Inconfidência Mineira, Tiradentes e o Enem

O professor Wilson Santos detalha momentos marcantes da história que devem ter a atenção dos estudantes

por Juan Gouveia sab, 21/04/2018 - 10:01
Pixabay Estudantes devem fazer leituras da disciplina de história Pixabay

Em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido com Tiradentes, o feriado criado em 9 de novembro de 1965 celebra a importância do líder da revolta sucedida em Minas Gerais (MG), chamada de Inconfidência Mineira. A data, 21 de abril, faz referência ao dia da execução de Tiradentes, em praça pública, no ano de 1972.

Tiradentes é o símbolo do movimento da Inconfidência Mineira. Compreender a relação dessa figura no contexto vivenciado na época é fundamental para se dar bem no conteúdo programático de história do Brasil em vestibulares, provas gerais e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Professor de história, Wilson Santos destaca a necessidade de compreensão do contexto histórico e análise crítica sobre os fatos no Exame. “É como se os alunos tivessem que interagir diretamente com os acontecimentos históricos”, explica.

No século XVIII, o Brasil, ainda colônia de Portugal, tinha uma forte economia voltada à atividade de mineração. Na região de Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), a extração de ouro estava em alta. Mas a cobrança excessiva de impostos sobre a extração mobilizou a sociedade brasileira para se opor contra o Sistema Colonial Português que obrigava o pagamento. “Outro fator que explica isso era o das pessoas importantes daquelas áreas que não exerceram cargos importantes na administração política da província”, pontua o professor.

O grupo de inconfidentes era motivado pelos ideais liberais e busca pela autonomia política, econômica e administrativa. A nível de compreensão no contexto histórico mundial, principalmente na Europa, é preciso destacar a importância do momento para o Brasil. “No fim do século XVIIl, a Europa vivia a plenitude das Revoluções Burguesas, muito presentes na França, bem como a luta contra o Estado Absolutista e o desejo da criação de governos liberais e representativos. Tal processo culminou na acentuação das oposições à colonização das Américas, no caso de Tiradentes, a ideia de ensejar a Independência do Brasil”, relembra Wilson.

Mediante a essa luta, a figura de Tiradentes, conhecido com um "faz tudo" da época, um profissional geral, que implicava numa condição de vida difícil, financeiramente e com influência inferior, ocasionou, segundo o professor, a sua morte. Ele foi o único participante da insurreição condenado. A ação foi uma resposta de Portugal para tentar driblar o movimento que buscava a libertação do Brasil.

Perfil de Tiradentes

Mesmo com a ideia de “faz tudo”, o nome Tiradentes é associado à figura de dentista, mas, de fato, ele assumia outras profissões. Toda a cultura em volta de sua figura reforça a ideia de herói, mártir e ícone de nossa história. O professor destaca que as interpretações variam de acordo com a situação e contexto incluído. “Há atribuições ligadas à inocência, sem reconhecer os riscos que corria. Já outros pontuaram seu lado ganancioso, só visando interesses próprios, mas que acabou perdendo a vida por ser financeiramente desfavorecido”, diz o professor.

“Dependendo do contexto histórico, ele poder ser um grande herói, como foi justamente no início do Império Brasileiro, pois ele foi usado pelo governo para forjar um personagem heróico, bravio e nacionalista. Já no início da República, ele pode ser analisado de forma muito diferente, por continuar associado a um governo imperial, o que era um absurdo para aqueles que defendiam a república”, ressalta Wilson.

De acordo com o professor, é importante lembrar que Tiradentes não lutou pela Independência do Brasil, mas sim pela melhoria de algumas condições no eixo minerador, e não em relação ao Brasil como um todo, muito menos as regiões Norte e Nordeste.

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