Léo Medrado

Léo Medrado

Jogo Rápido

Perfil: Jornalista esportivo, apresentador e comentarista.

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

Abre a jaula

Léo Medradoqui, 08/03/2012 - 20:06

 

Uma tremenda polêmica: direitos e deveres do torcedor. Até onde vai a liberdade de torcer? Posso xingar? Posso mandar o cara pra PQP? Meramente cultural. Convencionalmente cultural. Desde pequeno, e já faz muito tempo, acostumei-me a ouvir os mais cabeludos palavrões oriundos das arquibancadas dos estádios.

“Um , dois três... quatro, cinco, mil... eu quero que o (nome do time) vá pra p... que pariu...”. Esse grito, que hoje soa por demais inocente, era “cantado” por todas as torcidas de Pernambuco na década de 70/80.E não existia uma só mãe que se sentisse ofendida. Os palavrões foram aumentando. A ofensa foi personificando. E hoje chegamos ao absurdo de ouvirmos do torcedor a seguinte frase: “ Pago o ingresso, portanto pago o salário dele... logo, tenho o direito de dar porrrrraaaaada”.

Que lógica estapafúrdia. Que conceito ridículo. O torcedor acreditar que pode agredir o jogador é inacreditável. Mas é o que acontece para alguns deles. Das palavras para a ação.

O estádio dos Aflitos, infelizmente, oferece uma logistica inadequada no relacionamento torcida/jogador. A proximidade do alambrado ao túnel de acesso aos vestiários provoca um estremecimento de relação, que varia de acordo com o rendimento de cada atleta. Principalmente no intervalo dos jogos.

Existe uma cartilha elaborada pela Secretaria de Esportes do Governo do Estado que se prontifica a “educar” o torcedor. Ninguém imagina que cheguemos a um estágio em que os gritos passem a ser: “Feiô... feiô...” ou “Chatão...tandandan... chatão...tandandan...”.até porque não é essa a intenção. Apenas gostaríamos imensamente que o torcedor compreendesse que, antes do atleta, existe o HOMEM. O SER HUMANO. O PAI DE FAMÍLIA. O CIDADÃO, que, como todos os outros mortais, tem que ser respeitado e jamais agredido verbal ou fisicamente.

Vamos simplificar. Atrás do alambrado tornou-se tolerável o xingamento. A mudança desse hábito, se houver, será a longo prazo. Mas que fique e pare por aí. Enquanto isso, que o Náutico faça como o Sport e coloque uma estrutura de fibra, ou até mesmo um inflável de sanfona que prolongue o acesso aos vestiários até à beira do gramado. Isso, por se só,  já evita a proximidade do torcedor ao atleta.

Assim seja. Até que venha a Copa do mundo onde não teremos alambrado. Jogadores e torcedores conviverão sem “jaula”.  Nada estará  interpondo-se a eles. Aí eu vou pagar pra ver. Queres conhecer o valentão?! Abre a jaula...

 

 

COMENTÁRIOS dos leitores