores

Janguiê Dinizqua, 30/08/2017 - 15:15

Sempre ouvimos que pessoas vencedoras são aquelas persistentes, corajosas, que não têm medo de arriscar. Contudo, a verdade é que não há uma receita correta ou um perfil pré-determinado que indiquem como são as  pessoas vencedoras. Para vencer é preciso transformar o talento em ação, e por via de consequência em sucesso, a vontade em planejamento, a insegurança em determinação. Esses são componentes da personalidade de pessoas que, nas suas áreas de atuação, brilham mais do que as outras.

O que separa os vencedores dos perdedores? Os cientistas afirmam que vencer é um conceito interdisciplinar, que envolve teorias sociológicas e psicológicas, questões econômicas e químicas cerebrais. Os hormônios, por exemplo, são a linha de pesquisa do americano Pranjal Mehta, da Universidade de Oregon, e, de acordo com ele, componentes decisivos para a formação de um perfil bem-sucedido. Em um outro estudo, conduzido pelo Departamento de Zoologia de Cambridge, os cientistas constataram que a liderança tinha mais relação com o temperamento do indivíduo do que com seus anos de estudo.

Deixando a ciência de lado, as mudanças no mercado de trabalho com a diminuição de vagas e a necessidade de profissionais mais diversificados, é cada vez mais evidente que não há mais espaço para profissionais arrogantes, desqualificados e despreparados para enfrentar os desafios da nova sociedade digital. Dessa forma, as empresas buscam profissionais habilidosos multidisciplinarmente, com pré-disposição para o trabalho em equipe,  conhecimento de mercado, iniciativa, espírito empreendedor, persistência, otimismo, responsabilidade, criatividade e outras habilidades.

Um perfil vencedor toma decisões firmes para os seus triunfos, impondo metas, lutando sempre até ao final para realizar seus sonhos, sem nunca esquecer o que quer e o que deseja alcançar. Da mesma forma, um atleta com comportamento de vencedor não vive baseado em normas sociais, ele age baseado nos rigores do “fair play”, com autodeterminação e baseado naquilo que lhe é exigido nos treinamentos.

Perfis vencedores são aqueles que não se dão por vencidos diante dos obstáculos e, independentemente, se estão em um bom ou mal momento, continuam firmemente em seu propósito de superação, aprendendo com as dificuldades e sem se vangloriar de forma exagerada por seus méritos. Faz-se necessário entender que competência é uma palavra de senso comum e que o antônimo disso, ou seja, a incompetência, implica não só na negação dessa capacidade como também na depreciação do indivíduo diante do circuito do seu trabalho.

Não importa sua formação acadêmica nem mesmo a experiência profissional. Você pode chegar longe na vida se prestar atenção nas atitudes dos profissionais de sucesso. As empresas buscam por profissionais com perfis vencedores e adaptáveis, porque tudo no mundo moderno muda, já que estamos vivendo numa sociedade digital e disruptiva. E não estamos mais na época em que funcionários são apenas funcionários, mas sim colaboradores que tem, cada dia mais, papel ativo nas empresas.


Carreiras 3.0

Janguiê Dinizqua, 23/08/2017 - 11:09

O desenvolvimento tecnológico e as mudanças que essa “revolução” vem causando nos processos, principalmente industriais, não é novidade para nenhum de nós. As empresas têm mudado seu jeito de produzir e, como consequência, vemos a oferta e postos de empregos tornarem-se cada vez mais escassos.

São muitas incertezas no mercado e para os profissionais resta buscar seu desenvolvimento e estar preparado para quando as oportunidades surgirem. Apenas estudar  para ter um bom emprego é um pensamento do passado. Não se deve pensar somente  em emprego, mas em trabalho. A trabalhabilidade em todas as suas alternativas de produzir e gerar renda.

Não vamos confundir o conceito de trabalhabilidade com empreendedorismo. Mas, devemos aliar ambos. A trabalhabilidade vem como uma busca de atividades em tempo parcial, a colaboração baseada em resultados, a realização de atividades de consultoria, docência ou qualquer outro jeito de estar ativo. É pensar além do emprego e estar aberto a novos modelos e oportunidades.

Junto com o conceito de trabalhabilidade, que começou a ser discutido no início dos anos 2000, surge a Carreira 3.0, onde o próprio individuo é responsável pela gestão de sua carreira, buscando o trabalho mais colaborativo e conectado. Essa é, sem dúvidas, a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento – que já estamos vivendo.

Em breve, a empregabilidade deve ficar na lembrança. Pensando na evolução do processo, a carreira 1.0 trouxe as empresas como a realização de todo profissional, que tinha a sua vida cuidada pela organização até a aposentadoria. A evolução do conceito veio com a carreira 2.0, onde o desafio era ser atrativo para o mercado, pensando em outras empresas, mas ainda assim, falando-se de emprego.

Diante de tantas mudanças, qual seria o perfil para a Carreira 3.0? Muito mais que profissionais tecnicamente qualificados, os profissionais dessa nova era possuem pensamento crítico, criatividade, sabem resolver problemas complexos, tem resiliência, buscam aprendizado sempre e tem empatia com o cliente. São profissionais colaborativos, que pensam em conjunto. A cooperação, facilmente, dá mais frutos do que a competição – inclusive quando se trata de aprendizado.

Os profissionais precisam pensar em adaptação. A adaptação implica em inovação, e esta é interativa. São essas adaptações que farão o ambiente mudar e o medo não é uma opção para quem quer ter realização profissional. Aqueles que ficarem atentos à trabalhabilidade e dispostos a viver essas mudanças, sempre terão espaço no mercado. É preciso evoluir.


A educação contra a corrupção

Janguiê Dinizqui, 17/08/2017 - 11:09

A educação é o grande diferencial de qualquer país. Através dela é possível promover melhor condição social e o desenvolvimento econômico das nações. Mas, não apenas isso. O acesso amplo à educação de qualidade é um antídoto contra a corrupção. Essa afirmação vem respaldada por uma pesquisa, publicada no ano passado, sobre a percepção de desvios e a evolução da escolaridade em 78 países desde 1870, elaborada pelo cientista político sueco Bo Rosthstein.

De acordo com Rosthtein, a raiz da corrupção está no descuido histórico com a educação. Isso explicaria porque nações que foram pioneiras em valorizar o ensino público são mais transparentes com a sociedade. Além disso, os países menos corruptos do mundo, como a Alemanha, investiram desde muito cedo na educação de qualidade.

A corrupção mundial prejudica o desenvolvimento das nações e detém, a cada ano, cerca de um trilhão de dólares em propinas e subornos, de acordo com estimativas do Banco Mundial (Bird). É triste afirmar que o baixo nível de educação resulta em corrupção. Entretanto, o Brasil é nosso exemplo. O país nunca passou por uma reforma para universalizar o acesso à educação e as crianças de baixa renda são reféns de um ensino público que está, em sua maior parte, precário e sucateado.

Fica a pergunta: só é possível chegar a uma sociedade mais justa com educação? A resposta é sim. A educação é, de longe, a forma mais eficiente de chegarmos ao desenvolvimento porque ela promove integração, oportunidades iguais e, consequentemente, cobranças ao Estado. É preciso deixar claro que a educação não evita a má política, mas, a população brasileira precisa ter a consciência de que a corrupção produz pobreza e impede o desenvolvimento do país. Uma sociedade com acesso à educação é mais confiante e menos tolerante à corrupção.

É possível mudar esse contexto? Sem dúvidas. A solução para iniciar um processo de mudança está, primordialmente, na educação e na mudança de legislação para evitar a impunidade. Nesses tantos anos, evoluímos pouco. Há algum tempo, o Congresso aprovou a Lei de Acesso à Informação, um grande avanço quando pensamos no acesso de informações públicas ao cidadão. E essa, talvez, seja a melhor forma de acompanharmos e cobrarmos mudanças reais. Mas, para isso, é preciso que o povo seja educado para buscar e fazer bom uso das informações que devem estar disponíveis a todos.

Precisamos analisar que a corrupção é derivada de vários “deslizes”, como por exemplo a falta de transparência no trato do bem público, especialmente durante a realização de grandes negócios, a exemplo das privatizações. Não adianta apenas combater a corrupção se não tivermos bons gestores para administrar o país. Para acabarmos com a corrupção é preciso também punições rigorosas, uma sociedade civil organizada e com um olhar atento e crítico sobre o Estado.


Trabalhabilidade: o futuro do mercado

Janguiê Dinizqua, 09/08/2017 - 12:37

Durante muito tempo o conceito de empregabilidade se manteve em alta no mercado de trabalho e na sociedade. Com a globalização e o surgimento de novas tecnologias, o profissional precisa se adaptar as exigências do mercado, é sobre isso que trata a empregabilidade. A empregabilidade é a habilidade de se manter com um currículo atrativo no mercado de trabalho, para conseguir manter-se empregado. Entretanto, com números de desempregados no país que ultrapassam 13% do total de pessoas em idade ativa para trabalhar, surgiu um novo conceito.

Em períodos de mercado de trabalho aquecido, com bom ou alto número de vagas disponíveis, as pessoas focam na sua empregabilidade no ambiente empresarial, buscando estabilidade, segurança e retorno financeiro. Mas, como essa não é a realidade atual, as pessoas precisaram mudar o foco e descobrir outras formas de gerar renda além do emprego com carteira assinada. Foi preciso pensar na sua trabalhabilidade. Mas, o que é trabalhabilidade?

Trabalhabilidade é a capacidade de adaptação e de geração de renda a partir de habilidades pessoais. A trabalhabilidade refere-se à capacidade de gerar trabalho, mais além do emprego. É como a pessoa se vê produzindo economicamente, seja como empregado, consultor, empreendedor, enfim, todas as múltiplas formas de trabalho. A trabalhabilidade amplia o conceito de empregabilidade para outras fontes de renda e possibilidades de trabalho, porque o emprego tem limitações e não deve ser encarado como única opção.

E como saber se você tem trabalhabilidade? Quem possui trabalhabilidade é aquele profissional que, por competência, é capaz de gerar o seu próprio posto de trabalho e também, em muitos casos, gerar trabalho para outros. É capaz de gerar renda, prestar serviços e se manter em atividade colaborando para o bom funcionamento do sistema.

Os jovens se vêm em uma época onde dinamismo é vital, a multifuncionalidade é essencial. No entanto, dominar os instrumentos tecnológicos e o conhecimento profundo sobre mais de um tema, aumenta as chances, mas não garante a ascensão da carreira. Focar na trabalhabilidade permite que o profissional tenha autonomia sobre sua carreira, pois assume a capacidade de gerir seu próprio destino e individualiza a responsabilidade sobre seu sucesso.

A redução do emprego é uma tendência evidente atualmente devido à automação de inúmeros processos de produção de bens e serviços, ou seja, a sustentação da carreira e do mercado de trabalho em longo prazo é pautada na tecnologia, e, por consequência demandará mudanças, novas habilidades, novos conhecimentos, novos empregos. Quem foca a trabalhabilidade, ao invés da empregabilidade, adquire uma sensação de autonomia na carreira.

Hoje, as competências mais valorizadas pelo mercado são: aplicar os conhecimentos adquiridos; ter flexibilidade e inteligência emocional; possuir qualificação; possuir autoconfiança e valores sólidos; ser capaz de se ajustar as constantes transformações; ter bom desempenho; possuir capacidade de assumir riscos; ter integridade pessoal e profissional; aperfeiçoar a capacidade de atuar em parceria; assumir posições de liderança; etc. Expandir e ampliar seu potencial de trabalhabilidade tem de ser planejado.

Entramos na era do talento, um cenário que privilegia os profissionais capazes de desenvolver um modo próprio de fazer algo da melhor maneira possível.


As escolas e os recursos tecnológicos

Janguiê Dinizseg, 31/07/2017 - 15:39

Todos os dias novas tecnologias são lançadas e levando-se em consideração a importância dos recursos tecnológicos na vida social e prática do homem, fica cada dia mais evidente a insatisfação dos alunos em relação a aulas ditas "tradicionais", ou seja, aulas expositivas nas quais são utilizados apenas o quadro e o giz. O aprender por aprender já não existe. Com sede de conhecimento, os alunos querem saber para que e por que precisam estudar determinado assunto.

Nos últimos anos as escolas foram invadida por celulares, tablets, aplicativos e redes sociais. E para lidar com tudo isso de forma natural, com o objetivo de promover a educação, sem gerar desconfortos ou algo que possa prejudicar a espontaneidade do educador e, até mesmo, a liberdade de um aluno, as escolas precisam acompanhar a modernização social.

O uso da informática na educação implica em novas formas de comunicar, de pensar, de ensinar e de aprender. Ela é capaz, inclusive, de ajudar aqueles que estão com a aprendizagem muito aquém da esperada. A tecnologia na escola não deve ser concebida ou se resumir a disciplina de informática no currículo, porém, deve ser vista e utilizada como um recurso para auxiliar o professor na integração dos conteúdos curriculares.

Hoje, os professores se veem diante do que pode ser considerado, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma grande oportunidade: utilizar as TCI (tecnologias da comunicação da informação), como meio para construir e difundir conhecimentos. Entretanto, é preciso concretizar a necessária mudança de paradigma educacional, utilizando a tecnologia nos processos de criação, gestão e reorganização das situações de aprendizagem.

As facilidades técnicas oferecidas pelos computadores também possibilitam a exploração de um leque ilimitado de ações pedagógicas, permitindo uma grande diversidade de atividades. O professor deve, então, pesquisar, conhecer o que as novas tecnologias têm a oferecer a fim de tornar suas aulas mais atrativas, criando condições de aprendizagem por meio de recursos computacionais. 

Já para as escolas, também é preciso pensar em tecnologia. Adquirir equipamentos tecnológicos para uso em sala de aula obviamente envolve investimentos, tanto financeiros quanto de capacitação de pessoal para lidar com essa novidade. Contudo, embora esse seja um procedimento oneroso em um primeiro momento, sua relação custo-benefício é positiva, considerando que a médio e longo prazo trará um retorno recompensador aos processos de aprendizagem e à imagem da instituição.

É muito mais fácil assimilar conteúdos de maneira ilustrativa, dinâmica e com linguagem próxima daquela vivenciada em momentos de lazer do que através de um recurso estático, que em nada condiz com as nossas rotinas diárias.

A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional propõe uma prática educacional adequada à realidade do mundo, ao mercado de trabalho e à integração do conhecimento. Desta forma, a utilização efetiva das tecnologias da informação e comunicação na escola é uma condição essencial para inserção mais completa do cidadão nesta sociedade de base tecnológica. A educação não pode viver sob o modelo antigo, com o risco de virar invisível para a sociedade. As novas tecnologias devem ser exploradas para servir como meios de construção do conhecimento e não somente para a sua difusão. 


Lobby x Tráfico de influência

Janguiê Dinizqui, 13/07/2017 - 09:28

Nos últimos tempos, o Brasil virou celeiro de combate à corrupção. Todos os dias, os noticiários nacionais trazem nas manchetes as atualizações sobre os processos contra grandes figuras da vida nacional, sejam elas de agentes públicos ou privados. Entre os crimes: corrupção ativa, corrupção passiva e, por vezes, o tráfico de influência. Mas, o que é tráfico de influência? E por que isso é crime?

O artigo 332 do Código Penal classifica tráfico de influência como “solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função”. Fica fácil entender se ligarmos a palavra ao seu crime mais comum: o tráfico de drogas.

Basicamente, o tráfico de drogas consiste na produção e revenda de um serviço ou produto ilícito para uma outra pessoa, que tem os meios e o dinheiro para consumi-lo. Como resultado, temos uma troca entre a pessoa que está vendendo o produto e a pessoa que pode precisar dele. Já o tráfico de influências acontece quando um sujeito, que tem um certo poder ou autoridade dentro do governo, recebe dinheiro para influir em decisões que favoreçam a quem paga.

A pena prevista para quem comete o crime de tráfico de influência é de prisão, de 2 a 5 anos, além de pagamento de multa. Pode haver, também, o aumento da pena caso o autor do crime alegue que a vantagem era não só para a sua empresa, mas também destinada ao funcionário público – o que é mais conhecido para nós pelo nome de pagamento de propina.

Outro ponto que é preciso esclarecer é que o lobby é diferente do tráfico de influência. Aqueles que fazem lobby procuram influenciar e convencer os dirigentes políticos sobre diversos assuntos, agindo em eventos, reuniões, etc, sem exigências ou trocas de benefícios. Nos Estados Unidos, por exemplo, o lobby, é uma atividade regulada e comum no Congresso Nacional. Apesar de não estar regulamentado, no Brasil o lobby não é proibido e, portanto, não é crime. São mais de 2 mil profissionais do lobby no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), que representa o setor.

As investigações da Operação Lava Jato tornaram o crime de tráfico de influência mais popularizado.  Um dos episódios que estão sendo investigados é o do Ministério Público Federal que apura se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu recursos da construtora Odebrecht por palestras no exterior para atuar junto ao BNDES para liberar empréstimos.

Há uma linha muito fina entre o trabalho dos lobistas e o tráfico de influências. Ambos, esbarram no limite da ética. A banalização de um crime como este é o principal indício que estamos no caminho errado do desenvolvimento, quando os debates sobre determinados temas são dispensados e tudo que deveria ser pensado com o intuito de melhorar a situação do país, torna-se apenas caso de preocupação com benefícios próprios. Práticas como essa só prejudicam a população e o crescimento, em todas as esferas, do país.

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