Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.


Enquanto isso, na Suécia...

Janguiê Dinizpor ter, 13/01/2015 - 15:15

o contrário do Brasil, que tem prisões superlotadas e falta de políticas públicas para ressocialização dos detentos, a Suécia anunciou o fechamento de quatro prisões. A Holanda também vem dando o mesmo exemplo e, em 2012, fechou oito presídios. Hoje, uma das prisões holandesas que antes causava prejuízo à economia do país, deu lugar a um hotel de luxo.

Claro que estas decisões não são resultados de trabalhos recentes. O número de presidiários na Suécia, que vinha caindo em cerca de 1% ao ano desde 2004, caiu em 6% de 2011 para 2012 e deve registrar declínio semelhante este ano e no ano que vem. A grande questão é: por que Holanda e Suécia estão fechando prisões, enquanto Brasil e EUA estão aumentando os presos?

Na Suécia, 112º país do mundo em população carcerária, são 4.852 presidiários para 9,5 milhões de habitantes – 51 para cada 100 mil habitantes. Já no Brasil, que tem a 4ª maior população carcerária do mundo, são 584.003 detentos, ou 274 por 100 mil habitantes.

A queda contínua no número de presidiários na Suécia tem algumas explicações: investimentos na reabilitação de presos, ajudando-os a ser reinseridos na sociedade; penas mais leves para delitos considerados menos graves e adoção de penas alternativas, como liberdade vigiada, em alguns casos. De fato, as penas alternativas e investimento na ressocialização de detentos derrubaram a população carcerária  sueca.

O que esperar do sistema carcerário brasileiro, que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece para que isso realmente aconteça? Nossos presídios estão em estado de depredação, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos e praticamente nenhum incentivo cultural.

O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. Aqui, a taxa média de reincidência – vale ressaltar que este número é admitido pelas autoridades, mas nunca foi comprovado empiricamente - é de 70%. Com uma política semelhante às aplicadas na Suécia e na Holanda, a superpopulação carcerária no Brasil, e em outros países, poderia ser bastante atenuada.

Que seja possível aprendermos com a Holanda e a Suécia a educar e a fornecer subsídios para aqueles que estão ou já estiveram em situação de cárcere. Oportunidades de educação e trabalho são capazes de transformar pessoas.


O culto ao corpo perfeito

Janguiê Dinizpor qua, 07/01/2015 - 13:15

A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres quanto os homens. Há, nas sociedades contemporâneas, uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética. A principal prova dessa afirmação está nas incontáveis linhas de cosméticos, academias, centros de estética e de cirurgia plástica, além de revistas sobre beleza e boa forma que prometem dietas milagrosas.

Com uma ampla variedade, o mercado da aparência física é um dos que mais cresce atualmente. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo coloca-se hoje como preocupação geral, que perpassa todas as classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso que ora se baseia na questão estética, ora na preocupação com a saúde.

Há registros bem antigos sobre a preocupação social com o corpo humano. Na Grécia Antiga, na busca pela perfeição, a beleza física era altamente valorizada, juntamente com um intelecto desenvolvido. Já na Idade Média, com a supremacia da igreja, predominou um dualismo entre corpo como fonte de pecado e alma como objeto de salvação. O culto à estética corporal foi proibido, assim como a exposição do corpo humano, mesmo nas artes.

Hoje, apesar de pessoas com o corpo perfeitamente em conformidade, o mercado da estética faz com que a mesma propaganda que anuncia a oferta crie a demanda. É cada vez mais comum que a mídia, em suas programações, destine cada vez maiores espaços para apresentar novidades em setores de cosméticos, de alimentação e vestuário. Propagandas veiculadas nessas mídias estão o tempo todo tentando vender o que não está disponível nas prateleiras: que o sucesso e felicidade dependem de um padrão de beleza imposto por eles.

Claramente não defendo o sedentarismo e acomodação. Acredito que ser saudável e buscar melhorias físicas são possíveis e necessárias para viver com mais saúde e disposição. O problema é quando essa busca causa algum tipo de doença como anorexia, bulimia ou uso de anabolizantes. Uma pesquisa realizada na Universidade de Edinburgh, na Inglaterra, mostrou que, ao acompanhar por uma década pessoas que viviam fora dos padrões, tanto de comportamento como estéticos, quem não se importa com as opiniões alheias é mais seguro, menos estressado, mais feliz e tende a viver por mais tempo.

O aspecto físico não pode ser o único sinônimo de êxito e felicidade. Significa estar e sentir-se bem e confiante mesmo contrariando os moldes que os padrões impiedosamente impõem.  Estar bem com o espelho é consequência de bom humor, paz interior, saúde físico-mental, emoções equilibradas e estado de espírito. 


Sucesso para Dilma e Paulo

Janguiê Dinizpor qua, 24/12/2014 - 09:18

O Brasil e Pernambuco avançam. O avanço de indicadores socioeconômicos deve ser reconhecido como um progresso e são resultado de uma sequência de eventos motivados por ações dos governos e dos indivíduos. Neste sentido, as eras FHC, Lula e Dilma contribuíram fortemente para o avanço do Brasil. Da mesma forma, as eras Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos possibilitaram Pernambuco avançar.

Dilma assumirá novo mandato com desafios, em particular, nos âmbitos econômico e de combate à corrupção. O Brasil não parou na era Dilma. No entanto, não apresentou índices de crescimento econômico semelhantes ao da era Lula. Por outro lado, a era Dilma manteve em ritmo agressivo as políticas de inclusão social, em particular, as educacionais. E Dilma acerta ao priorizar os programas de educação, como Pronatec, ProUni e Fies, já que tais programas ofertam condições de mobilidade social aos brasileiros.

Porém, a presidente pecou ao desprezar o controle da inflação. A alta da inflação afeta fortemente as classes C e D. Se por um lado foi garantida a inclusão social através de especificas ações, por outro, permitiu-se que a inflação corroesse o poder de compra das referidas classes. Foi preciso estratégias para o combate à inflação e a nomeação de Joaquim Levy para ministro da Fazenda chega como um acerto.

Práticas de corrupção não devem fazer parte da imagem de governos. Devemos reconhecer o avanço das instituições brasileiras no combate à corrupção e o avanço que contou com o apoio de diversos presidentes da República. Entretanto, a presidente Dilma Rousseff deve liderar a agenda de combate à corrupção no Brasil incentivando as instituições a combatendo eficazmente práticas ilícitas.

A era Jarbas iniciou processo de reformulação da máquina pública de Pernambuco e investiu maciçamente em infraestrutura. A era Eduardo continuou com as meritórias ações promovidas pelo governo Jarbas. E foi além, ao atrair alto montante de investimentos privados e da União. Com a contribuição do vice-governador João Lyra e de secretários qualificados, a era Eduardo inovou nas políticas de saúde e de combate à violência.

Paulo Câmara, governador eleito, assumirá com um desafio principal: manter as boas ações do governador Eduardo Campos. Com a contemplação do desafio principal, surge outro: a promoção de ações inovadores em diversas áreas, dentre as quais, infraestrutura, educação, saúde e segurança pública. Aliás, as políticas de educação do governo Federal, em particular o ProUni, podem servir de inspiração para o governador eleito.

Desejo boa sorte a presidente Dilma Rousseff e ao governador Paulo Câmara. Eles têm qualidades para realizar bons governos. Feliz 2015 para todos os brasileiros!


Eu não consigo respirar

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 17/12/2014 - 09:36

Um grito de indignação percorreu os Estados Unidos nas últimas semanas: “Não consigo respirar”. Esta foi a última frase de Eric Garner, de 43 anos, negro e asmático, que morreu em Nova York no dia 17 de julho por asfixia, depois do policial à paisana Daniel Pantaleo te-lo estrangulado.

As mobilizações começaram em 24 de novembro, quando a Justiça americana decidiu não indiciar o policial Darren Wilson por atirar contra Michael Brown, um jovem negro que estava desarmado na cidade de Ferguson, Missouri. Para muitos norte-americanos, a justiça está dando privilégios aos  polícias, por serem brancos, discriminando, os  negros, sejam civis ou policiais.

Há muitas versões sobre o que, de fato, teria ocorrido durante a abordagem policial, mas alguns consensos, reconhecidos inclusive pela polícia, são fundamentais para se compreender o caso: Michael Brown estava desarmado.

Independente do país, a morte de um jovem desarmado causada por um policial é sempre chocante. E quando a vítima é negra, não há como evitar o início de uma discussão sobre racismo. Um tema polêmico. Nos Estados Unidos, infelizmente, ainda são muitos os comentários sobre a discriminação racial no país, mesmo tendo um presidente negro.

Um estudo de 2011 da Universidade de Brown, em Rhode Island, avaliou a composição média dos bairros americanos e constatou que o "branco típico" do país vive em um bairro onde 75% da população é branca e 8% é negra. Já o típico negro vive em um bairro onde 45% pertencem à sua raça e os outros 35% são brancos. O resultado do estudo, chamado “a persistência da segregação na metrópole”, é que negros e brancos têm poucos vizinhos de outra raça em seus próprios bairros. Outro ponto a ser analisado é que, em média, 75% dos policiais americanos são brancos.

Não estamos aqui para defender ou acusar policiais ou civis, sejam eles negros ou brancos, principalmente porque isso exigiria um estudo sobre os índices da criminalidade americana. Preferimos questionar a desigualdade racial que ainda é realidade não apenas nos Estados Unidos, mas em inúmeros países pelo mundo. Obviamente, os analistas lembram que desigualdade social e econômica são fatores que levam à criminalidade e, portanto, confrontos policiais com negros não são, necessariamente, sempre causados por preconceito racial.

Em agosto de 1963, o pastor batista Martin Luther King fez um discurso em Washington, nos Estados Unidos, que entrou para a história: em frente a uma multidão de 250 mil pessoas, ele pediu o fim da desigualdade racial. Mais de cinco décadas depois, sem dúvidas, ainda temos muito trabalho pela frente para que o racismo seja realmente extinto e para que negros e brancos tenham as mesmas oportunidades.


Thomas Piketty e a educação

Janguiê Dinizpor Luiz Mendes qui, 11/12/2014 - 12:05

O livro O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, aborda a evolução do capitalismo. Nele, o autor apresenta os benefícios e custos trazidos por este sistema econômico que, até o instante, não faliu. E tende, assim acreditamos, a não falir. O socialismo entrou em decadência por suas contradições no âmbito do indivíduo. Estes não optaram por abrir mão da individualidade e, portanto, da livre iniciativa. Indivíduos podem relegar o capitalismo caso optem por tornar a liberdade individual como objetivo secundário. Porém, não visualizo esta possibilidade.

Apesar das crises, como bem afirma Thomas Piketty na obra, o capitalismo sobrevive. As contradições provenientes dele e apontadas por Piketty ainda não foram suficientes para implodi-lo. No referido livro, encontro a principal contradição do capitalismo: renda do capital versus renda da renda. A renda do capital advém da acumulação, já a renda da renda é proveniente do trabalho. Porém, a renda do capital foi, em algum dia, advinda da renda da renda.

Ao mostrar as diferenças entre capital e renda, Piketty conduz o leitor a refletir sobre o capitalismo. Após intensa reflexão, constatamos que o capitalismo é o sistema que oferta oportunidades para todos. Porém, os indivíduos precisam estar aptos para aproveitá-las. O estado é, portanto, o instrumento adequado para possibilitar a igualdade de oportunidade aos indivíduos através da educação.

Aliás, o autor aborda o papel da educação no sistema capitalista. É a educação que tem condições de amenizar as consequências negativas do capitalismo. Portanto, ela é instrumento que conduz a igualdade de oportunidades para os indivíduos.

Constatamos, por fim, após a leitura do brilhante trabalho de Thomas Piketty, os desafios do Brasil para os próximos anos. Nosso país precisa gerar intensamente igualdade de oportunidades para amenizar as consequências negativas do capitalismo. É preciso priorizar a educação, ou seja, a formação do capital humano, o qual, segundo Piketty, não deve ser confundido com o capital advindo da acumulação de renda. Inúmeras ações governamentais, como o Programa Universidade para Todos,  a ampliação do crédito educativo através do Fies e o Pronatec, possibilitaram e possibilitam a igualdade de oportunidade.

Se ações como estas perdurarem, independente dos presidentes eleitos, será possível o crescimento da economia brasileira, e, especificamente, a melhoria dos indicadores socioeconômicos. Por consequência, os efeitos negativos do capitalismo serão amenizados. 

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Perspectivas econômicas para 2015

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti sex, 05/12/2014 - 10:21

Faltando pouco para a chegada de 2015, os especialistas começam a fazer analises e projeções para o próximo ano. Um dos setores mais preocupados com essas perspectivas é a economia. A forte desaceleração da economia brasileira neste ano surpreendeu os economistas e é uma unanimidade entre eles que 2015 será um ano difícil.

Esse pessimismo é justificado pelas sucessivas quedas no crescimento econômico deste ano. No segundo trimestre de 2014, a economia brasileira encolheu 0,6%, entrando em recessão técnica pela primeira vez desde a crise econômica mundial de 2008.

Olhando para determinados setores, fica clara a preocupação dos economistas. A previsão de crescimento do comércio exterior, por exemplo, no início do ano de 2014 era de 4,7%. Durante o ano a projeção diminuiu para 3,1%. Já para 2015, a estimativa já foi calculada de 5,3% para 4%. 

Para entendermos: do total de bens exportados pelo Brasil, 35% restantes são de manufaturados, sendo que a metade vai para a América do Sul. A Argentina é a nossa maior compradora, ficando com 20% desse total. No entanto, a economia argentina já está em recessão, e terá que reduzir as importações e consequentemente, nossa economia será afetada.

É correto afirmar que o problema brasileiro decorre, também, da dificuldade em recuperar o nível de crescimento devido aos nossos problemas estruturais. É de conhecimento comum que não temos estrutura para escoar facilmente nossos produtos e o fato de o país ter passado a década de 1990 sem investir em infraestrutura provocou graves problemas, resultando em baixa competitividade.

Executando essas ações, é possível que a economia volte a crescer entre 3% e 4%. Sem isso, provavelmente não chegaremos a 2% de crescimento. O Brasil ainda é um país atrativo e seguro para se continuar investindo, mesmo que com cautela. Não podemos ter como exemplo, nesse campo, a China – que amplia seu mercado consumidor com a utilização de baixos preços.

Temos que investir em infraestrutura, nas reformas tributária e trabalhista, e também reduzir a excessiva burocracia. Este último item é essencial - de acordo com um relatório Doing Business 2014, publicado pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição de um ranking com 189 países, considerando a facilidade para fazer negócios em cada um deles. 

É preciso aproveitar 2015 para reorganizar o País e depois voltarmos a crescer economicamente. Entretanto, para isso, é preciso que todos façam os seus papéis, inclusive o Governo.


A democratização da educação

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qui, 27/11/2014 - 11:06

Quando o assunto é o acesso à escola, o Brasil vem comemorando os índices de atendimento atingidos nos últimos anos, que permitem dizer que o ensino fundamental já foi universalizado. De acordo com dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de atendimento escolar das crianças de 7 a 14 anos está acima de 90%. 

Entretanto, como está o acesso à educação pelas outras faixas etárias? Além disso, como avaliar o alto índice de evasão que o Brasil tem? Podemos afirmar que, apesar dos esforços para atender à demanda social por educação, infelizmente, a oferta ainda é restrita e nem sempre garante a aprendizagem. 

Engana-se quem pensa que a democratização da educação se limita ao acesso e à instituição educativa. O acesso é apenas a porta inicial para a democratização, mas é necessário também garantir que todos que ingressam tenham condições de permanecer nas escolas. Da mesma forma, não é a modalidade de ensino que garante a qualidade. Existem programas de ensino a distância excelentes e que podem vir a auxiliar nas metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). 

De fato, entre as ações propostas pelo PNE, a destinação de 10% do PIB do País para a educação tem sido a mais celebrada delas. Sem dúvidas, devemos comemorar esse incentivo, principalmente se ele vier para suprir disparidades como o baixo salário dos professores e a precariedade física de grande parte das escolas públicas do Brasil, principalmente as localizadas no interior dos Estados. 

Concordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa, iniciativa da Organização para Coordenação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, quando ele afirma que um maior gasto de dinheiro não conduz, obrigatoriamente, a melhoria da educação. Oferecer educação de excelência para todos os alunos e atingir um alto nível de exigência são pontos essenciais para alcançar e, depois, manter uma educação de qualidade. 

Esse deve ser um compromisso com toda a sociedade, mas também um compromisso da sociedade. Cabe a nós, que fazemos parte dela, observar e cobrar que a destinação correta dos recursos propostos como meta do PNE, relativa à gestão democrática da escola. Infelizmente, essa meta é de difícil acompanhamento e averiguação, pois não há um indicador específico que determine seu cumprimento.


O Brasil e a crise

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qua, 19/11/2014 - 17:02

Em 2008, a crise econômica mundial deixou clara a fragilidade e necessidade da criação de novos modelos de desenvolvimento. Economistas e cientistas políticos trouxeram à tona discussão da dicotomia entre capitalismo e socialismo. Entretanto, o debate, apesar de ter encontrado adeptos no auge da crise, não prosperou. Concluímos, então, que existe um aparente consenso de que o capitalismo é o sistema econômico adequado para a sociedade.

Apesar do consenso, como manter a política capitalista diante de crises que causam instabilidades política, social e econômica? Os países europeus, principalmente a Espanha, Grécia e Portugal, orientados pela Alemanha, optaram por alcançar o superávit através da redução drástica dos gastos públicos. As consequências são contraditórias – os resultados oscilam entre momentos positivos e negativos. Esses países mantêm taxas de desemprego elevadas e baixo crescimento econômico.

Já os Estados Unidos optaram por realizar várias ações. Inicialmente, aumentaram os gastos públicos para salvar bancos privados e indústrias. Em consequência, tiveram uma crise fiscal. Com a política dividida, Republicanos e Democratas continuam diante do seguinte impasse: o estado deve continuar a gastar para proteger os que possuem menor renda? De fato, a crise econômica de 2008 produziu alto desemprego na América, no entanto, lentamente, a economia se recupera.

O Brasil também foi afetado. Para manter o crescimento da economia, à época, o presidente Lula incentivou o consumo e o crédito. Em 2011, já com Dilma na presidência, o Brasil parou de crescer de modo semelhante à era Lula. As consequências da crise econômica de 2008 foram usadas como justificativa para o baixo crescimento. Porém, chegou o momento de discutir o novo governo Dilma.

O que a presidente irá fazer para o Brasil voltar a crescer economicamente? Políticas anticíclicas, ou seja, intervenção forte do Estado na economia e mais gastos públicos são necessários para a superação de crises?  Essas estratégias já foram utilizadas na era Dilma. Porém, é preciso, em um novo governo, desconsiderar um pouco a crise e analisar novos fatos.

Como reduzir os gastos públicos sem diminuir os gastos sociais? Qual política industrial deve ser criada, sem recorrer a um  forte protecionismo? A redução de impostos deve continuar para determinados setores da indústria? Qual deve ser o tamanho do superávit? O que fazer para aumentar o investimento público em infraestrutura?

Temos a expectativa de que o novo ministro da Economia apresente respostas para as questões apresentadas. A economia e o mercado brasileiro não esperam que a crise econômica de 2008 continue a ser argumento para justificar o pífio crescimento econômico do Brasil. É necessário coragem e capacidade inovadora para a construção de uma nova política econômica.


Orgulho Nordestino

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti qui, 13/11/2014 - 13:43

Mais uma vez os nordestinos foram hostilizados por outras regiões do País. E, novamente, a expressão “orgulho de ser nordestino” surgiu como reação a mensagens discriminatórias e xenófobas postadas na internet por ensejo da eleição de Dilma, para presidente do Brasil. Mesmo fato já acontecido em 2010.

Disse o memorável Ariano Suassuna: “… é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Se a discussão for de cunho político, vale lembrar que o país não está dividido e não foi apenas no Nordeste que Dilma teve vitórias importantes, já que o Sudeste também apresentou resultados expressivos na contagem dos votos: com 54,9% no Rio de Janeiro (RJ) e 52,4% em Minas Gerais (MG). Na realidade, 54,82% dos votos em Dilma vieram das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

Eu não tenho vergonha e muito menos omito dizer que nasci em Santana dos Garrotes, no estado da Paraíba. Fui adotado pelo Recife, isso também me deixa muito orgulhoso. O povo brasileiro é um povo heterogêneo e multicultural, pois se não for, como explicar uma terra onde nasceram Abelardo da Hora, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Sivuca, José de Alencar, Patativa do Assaré, Dom Helder Câmara e tantos outros?

Esse tipo de discurso preconceituoso ao nordestino é lastimável, pois, foi com a força dos nordestinos que o Brasil foi desbravado e construído. Quem escreve e fala assim, demonstra desconhecimento profundo sobre a realidade do nordeste brasileiro. O Nordeste não é mais uma região marcada pela fome, desemprego e pela falta de oportunidade.

Ao contrário. Somos a região onde a economia cresce mais que a taxa registrada no País. A região que mais de dezesseis mil estudantes dessas universidades foram estudar no exterior com o Ciência sem Fronteiras e onde, dos vinte milhões de empregos criados no país, quase 20% foram no Nordeste. Mais de 140 escolas técnicas foram implantadas na região, representando 33% do total no país.

Sinto enorme orgulho de ser nordestino. Esse orgulho de ser nordestino não pode ser entendido como contrário ao orgulho de ser brasileiro, pois sinto imenso orgulho em ser brasileiro. Não importa em quem cada região votou ou quem venceu as eleições. O que importa é deve existir a união para construir um país melhor para todos. Um país mais justo, menos corrupto, mais solidário e com mais oportunidades.


Estudar após os 60 anos

Janguiê Dinizpor Eduardo Cavalcanti seg, 10/11/2014 - 11:11

Para alguns, se tornou lugar comum falarmos da importância da educação na vida das pessoas. Muitos ainda se recusam a acreditar que, através dos estudos, podemos mudar como pessoas, mudar o país e mudar o rumo de nossas vidas. O aprendizado contínuo faz bem para a mente, o corpo e a alma.

Mas, o que a chamada “boa idade” tem a ver com isso? Infelizmente, muitos têm em mente que os idosos não têm que trabalhar ou estudar. Que devem apenas se preocupar em curtir a aposentadoria, os filhos e netos, se os tiver. No entanto, esquecem que é preciso envelhecer com sabedoria e mente ativa. E que envelhecer dessa forma, vai proporcionar muito mais anos de vida.

Em 2010, o IBGE contabilizou 19,28 milhões de brasileiros acima dos 60 anos. Em 2014, o número atingiu a marca de 26,3 milhões ou 13% da população. Aos 60 anos, pode-se ter uma vida social mais ativa e participativa na sociedade. Ainda é possível ter realização profissional e conhecer novas pessoas, ter oportunidade de novos relacionamentos. 

Se antigamente estudar era caro e poucas pessoas tinham condições de chegar à universidade, hoje a realidade não é essa. Existem vários cursos de graduação, pós-graduação e cursos técnicos disponíveis em diversas áreas do saber, tudo depende da vontade e do interesse de cada um. Idade e experiência de vida não são empecilhos.

Neste ano, 15,5 mil idosos fizeram a inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E esse número tem crescido anualmente - segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2013 foram 10,9 mil inscritos e em 2009, foram 4,7 mil.

Existem comprovações cientificas que estudar após os 60 anos previne doenças e melhora a depressão, já que a motivação ativa o sistema límbico do cérebro, região que está ligada às emoções e ao prazer. Quanto mais se aprende, maior o número de conexões neurais que se formam. Nosso cérebro aprende o tempo todo. Seja criança ou adulto, é claro que no início, vai existir uma dificuldade, considerada normal. 

Não importa se a procura pelos estudos está relacionada à realização de uma vontade antiga de aprender a ler ou escrever, ou se há um sonho de cursar uma segunda graduação. O que, de fato, importa, é que a ato de continuar ou voltar a estudar está diretamente ligado à condição de ter uma vida melhor e que não há idade ou tempo para recomeçar.

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