'Um bom piloto de avião deve sentir medo'

Ideia é compartilhada entre profissionais de aviação. Eles apontam as características físicas e mentais que fazem toda a diferença para quem quer seguir a carreira

por Renato Torres dom, 19/03/2017 - 15:01

Como se forma um piloto? Quais as características físicas e mentais que não podem faltar? Como entrar nesse mundo, seguir a carreira? São perguntas que dois pilotos/instrutores profissionais e a dona de uma escola de pilotagem em Caruaru responderam ao LeiaJa.com. Aproveitando a realização do Aerofest em Igarassu, Litoral Norte de Pernambuco, os aviadores contaram um pouco da rotina e as dificuldades de quem segue o sonho de ser um aeronauta.

Como qualquer outra função, um piloto em potencial precisa estar em dia com a saúde, seja ela física ou mental. E claro, respeitar as normas da Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC). "O primeiro passo, eu sempre digo, é fazer os exames de saúde previstos pela ANAC. Habilitado e com boa capacidade física, o aluno deve buscar uma escola teórica, para então fazer o curso com aulas práticas. Se leva um tempo, cerca de três meses, até realizar os testes da ANAC e efetuar as horas de vôo previstas", disse Anthony Torres, 33 anos, sendo 12 deles dedicados à formar pilotos.

Na empresa que Anthony dá aulas, Maria Duarte, 31, é a dona. Crescida em uma família com tradição na área, ela hoje dirige a Brasflight, que há seis anos está formando instrutores e pilotos. Ninguém melhor do que alguém que cresceu com o pai mecânico aeronáutico e fundou a própria escola para definir os 'extras' de um bom profissional. "Trabalhei com aviação por oito anos, meu pai é mecânico, então sempre tive contato com a área, antes mesmo de fundar a empresa. O bom piloto precisa de responsabilidade, boa leitura, bom senso e vontade de voar", destacou.

Noivo da empresária, Heitor Henrique Melo, 33, sabe a importância desses atributos, porque sentiu na própria pele a necessidade de ter experiência em uma situação de perigo. "Já estive em uma situação bem complicada, quando estive espalhando veneno agrícola com a aeronave. Esse vôo é muito baixo, cerca de dois metros de altura para o chão. Na decolagem, colidi com um Urubu, algo que me fez buscar um local para despejar a carga e voltar ao chão. Foi muito tenso, mas tive frieza para lidar. É preciso sempre manter o foco", afirmou o aeronauta.

Quando se está sempre correndo tanto risco ao sair de casa para trabalhar, o medo é um companheiro constante no cotidiano. E, por incrível que pareça, é um grande aliado para exercer uma função onde sua ausência pode causar mortes. "O medo, como falo para meus alunos, é necessário. Ele vai dar a segurança e o limite ao vôo. Ajuda muito, principalmente para iniciantes em aeronaves pequenas, ele vai te deixar mais cuidadoso. Agora, claro, se isso prejudica o desempenho, é preciso trabalhar para conseguir conciliar. Mas não perder totalmente. O piloto sem medo é arrogante e imprudente", comentou o instrutor e piloto, Anthony.

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