Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


Os temas de debate para 2015

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qua, 25/02/2015 - 22:39

Fevereiro marca a volta ao trabalho dos parlamentares brasileiros. Este ano, o mês foi um pouco mais curto devido ao feriado de carnaval, mas com a volta das atividades legislativas, temas como a reforma do ICMS e a convalidação de incentivos fiscais concedidos pelos estados, que não puderam ter a discussão concluída em 2014, voltam ao debate.

Os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, respectivamente, no discurso do dia 02 de fevereiro, defenderam as reformas política e tributária como prioridades do Congresso Nacional. A verdade é que não apenas esses temas, mas a aprovação do Código Penal, a Lei de Licitações e o aprofundamento da regulamentação do Orçamento Impositivo, incluindo as emendas coletivas e de comissão precisam ser discutidos em 2015.

É de conhecimento público o tamanho da nossa carga tributária, uma das maiores do mundo. Desde 2014, um grupo de trabalho analisa propostas de reforma tributária na Câmara dos Deputados. O debate se arrasta há mais de duas décadas. Pensar apenas em uma reforma tributária seria um erro para o momento que o nosso país vive. É preciso pensar em reformas trabalhistas, previdenciárias e do pacto federativo conjuntamente, porque estes são assuntos intrinsicamente ligados.

Faz-se necessário realizar tais reformas para simplificar e desburocratizar os ambientes tributário e regulatório do País, especialmente quando pensamos no âmbito microeconômico, para melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Com impostos em crescimento constante, temos renda pessoal da população cada vez menor, acarretando em menos consumo, empregos, desenvolvimento, etc. Além da drástica quantidade de impostos, que precisa ser reduzida a níveis civilizados.

Entretanto, não se trata simplesmente de baixar a carga tributária, propondo redução das alíquotas, desonerando setores econômicos específicos do país, aplicando redução da carga fiscal para determinadas atividades que tenham baixo faturamento. Aliado a essas reformas, é preciso uma redefinição da política comercial brasileira.

Pensar no estreitamento das relações com os Estados Unidos e em uma maior aproximação com os países da Aliança do Pacífico, como Chile, Colômbia, México e Peru, mas sem reduzir o papel estratégico do Mercosul é necessário para garantir o desenvolvimento socioeconômico contínuo do Brasil.

Contudo, antes de todas essas propostas e ações, é preciso melhorar a política. Melhorar a política para que a política ajude a melhorar o Brasil.


Pátria educadora

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 13/02/2015 - 10:18

Investimento em educação pública é tese antiga e consensual. Certamente, não existem pessoas dispostas a criticar os gastos públicos com educação. O chavão comum, mas importante, é que a solução de todos os males de qualquer sociedade, passa, obrigatoriamente, por investimentos públicos em educação.

A educação está dividida em três âmbitos principais: Ensino básico; Ensino médio; e Ensino superior. No Brasil, até o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), a tradição era de que todos os âmbitos estavam sob a responsabilidade do poder estatal. Porém, durante o governo FHC, ocorre adequada inflexão: o ministro Paulo Renato de Souza cria condições para a expansão do Ensino Superior Privado. Com isto, mais oportunidades de estudo foram ofertadas para os brasileiros.

Se antes a porta de entrada para o Ensino Superior dependia, exclusivamente, da oferta de vagas nas universidades públicas, o então ministro Paulo Renato colocou fim a restrição e criou oportunidades ao possibilitar a inauguração de diversas instituições privadas de ensino superior.

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (Lula) não interrompeu a expansão do ensino superior privado. Ao contrário. Criou, através da iniciativa do então ministro da Educação, Tasso Genro, o Programa Universidade para Todos (Prouni) e ampliou o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), que havia sido criado em 1999, pelo presidente FHC.

Encerrava-se ali a dicotomia entre ensino superior público e ensino superior, que impedia a criação de oportunidades para milhões de brasileiros que não conseguiam entrar em uma universidade pública. Portanto, parceria público-privada, tão comum em qualquer país desenvolvido, passou a existir na oferta de vagas na educação superior.

A presidente Dilma ao assumir, em 2011, o seu primeiro mandato presidencial, preservou as meritórias iniciativas dos governos FHC e Lula no que se referia ao ensino superior privado. E foi mais além: criou, em 2011, o Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego - Pronatec. Através dele, os brasileiros encontraram mais oportunidades para a qualificação profissional.

A parceria público-privada possibilitou que os brasileiros aproveitassem as oportunidades do crescimento econômico. Permitiu a ampliação do consumo, inclusive de bens culturais. E consolidou a imagem do Brasil no exterior como país promissor. Diante desta realidade, o Brasil não pode recuar no que se refere aos investimentos nos três níveis educacionais. A parceria público-privada precisa continuar no ensino superior e ser estendida para os ensinos básico e médio. Medidas restritivas como as implementas no último mês referentes ao Fies devem ser evitadas. Os desafios do Brasil só serão superados com a oferta de mais oportunidades para os brasileiros na área da educação.   


Balas e vidas perdidas

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 06/02/2015 - 14:04

Mais uma vez, o número de casos de morte por balas perdidas aumenta no Brasil. Dados de 2014, revelados por um estudo da Organização das Nações Unidas - ONU, mostraram que o Brasil é o segundo país na América Latina com maior número de morte por esse tipo de ocorrência, ficando atrás apenas da Venezuela. Infelizmente, além da tragédia, as famílias dos mortos precisam enfrentam a impunidade do crime.

Em meados de 1990, o Rio de Janeiro era constantemente citado na mídia pelo número de pessoas vítimas de balas perdidas nas ruas. Na época, as justificativas para os índices eram os conflitos entre polícia e traficantes dos morros da cidade, além dos confrontos à distância, de um morro para o outro, entre os criminosos. Tamanha foi a repercussão que proprietários de imóveis residenciais e comerciais passaram a blindar as janelas.

Foi a partir desses eventos que, no Rio de Janeiro, começaram a ser implantadas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). As UPPs trouxeram um ar de tranquilidade às comunidades cariocas, diminuindo o número de vítimas de balas perdidas e, também, a violência na região. Se em 2007, ano que mantém o pior índice, 279 pessoas foram baleadas e 21 mortas, em 2009, após a implementação da política das UPPs, o número de mortos foi quase três vezes menor, à semelhança do que ocorreu com outros crimes.

Infelizmente, a maioria das investigações sobre mortes por balas perdidas acaba sendo arquivada por falta de provas. São mortes que muitas vezes ficam sem respostas, sem punição. E famílias que ficam desacreditadas que a justiça possa ser feita. Pensar em uma morte por bala perdida é como pensar em um crime sem culpados. 

Claro que ainda não podemos comparar os casos de agora com os do passado. Ainda não é possível avaliar se é um aumento de casos isolados ou a consequência de uma movimentação de traficantes em busca de novos territórios.  Entretanto, é preciso se preocupar antes que os fatos do passado tornem a se repetir. 

A sociedade não pode ser indiferente a essas mortes. Não apenas por se tratar de um crime contra um cidadão, na maioria das vezes, inocente, mas também por ser uma questão que envolve muito mais que isso. É preciso garantir a segurança pública para que as crianças possam ir às escolas, os trabalhadores aos empregos e para que a cidade continue em funcionamento. 

Vale lembrar que uma cidade turística, como o Rio de Janeiro, se torna mais atrativa aos turistas quando ela transmite a "sensação maior de ordem pública e segurança".


A intolerância religiosa

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qui, 29/01/2015 - 14:03

Somos mais de sete bilhões de pessoas no planeta. Entre tanta diversidade de povos e culturas, encontramos centenas de religiões diferentes. O termo “religião” vem do latim “religare” que significa, em termos simples, religar, voltar a unir duas partes que estavam separadas. Infelizmente, a união nem sempre tem sido a premissa cultivada por alguns grupos.

Recentemente, o mundo ficou chocado com o ataque ao jornal Charlie Hebdo, em Paris. Um ato contra a liberdade e uma demonstração clara de intolerância religiosa. Aliás, no mundo todo, assiste-se a esse tipo de intolerância. No Brasil, por exemplo, apenas em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa e as principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.

Voltando ao ataque à redação do Charlie Hebdo, o ato deixou 12 mortos, 11 feridos e uma revolta mundial. Ainda sem ter sido reivindicado, entretanto, atribuído a islamistas, o ataque à redação do veículo pode gerar mais hostilidade em relação aos muçulmanos que residem na Europa. Isso porque, infelizmente, atos de pequenos grupos extremistas fazem com que toda uma religião seja transformada em vilã.

Se falarmos dos países do ocidente, em toda a história da humanidade, nunca as pessoas tiveram tantas possibilidades de escolher e manifestar opiniões e crenças diferentes das que antes eram predominantes na sociedade. Entretanto, apesar a diversidade de opiniões e da liberdade crescente para divergir de opiniões, não houve um aumento da tolerância das pessoas.

O episódio do Charlie Hebdo traz à tona novas discussões sobre a intolerância religiosa e o que fazer para acabar com atos como o ocorrido. Acreditamos que casos como estes estão ligados à falta de conhecimento e à reprodução de estereótipos. Para combater a intolerância é necessária, além da própria educação religiosa, a participação de uma imprensa ativa nas denúncias e no trabalho de esclarecimento à população, com canais de participação e outras ações.

No mundo, somos muitas culturas, em muitos países e que precisam aprender a conviver juntas. A consciência deve nos levar a diferenciar o Islamismo como religião de grupos terroristas e extremistas que tentam se justificar nas crenças religiosas, mas que, na verdade, não tem religião. Existe um meio muito bom para que possamos conseguir essa paz entre todos. O diálogo.


Enquanto isso, na Suécia...

Janguiê Dinizpor ter, 13/01/2015 - 15:15

o contrário do Brasil, que tem prisões superlotadas e falta de políticas públicas para ressocialização dos detentos, a Suécia anunciou o fechamento de quatro prisões. A Holanda também vem dando o mesmo exemplo e, em 2012, fechou oito presídios. Hoje, uma das prisões holandesas que antes causava prejuízo à economia do país, deu lugar a um hotel de luxo.

Claro que estas decisões não são resultados de trabalhos recentes. O número de presidiários na Suécia, que vinha caindo em cerca de 1% ao ano desde 2004, caiu em 6% de 2011 para 2012 e deve registrar declínio semelhante este ano e no ano que vem. A grande questão é: por que Holanda e Suécia estão fechando prisões, enquanto Brasil e EUA estão aumentando os presos?

Na Suécia, 112º país do mundo em população carcerária, são 4.852 presidiários para 9,5 milhões de habitantes – 51 para cada 100 mil habitantes. Já no Brasil, que tem a 4ª maior população carcerária do mundo, são 584.003 detentos, ou 274 por 100 mil habitantes.

A queda contínua no número de presidiários na Suécia tem algumas explicações: investimentos na reabilitação de presos, ajudando-os a ser reinseridos na sociedade; penas mais leves para delitos considerados menos graves e adoção de penas alternativas, como liberdade vigiada, em alguns casos. De fato, as penas alternativas e investimento na ressocialização de detentos derrubaram a população carcerária  sueca.

O que esperar do sistema carcerário brasileiro, que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece para que isso realmente aconteça? Nossos presídios estão em estado de depredação, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos e praticamente nenhum incentivo cultural.

O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. Aqui, a taxa média de reincidência – vale ressaltar que este número é admitido pelas autoridades, mas nunca foi comprovado empiricamente - é de 70%. Com uma política semelhante às aplicadas na Suécia e na Holanda, a superpopulação carcerária no Brasil, e em outros países, poderia ser bastante atenuada.

Que seja possível aprendermos com a Holanda e a Suécia a educar e a fornecer subsídios para aqueles que estão ou já estiveram em situação de cárcere. Oportunidades de educação e trabalho são capazes de transformar pessoas.


O culto ao corpo perfeito

Janguiê Dinizpor qua, 07/01/2015 - 13:15

A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres quanto os homens. Há, nas sociedades contemporâneas, uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética. A principal prova dessa afirmação está nas incontáveis linhas de cosméticos, academias, centros de estética e de cirurgia plástica, além de revistas sobre beleza e boa forma que prometem dietas milagrosas.

Com uma ampla variedade, o mercado da aparência física é um dos que mais cresce atualmente. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo coloca-se hoje como preocupação geral, que perpassa todas as classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso que ora se baseia na questão estética, ora na preocupação com a saúde.

Há registros bem antigos sobre a preocupação social com o corpo humano. Na Grécia Antiga, na busca pela perfeição, a beleza física era altamente valorizada, juntamente com um intelecto desenvolvido. Já na Idade Média, com a supremacia da igreja, predominou um dualismo entre corpo como fonte de pecado e alma como objeto de salvação. O culto à estética corporal foi proibido, assim como a exposição do corpo humano, mesmo nas artes.

Hoje, apesar de pessoas com o corpo perfeitamente em conformidade, o mercado da estética faz com que a mesma propaganda que anuncia a oferta crie a demanda. É cada vez mais comum que a mídia, em suas programações, destine cada vez maiores espaços para apresentar novidades em setores de cosméticos, de alimentação e vestuário. Propagandas veiculadas nessas mídias estão o tempo todo tentando vender o que não está disponível nas prateleiras: que o sucesso e felicidade dependem de um padrão de beleza imposto por eles.

Claramente não defendo o sedentarismo e acomodação. Acredito que ser saudável e buscar melhorias físicas são possíveis e necessárias para viver com mais saúde e disposição. O problema é quando essa busca causa algum tipo de doença como anorexia, bulimia ou uso de anabolizantes. Uma pesquisa realizada na Universidade de Edinburgh, na Inglaterra, mostrou que, ao acompanhar por uma década pessoas que viviam fora dos padrões, tanto de comportamento como estéticos, quem não se importa com as opiniões alheias é mais seguro, menos estressado, mais feliz e tende a viver por mais tempo.

O aspecto físico não pode ser o único sinônimo de êxito e felicidade. Significa estar e sentir-se bem e confiante mesmo contrariando os moldes que os padrões impiedosamente impõem.  Estar bem com o espelho é consequência de bom humor, paz interior, saúde físico-mental, emoções equilibradas e estado de espírito. 


Sucesso para Dilma e Paulo

Janguiê Dinizpor qua, 24/12/2014 - 09:18

O Brasil e Pernambuco avançam. O avanço de indicadores socioeconômicos deve ser reconhecido como um progresso e são resultado de uma sequência de eventos motivados por ações dos governos e dos indivíduos. Neste sentido, as eras FHC, Lula e Dilma contribuíram fortemente para o avanço do Brasil. Da mesma forma, as eras Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos possibilitaram Pernambuco avançar.

Dilma assumirá novo mandato com desafios, em particular, nos âmbitos econômico e de combate à corrupção. O Brasil não parou na era Dilma. No entanto, não apresentou índices de crescimento econômico semelhantes ao da era Lula. Por outro lado, a era Dilma manteve em ritmo agressivo as políticas de inclusão social, em particular, as educacionais. E Dilma acerta ao priorizar os programas de educação, como Pronatec, ProUni e Fies, já que tais programas ofertam condições de mobilidade social aos brasileiros.

Porém, a presidente pecou ao desprezar o controle da inflação. A alta da inflação afeta fortemente as classes C e D. Se por um lado foi garantida a inclusão social através de especificas ações, por outro, permitiu-se que a inflação corroesse o poder de compra das referidas classes. Foi preciso estratégias para o combate à inflação e a nomeação de Joaquim Levy para ministro da Fazenda chega como um acerto.

Práticas de corrupção não devem fazer parte da imagem de governos. Devemos reconhecer o avanço das instituições brasileiras no combate à corrupção e o avanço que contou com o apoio de diversos presidentes da República. Entretanto, a presidente Dilma Rousseff deve liderar a agenda de combate à corrupção no Brasil incentivando as instituições a combatendo eficazmente práticas ilícitas.

A era Jarbas iniciou processo de reformulação da máquina pública de Pernambuco e investiu maciçamente em infraestrutura. A era Eduardo continuou com as meritórias ações promovidas pelo governo Jarbas. E foi além, ao atrair alto montante de investimentos privados e da União. Com a contribuição do vice-governador João Lyra e de secretários qualificados, a era Eduardo inovou nas políticas de saúde e de combate à violência.

Paulo Câmara, governador eleito, assumirá com um desafio principal: manter as boas ações do governador Eduardo Campos. Com a contemplação do desafio principal, surge outro: a promoção de ações inovadores em diversas áreas, dentre as quais, infraestrutura, educação, saúde e segurança pública. Aliás, as políticas de educação do governo Federal, em particular o ProUni, podem servir de inspiração para o governador eleito.

Desejo boa sorte a presidente Dilma Rousseff e ao governador Paulo Câmara. Eles têm qualidades para realizar bons governos. Feliz 2015 para todos os brasileiros!


Eu não consigo respirar

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 17/12/2014 - 09:36

Um grito de indignação percorreu os Estados Unidos nas últimas semanas: “Não consigo respirar”. Esta foi a última frase de Eric Garner, de 43 anos, negro e asmático, que morreu em Nova York no dia 17 de julho por asfixia, depois do policial à paisana Daniel Pantaleo te-lo estrangulado.

As mobilizações começaram em 24 de novembro, quando a Justiça americana decidiu não indiciar o policial Darren Wilson por atirar contra Michael Brown, um jovem negro que estava desarmado na cidade de Ferguson, Missouri. Para muitos norte-americanos, a justiça está dando privilégios aos  polícias, por serem brancos, discriminando, os  negros, sejam civis ou policiais.

Há muitas versões sobre o que, de fato, teria ocorrido durante a abordagem policial, mas alguns consensos, reconhecidos inclusive pela polícia, são fundamentais para se compreender o caso: Michael Brown estava desarmado.

Independente do país, a morte de um jovem desarmado causada por um policial é sempre chocante. E quando a vítima é negra, não há como evitar o início de uma discussão sobre racismo. Um tema polêmico. Nos Estados Unidos, infelizmente, ainda são muitos os comentários sobre a discriminação racial no país, mesmo tendo um presidente negro.

Um estudo de 2011 da Universidade de Brown, em Rhode Island, avaliou a composição média dos bairros americanos e constatou que o "branco típico" do país vive em um bairro onde 75% da população é branca e 8% é negra. Já o típico negro vive em um bairro onde 45% pertencem à sua raça e os outros 35% são brancos. O resultado do estudo, chamado “a persistência da segregação na metrópole”, é que negros e brancos têm poucos vizinhos de outra raça em seus próprios bairros. Outro ponto a ser analisado é que, em média, 75% dos policiais americanos são brancos.

Não estamos aqui para defender ou acusar policiais ou civis, sejam eles negros ou brancos, principalmente porque isso exigiria um estudo sobre os índices da criminalidade americana. Preferimos questionar a desigualdade racial que ainda é realidade não apenas nos Estados Unidos, mas em inúmeros países pelo mundo. Obviamente, os analistas lembram que desigualdade social e econômica são fatores que levam à criminalidade e, portanto, confrontos policiais com negros não são, necessariamente, sempre causados por preconceito racial.

Em agosto de 1963, o pastor batista Martin Luther King fez um discurso em Washington, nos Estados Unidos, que entrou para a história: em frente a uma multidão de 250 mil pessoas, ele pediu o fim da desigualdade racial. Mais de cinco décadas depois, sem dúvidas, ainda temos muito trabalho pela frente para que o racismo seja realmente extinto e para que negros e brancos tenham as mesmas oportunidades.


Thomas Piketty e a educação

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qui, 11/12/2014 - 12:05

O livro O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, aborda a evolução do capitalismo. Nele, o autor apresenta os benefícios e custos trazidos por este sistema econômico que, até o instante, não faliu. E tende, assim acreditamos, a não falir. O socialismo entrou em decadência por suas contradições no âmbito do indivíduo. Estes não optaram por abrir mão da individualidade e, portanto, da livre iniciativa. Indivíduos podem relegar o capitalismo caso optem por tornar a liberdade individual como objetivo secundário. Porém, não visualizo esta possibilidade.

Apesar das crises, como bem afirma Thomas Piketty na obra, o capitalismo sobrevive. As contradições provenientes dele e apontadas por Piketty ainda não foram suficientes para implodi-lo. No referido livro, encontro a principal contradição do capitalismo: renda do capital versus renda da renda. A renda do capital advém da acumulação, já a renda da renda é proveniente do trabalho. Porém, a renda do capital foi, em algum dia, advinda da renda da renda.

Ao mostrar as diferenças entre capital e renda, Piketty conduz o leitor a refletir sobre o capitalismo. Após intensa reflexão, constatamos que o capitalismo é o sistema que oferta oportunidades para todos. Porém, os indivíduos precisam estar aptos para aproveitá-las. O estado é, portanto, o instrumento adequado para possibilitar a igualdade de oportunidade aos indivíduos através da educação.

Aliás, o autor aborda o papel da educação no sistema capitalista. É a educação que tem condições de amenizar as consequências negativas do capitalismo. Portanto, ela é instrumento que conduz a igualdade de oportunidades para os indivíduos.

Constatamos, por fim, após a leitura do brilhante trabalho de Thomas Piketty, os desafios do Brasil para os próximos anos. Nosso país precisa gerar intensamente igualdade de oportunidades para amenizar as consequências negativas do capitalismo. É preciso priorizar a educação, ou seja, a formação do capital humano, o qual, segundo Piketty, não deve ser confundido com o capital advindo da acumulação de renda. Inúmeras ações governamentais, como o Programa Universidade para Todos,  a ampliação do crédito educativo através do Fies e o Pronatec, possibilitaram e possibilitam a igualdade de oportunidade.

Se ações como estas perdurarem, independente dos presidentes eleitos, será possível o crescimento da economia brasileira, e, especificamente, a melhoria dos indicadores socioeconômicos. Por consequência, os efeitos negativos do capitalismo serão amenizados. 

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Perspectivas econômicas para 2015

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 05/12/2014 - 10:21

Faltando pouco para a chegada de 2015, os especialistas começam a fazer analises e projeções para o próximo ano. Um dos setores mais preocupados com essas perspectivas é a economia. A forte desaceleração da economia brasileira neste ano surpreendeu os economistas e é uma unanimidade entre eles que 2015 será um ano difícil.

Esse pessimismo é justificado pelas sucessivas quedas no crescimento econômico deste ano. No segundo trimestre de 2014, a economia brasileira encolheu 0,6%, entrando em recessão técnica pela primeira vez desde a crise econômica mundial de 2008.

Olhando para determinados setores, fica clara a preocupação dos economistas. A previsão de crescimento do comércio exterior, por exemplo, no início do ano de 2014 era de 4,7%. Durante o ano a projeção diminuiu para 3,1%. Já para 2015, a estimativa já foi calculada de 5,3% para 4%. 

Para entendermos: do total de bens exportados pelo Brasil, 35% restantes são de manufaturados, sendo que a metade vai para a América do Sul. A Argentina é a nossa maior compradora, ficando com 20% desse total. No entanto, a economia argentina já está em recessão, e terá que reduzir as importações e consequentemente, nossa economia será afetada.

É correto afirmar que o problema brasileiro decorre, também, da dificuldade em recuperar o nível de crescimento devido aos nossos problemas estruturais. É de conhecimento comum que não temos estrutura para escoar facilmente nossos produtos e o fato de o país ter passado a década de 1990 sem investir em infraestrutura provocou graves problemas, resultando em baixa competitividade.

Executando essas ações, é possível que a economia volte a crescer entre 3% e 4%. Sem isso, provavelmente não chegaremos a 2% de crescimento. O Brasil ainda é um país atrativo e seguro para se continuar investindo, mesmo que com cautela. Não podemos ter como exemplo, nesse campo, a China – que amplia seu mercado consumidor com a utilização de baixos preços.

Temos que investir em infraestrutura, nas reformas tributária e trabalhista, e também reduzir a excessiva burocracia. Este último item é essencial - de acordo com um relatório Doing Business 2014, publicado pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição de um ranking com 189 países, considerando a facilidade para fazer negócios em cada um deles. 

É preciso aproveitar 2015 para reorganizar o País e depois voltarmos a crescer economicamente. Entretanto, para isso, é preciso que todos façam os seus papéis, inclusive o Governo.

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