Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

Gamificação no ensino

Janguiê Dinizqui, 16/05/2019 - 11:05

As novas gerações já nascem em um mundo completamente digital, isso é fato. São pessoas que têm uma compreensão do mundo e se relacionam com a tecnologia de forma diferente da que nós nos relacionamos. Essa nova realidade exige mudanças em diversos aspectos da sociedade, inclusive na educação. Os nativos digitais pedem um processo de aprendizado que esteja em consonância com o que vivem fora das escolas, um contexto digital. Um dos recursos que podem ajudar no ensino dessa geração Centennials é a gamificação.

 Esse termo se refere à aplicação de conceitos relativos aos videogames em outras áreas. Aqui, nos atemos a seu uso no processo de ensino-aprendizagem. Hoje, toda criança tem um smartphone e costuma jogar nele. Assim, já tem introjetados vários conceitos do mundo dos games, como a competição, o raciocínio, os objetivos em etapas, a resolução de problemas e mesmo a lida com as perdas. Isso faz que o uso da gamificação na escola, ou mesmo no ambiente acadêmico superior, seja ainda mais propício. Agregar esses elementos cria um ambiente mais lúdico e quebra o paradigma tradicionalista do meio escolar, muitas vezes pouco atraente.

 A pesquisa Game Brasil 2018, desenvolvida pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), apontou que 75,5% dos brasileiros jogam, independente da plataforma, jogos eletrônicos. Enquanto isso, 30% dos respondentes afirmaram que consomem jogos de tabuleiro e 34,9% que jogam jogos de cartas. Ou seja, podemos dizer jogar é que um hábito do brasileiro. O smartphone se mostrou como a plataforma mais utilizada para jogos eletrônicos (84%), seguido pelo console (46%) e o computador (45%). 

 Por que não, por exemplo, levar esses recursos para a sala de aula? Cabe às escolas e aos professores desenvolverem metodologias que cativem e estimulem os alunos a serem mais participativos, além de experienciarem a vivência dos conteúdos de forma diferenciada. Com a gamificação, é possível, por exemplo, aplicar soluções baseadas em níveis de aprendizado, com os “estágios” sendo desbloqueados após determinadas conquistas; ou, ainda, a resolução de problemas com puzzles que estimulem o raciocínio do estudante.

 A educação brasileira ainda é muito tradicionalista, mas já existem iniciativas boas no sentido da inovação. Gamificar o ensino certamente é uma estratégia interessante e atrativa até mesmo para simplificar a obtenção de conteúdo e a percepção dos conceitos mais difíceis de aprender. Já passou da hora de as escolas utilizarem os recursos tecnológicos não apenas como acessórios às aulas, mas de forma inteligente e integrada, assim como eles fazem parte da vida dos estudantes.


O impacto das fintechs no mercado financeiro do Brasil

Janguiê Dinizseg, 29/04/2019 - 16:17

O mercado financeiro brasileiro vem passando por grandes mudanças. Se, antes, um número reduzido de empresas de grande porte dominava o setor, hoje, a situação é bem diferente. Com o desenvolvimento das tecnologias e o surgimento das fintechs – startups da área financeira – e dos bancos digitais, a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro e suas transações está, paulatinamente, se diversificando. 

 Agora, ninguém precisa mais ficar preso a um banco ou a uma financeira, com seus juros altos e taxas sobre todas as operações. Com essa nova realidade, as fintechs têm se tornado grandes empresas que conseguem competir – embora ainda não em pé de igualdade – com os grandes bancos.

 O Banco Central vem, desde 2017, concedendo abertura às fintechs para vários tipos de operações antes feitas apenas pelas instituições financeiras tradicionais. Esse movimento permitiu, por exemplo, que a Nubank, já considerada a fintech mais inovadora da América Latina, e tantas outras, como Neon e Next, passassem a oferecer diversos serviços, desde contas correntes e para recebimento de salário, empréstimos e pagamentos com cartão de crédito.

 Um levantamento do Finnovation mostrou que o número de startups que atuam no segmento quase dobrou entre o fim de 2016 e o meio de 2018, chegando a quase 400 delas. Elas oferecem serviços como meios de pagamentos, gestão financeira e empréstimos.

 A vantagem primordial das fintechs e dos bancos digitais é que eles conseguem oferecer serviços com preços, taxas e cobranças mais baixos que as instituições financeiras tradicionais. Tudo por conta da tecnologia, que permite às startups trabalhar com uma estrutura menor, total ou parcialmente online, sem necessidade de gastos com pessoal e locação de espaços, por exemplo. E ainda trazem a praticidade de o cliente conseguir fazer tudo pelo celular, sem necessidade de ir a uma agência – o que, por si só, já é uma grande vantagem, pois evita gasto de tempo com deslocamento e as grandes filas.

A força das fintechs é tão grande que até mesmo alguns grandes bancos criaram suas startups para oferecer esse novo modelo de serviço aos clientes. O Next, por exemplo, foi criado pelo Bradesco. É uma mudança estrutural marcante nesse mercado que, no Brasil, sempre foi muito dominado por poucas empresas. Essa quebra de paradigma é muito boa para o consumidor, que passa a ter mais opções para escolher, e estimula a competitividade, o que pode fazer com que as companhias que antes dominavam o setor busquem se adaptar a uma nova realidade – e isso significa melhores serviços e menos cobranças.


Israel, nação inovadora

Janguiê Dinizseg, 22/04/2019 - 10:56

Israel é um país do tamanho do estado brasileiro de Sergipe, tem apenas 70 anos de existência e menos de 9 milhões de habitantes. Além disso, está situado em uma região desértica com escassez de recursos. Como poderia, então, esta nação se tornar uma potência no desenvolvimento de tecnologias inovadoras? A resposta vem em dois fatores principais: educação e necessidade.

A educação é uma prioridade israelense e sua sociedade dá grande valor ao conhecimento. Para se ter ideia, o país, com menos de 9 milhões de habitantes, já acumula doze ganhadores do Prêmio Nobel - enquanto o Brasil, que tem 200 milhões de pessoas e 500 anos de história, nunca teve um vencedor.

Além disso, após sua criação, Israel teve um grande desenvolvimento militar, a fim de se proteger de possíveis ameaças externas. Com isso, nas Forças Armadas, passou a ser estimulado o estudo das engenharias, não só para criação de soluções bélicas, mas para várias outras frentes. Isso abriu portas para o desenvolvimento de produtos de tecnologia avançados, um mercado que Israel soube e sabe explorar com propriedade. Hoje, é o país que mais investe em pesquisa e desenvolvimento em relação ao PIB: 4,5%. Além disso, o governo e as universidades trabalham sempre em parceria com a iniciativa privada para expandir o conhecimento e a inovação.

Para se ter ideia, surgiram em Israel startups que hoje são grandes empresas conhecidas mundialmente. Por exemplo, o Waze, aplicativo de navegação por GPS que se tornou quase indispensável para motoristas, surgiu lá. Em 2013, foi comprado pelo Google por US$ 1 bilhão. Já a Mobileye, startup de soluções para mobilidade de carros autônomos, também é israelense e foi adquirida pela Intel pela fortuna de US$ 15,3 bilhões. Ainda é possível citar como criações israelenses o Viber, pioneiro no uso de VoIP, e o ICQ, famoso mensageiro sucesso nos anos 1990 e 2000. 

O fator necessidade também foi um grande impulsionador da inovação em Israel. Por estar situado em uma região desértica, o país sempre precisou criar soluções para se manter e par movimentar sua economia. A alta tecnologia foi uma das saídas encontradas. Hoje, 40% das exportações israelenses são de produtos tecnológicos. Some-se a isso a obrigatoriedade do serviço militar para homens e mulheres, a cultura militar incute no pensamento dos jovens o senso de responsabilidade e trabalho em equipe, o que faz com que muitos deixem o Exército já com o desejo de empreender e criar soluções que gerem impacto na sociedade.

Israel é, de fato, um exemplo a ser seguido pelo Brasil, que vem cortando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento e que, mesmo com um povo bastante criativo e inovador, não consegue liberar todo seu potencial. É fato que, em um país de dimensões continentais, estabelecer políticas que abranjam todo o território e atendam às diversas necessidades da população é mais difícil, mas é um esforço necessário se quisermos nos desenvolver mais e competir internacionalmente. Caso contrário, continuaremos a ser os históricos exportadores de commodities.


A nova economia e as relações de consumo na era da inovação

Janguiê Dinizqua, 10/04/2019 - 15:15

O termo “nova economia” foi utilizado pela primeira vez em 1996, pela revista norte-americana BusinessWeek e fala da transição de uma economia baseada na indústria para uma economia baseada nos serviços. Apesar de já se terem transcorrido 23 anos, a expressão se mantém atual, pois o cenário econômico mundial tem se renovado, e cada vez mais rapidamente. Com o desenvolvimento das novas tecnologias, a economia de serviços ganha força e impulsiona o crescimento das startups.

Nesse cenário, a inovação e a disrupção são as palavras de ordem. O foco deixa de ser o ambiente físico para ser o virtual. E é assim que surgem as grandes empresas nascidas em garagens, as startups que explodem criando soluções que mudam paradigmas e facilitam a vida das pessoas. Essa nova economia é composta por quatro tipos de negócios: os criativos, os sociais ou de impacto, os inovadores e os escaláveis.

A disrupção é sempre presente na realidade da nova economia. Se, antes, uma empresa dependia das demandas do mercado, hoje ela própria cria uma necessidade. Imagine que, 15 anos atrás, os smartphones nem existiam e todo mundo vivia muito bem sem eles. Hoje, é quase impensável para muitas pessoas sair de casa sem seu aparelho. Acontece que rompeu-se um paradigma de mercado com o surgimento de um novo nicho, mais moderno e tecnológico. Isso é disrupção.

Na era da nova economia, empresas que não trabalham com disrupção correm grande risco de ficar para trás na competição pela clientela. Afinal, estamos permanentemente conectados e o ambiente digital tornou-se parte do dia a dia. Quem não se utiliza desse meio de infinitas possibilidades acaba se restringindo e não consegue alcançar o público que poderia.

Essa característica volátil e mutável do mercado se reflete na forma como as empresas se comportam atualmente. Estima-se que os negócios tenham tempos de vida mais curtos – de três a cinco anos. Se isso significa que estão fadados à morte? De jeito nenhum, caso consigam se reinventar e adaptar às novas realidades que se apresentam a cada momento. É um trabalho árduo e complicado, que requer muita atenção ao mercado e ao público, mas necessário para quem quer sobreviver. Em suma, a nova economia exige muito mais dedicação dos empreendedores e empresários para que suas companhias se mantenham sempre competitivas.


Mercado “premia” quem é mais inovador

Janguiê Dinizqua, 27/03/2019 - 16:39

Inovação deve ser uma constante para qualquer empresa que deseja se manter acima das outras. É preciso buscar constantemente novas opções, criar, diferenciar-se. Quem permanece no mesmo lugar perde espaço para aqueles que pensam fora da caixa. Isso acontece até mesmo com a Apple. A companhia caiu da primeira para a 17ª colocação no ranking das 50 empresas mais inovadoras do mundo da revista Fast Company. O primeiro lugar ficou com a chinesa Meituan Dianping, plataforma digital que integra serviços para facilitar a vida dos usuários.

Foi uma queda e tanto para a empresa de Steve Jobs, que desde 2015 se mantinha entre as 10 mais e chegou à primeira colocação em 2018. Acontece que, como analisou a Fast Company, diferente da edição anterior da lista, em que a Apple teve destaque pelo lançamento do iPhone X e dos Air Pods, a companhia não trouxe grandes inovações esse ano, apresentando basicamente melhorias de processamento em seus gadgets.

Já a Meituan Dianping, líder do ranking atual, é uma plataforma que facilita a reserva e entrega de serviços como alimentos, estadias em hotéis e ingressos de cinema. O “super app”, como é chamado, facilitou 27,7 bilhões de transações, no valor de US$ 33,8 bilhões, para mais de 350 milhões de pessoas em 2.800 cidades. Os números superlativos, claro, se devem ao gigante mercado chinês, país mais populoso do mundo, mas também aos investimentos em inovação e aprimoramento de seus serviços que a Meituan realiza.

É uma prova de que dedicar recursos para pesquisa e desenvolvimento resulta em diferenciais competitivos. O mercado atual é acirradíssimo e globalizado, o que requer das empresas a constante preocupação com oferecer novas soluções a seu público, atendendo as necessidades da clientela de forma criativa e personalizada. A Meituan Dianping criou uma espécie de “hub de serviços”, concentrando funcionalidades de vários aplicativos em um só lugar. Isso é inovar.

O ranking da Fast Company também tem espaço para brasileiros. A Nubank, fintech nacional que vem ganhando cada vez mais notoriedade, ficou na 36ª colocação, sendo a de maior destaque da América Latina. O banco digital inovou ao oferecer alternativas aos clientes, antes presos a um limitado número de instituições financeiras que praticam juros altos e ainda são muito tradicionais. A Nubank apostou na tecnologia para descomplicar a vida do usuário e vem expandindo seu portfólio de produtos.

Todos esses pontos corroboram a ideia de que a inovação é uma real necessidade. É preciso pensar diferente, agir diferente, ser diferente. Quem mais consegue se diferenciar tem mais chance de ter sucesso e progredir. O que não pode é insistir em modelos tradicionais que não atentam para os novos pleitos do mercado.


Ideia, criatividade e ação = inovação

Janguiê Dinizqui, 21/03/2019 - 16:38

O mundo dos negócios está mudando cada vez mais rápido. Todos os dias são criadas milhares de novas empresas, que oferecem produtos e serviços para os clientes em potencial. Se destacar nesse mercado é cada vez mais difícil e características como preço e qualidade não podem ser consideradas como únicos pontos de diferenciação dos concorrentes.

A inovação tem sido um tema bastante debatido e explorado como ponto fundamental de sobrevivência nesse novo mercado. Inovar é uma coisa simples, mas as pessoas tendem a complicar quando ligam inovação às melhores ideias e com a finalidade de ter novos produtos ou serviços. Inovar é ter novas ideias, mas é também ter soluções novas ou melhores do que as que disponíveis no mercado. Inovar é agregar valor ao produto ou serviço, entregando melhores experiências aos clientes e gerando ganhos excepcionais para o negócio.

Ser criativo faz parte do processo de inovação, mas criatividade e inovação são conceitos completamente diferentes. Todos nós somos altamente capazes de ter uma enorme quantidade de ideias. A diferença está no que você será capaz de fazer com cada uma delas. A criatividade é o primeiro passo da inovação. Afinal, ideia sem ação não gera resultados e não torna ninguém bem-sucedido.

Particularmente, acredito que o melhor conceito que define inovação é “executar ideias”. Não precisam ser ideias que irão mudar o mundo, mas ideias que sejam capazes de agregar valor ao negócio. Ou seja, uma ideia inovadora é aquela que apresenta benefícios na prática. O grande desafio dos empreendedores é encontrar a criatividade e inovação de forma que se materializem em uma proposta viável e útil.

Todo o processo de inovação inicia-se de um processo criativo e, para desenvolver o pensamento criativo, é preciso aprender a desaprender.  Ou seja, inovar é, por consequência, rever, questionar, descobrir, e, posteriormente, usar a imaginação, intuição, criação, sentimento, lógica, razão, sistematização e planejamento.

Vivemos num mundo de mudanças, aprimoramento, riscos e oportunidades. Muitos falam que é preciso pensar fora da caixa para sobreviver, porém, muitos não sabem por onde começar. Ora, pensar fora da caixa é uma expressão que pode ser entendida simplesmente como ter ideias ou encontrar soluções que fogem do comum – ou seja, inovar.

Em um mercado tão competitivo, apenas as empresas que conseguem ter ideias e mostrar propostas inovadoras serão bem-sucedidas e conseguirão conquistar o público. Ter novas ideias, criatividade e coragem para agir que consagram o que chamamos de inovação,  são características inerentes aos empreendedores de sucesso.


A importância de inovar nas empresas

Janguiê Dinizter, 12/03/2019 - 10:02

O mundo tem mudado cada vez mais rápido. Acompanhar essas tendências já não é mais opção, é questão de sobrevivência. A lista das empresas que se recusaram a inovar para acompanhar o mercado e acabaram declarando falência não é pequena e desconhecida. Blockbuster, Kodak, Xerox, Yahoo... todos esses nomes fizeram história no mercado mundial e acabaram sendo esquecidas por não entender a necessidade de inovar.

O primeiro passo para entender a inovação nas empresas é não pensar que ela está restrita apenas à uma nova gestão empresarial criativa. Mas, que inovar também está ligado a ofertar serviços diferenciados, melhorar a produção, reinventar a distribuição, proceder a transformação digital em uma empresa já existente. Inovar é avançar com os negócios, é reinventar os processos, é identificar oportunidades, e é, inclusive, ganhar mais, gastando menos.

É um grave erro achar que apenas grandes empresas conseguem inovar. A inovação precisa ser características tanto de pequenos quanto de grandes negócios. Empresas inovadoras pensam de dentro para  fora, criando um capital intelectual, conversando com seus funcionários e enxergando problemas como oportunidades.

 Podemos entender o processo de inovação de duas maneiras: emergente e disruptivo. Entendê-los é fácil. A inovação disruptiva está diretamente ligada a fazer algo novo, do zero. É quando um produto, processo ou negócio nunca visto antes é criado e colocado em prática. Já a inovação emergente é aquela que traz a proposta e garantia de melhorias de algo que já existe.

 É importante ressaltar que o empreendedor não deve pensar em inovação como um custo para seu negócio. Não importa se a inovação é básica ou radical, o processo gera impactos e muitos resultados positivos além do lucro, propriamente dito. Inovar traz, acima de qualquer coisa, visibilidade para o negócio.

Inovação virou item imprescindível que há rankings de avaliação anuais para identificar as empresas mais inovadoras, como o Ranking Fast Company que reúne as 50 empresas mais inovadoras e, em 2017, elegeu a Amazon como a mais inovadora – a empresa é focada em buscar melhorias na experiência dos clientes nas compras.

 Inovar é, acima de qualquer coisa, questionar. A melhor forma de iniciar o processo de inovação é colocar-se no lugar do seu cliente e perguntar o que pode ser feito para melhorar o produto ou serviço oferecido. É desafiar-se a fazer diferente e melhor. É buscar sempre o novo e saber que não há fórmula certa para o sucesso, mas que adicionando-se criatividade com ação  ao processo empreendedor, a inovação será uma constante.


Cultura de inovação tem que vir de berço

Janguiê Dinizter, 26/02/2019 - 15:16

Muito se fala, hoje, da necessidade de inovar. Empresas são cobradas a serem diferentes. Dos funcionários, é exigido “pensar fora da caixa”. E nada disso é injusto, diga-se a verdade. É realmente preciso que se crie novas soluções, produtos e serviços. O problema é que os profissionais do mercado de trabalho atual – e os que estão para entrar nele – ainda não estão preparados como deveriam para essa nova realidade. Ainda não há, no Brasil, uma cultura de estímulo à inovação estruturada desde a infância, por exemplo.

Para termos profissionais com pensamento realmente disruptivo, é necessário nutri-los muito antes da entrada no mercado de trabalho ou mesmo no Ensino Superior. Essa é uma prática que deve vir da Educação Básica. Até antes disso: de casa. Pais podem e devem estimular seus filhos, desde a mais precoce idade, a pensar diferente, encontrar novas formas de resolverem tarefas, mesmo que simples. Esse incentivo vai condicionando o cérebro da criança, que poderá se tornar, mais tarde, um adulto com raciocínio mais inovador.

Isso aliado a práticas pedagógicas que também desenvolvam habilidades inovadoras. O modelo de ensino atual ainda é arcaico, alicerçado na transmissão de informações, e não no conhecimento expandido; na preparação para a realização de provas, em vez de capacitação para os problemas da vida. Considero de grande valia que as escolas e universidades adotem metodologias que permitam uma formação mais completa e em linha com as necessidades da sociedade moderna, digital e altamente mutável.

As novas gerações precisam crescer já antenadas com novas tendências e, mais que isso, precisam ser, elas próprias, criadoras de tendências, a partir de uma visão de mundo mais aberta e inovadora. Os centennials, como são chamados os nascidos a partir dos anos 2000, já vieram ao mundo em uma realidade digital e precisam ser impulsionados a se utilizarem dos recursos que a tecnologia oferta para a criação de produtos e serviços diferenciados.

Esse estímulo precoce à inovação só tende a trazer benefícios. Primeiro para os indivíduos, que poderão desenvolver habilidades e garantir a trabalhabilidade no futuro, além de terem sua capacidade inventiva e de raciocínio expandida. Também as organizações saem ganhando, por receberem funcionários que podem colaborar com a inovação empresarial e gerar novas oportunidades de negócio. No fim das contas, toda a sociedade sai ganhando.


Inovar é questão de sobrevivência

Janguiê Dinizqua, 20/02/2019 - 15:12

As startups brasileiras ainda não conseguem se sustentar adequadamente. É o que mostra levantamento da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, consultoria especializada em inovação: 74% das empresas desse tipo não sobrevivem mais do que cinco anos. Os motivos são vários, mas a falta de inovação - que deveria ser uma premissa da startup - influencia fortemente no fracasso do empreendimento. O mesmo apontamento pode ser feito para empresas tradicionais: no cenário atual, não inovar traz risco de falência.

É grande o número de empresas que sofreram grandes perdas ou mesmo foram à falência por relutarem a abraçar novas tecnologias ou manterem seus produtos os mesmos sempre. Um grande exemplo é o da Kodak: a empresa, que fora a maior do mundo no ramo de fotografia, faliu porque não se antecipou às tendências do mercado – as câmeras digitais, mais tarde também substituídas por smartphones. Insistiu na venda dos filmes fotográficos, que viriam a deixar de ser utilizados. A quebra poderia ter sido evitada se a companhia investisse em inovação – inclusive, por seu tamanho, teria a chance de, mais uma vez, ser pioneira no setor.

 

Hoje, a tecnologia além de ser um dos principais instrumentos da inovação, é uma necessidade e um diferencial. Explorar as possibilidades dos recursos tecnológicos torna-se obrigatório para as empresas que querem sobreviver e ter sustentabilidade no competitivo mercado atual. Tais recursos estão disponíveis para serem bem usados como forma de criar inovação, desenvolver novos e melhores produtos ou serviços e garantir a liderança aos que melhor souberem usufruir deles.

A situação requer ainda mais atenção quando se pensa que, justamente pelo avanço da tecnologia, a competição já não é mais local, e sim global. Empresas precisam ter em mente que seus competidores, que outrora estavam a quadras ou bairros de distância, hoje podem estar espalhados pelo mundo, em virtude da aldeia global. Não existem mais fronteiras geográficas. Cresce também o número de empresas de tecnologia e de ferramentas de computadores, que ameaçam atividades tradicionais - vide o Google, a Netflix, o Spotify, a Amazon, a Microsoft entre outras. Parece alarmista, e pode até ser, mas as corporações, quaisquer que sejam seus tamanhos ou setores de atuação, precisam estar atentas às transformações que acontecem cada vez mais rápido.

Vivemos uma realidade de mercado que tirou o poder das grandes empresas e o transferiu principalmente para o consumidor. É o público que define o que quer consumir e é justamente isso que torna a competição mais difícil: os gostos mudam e, principalmente, são diversos. A experiência precisa ser personalizada. Esse contexto já levou muitas empresas a criarem departamentos internos de inovação, a fim de desenvolver sempre soluções compatíveis com o que a clientela exige em cada momento. Esse é o futuro, ou melhor, deveria ser o presente de toda companhia que quer ter um futuro.


Para inovar, atenção ao mercado

Janguiê Dinizqui, 14/02/2019 - 17:07

Inovar não é um processo fácil, é verdade. É preciso pesquisa, esforço, dedicação, vontade, testes, várias interações, validações, mas, principalmente, atenção ao mercado, sob as óticas da concorrência e do público. Uma empresa que quer sobreviver na conjuntura econômica e tecnológica atual precisa, de fato, manter constante estudo sobre as tendências que se apresentam no mercado, sob pena de ficar para trás e, em último caso, ir à falência.

O benchmarking é uma técnica já amplamente utilizada no âmbito empresarial. Consiste, grosso modo, na comparação que uma empresa faz de suas práticas, técnicas, produtos e serviços com os de uma concorrente, a fim de melhorar sua atuação. Acredito que essa deva ser uma conduta ainda mais presente no cenário atual.

É preciso saber o que a concorrência está fazendo, como está lidando com as demandas do mercado, que caminhos toma para atender às necessidades do público. Assim, é possível se aprimorar – e isso não tem a ver com cópia ou plágio. Uma organização que não acompanha a realidade de mercado em que está inserida fica ameaçada de perder espaço.

Estamos na chamada Quarta Revolução Industrial, marcada pelas tecnologias digitais. Nesse contexto, em que já há mais smartphones do que pessoas no mundo e vivemos conectados, com experiências personalizadas, o público é que define as tendências do mercado – o contrário do que acontecia no século passado. Não se pode mais querer ofertar um produto ou serviço e esperar que ele seja aceito de qualquer forma pela clientela.

Hoje, o consumidor é exigente, quer que tudo seja feito do seu jeito. Lidar com esse tipo de demanda é talvez o maior desafio das empresas que querem inovar. Imprescindível se faz ter contato perene com seus clientes, investir em pesquisa e desenvolvimento para oferecer soluções cada vez mais adequadas às necessidades. Há que se pensar que um cliente satisfeito tem um grande poder: o de propagar sua marca.

O mercado atual não é para amadores. É competitivo, mutável, inconstante e acelerado. Isso exige das empresas e, consequentemente, dos profissionais cada vez mais atenção e profissionalização. A Internet das Coisas, tida como o “futuro”, já é uma realidade do presente que modificará substancialmente as relações de consumo nos próximos anos. Estamos preparados?

Páginas