Enem: mudanças dependem de consulta pública, diz Mendonça

Em entrevista ao LeiaJá, ministro revelou que ainda não existe uma definição sobre as mudanças do Exame. Ele também disse que não teme novos protestos contra a reforma do ensino médio

por Nathan Santos qua, 11/01/2017 - 13:21
Nathan Santos/LeiaJáImagens Mendonça afirma que mudanças no ensino médio podem mudar para melhor a educação brasileira Nathan Santos/LeiaJáImagens

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar por mudanças neste ano. O próprio ministro da Educação, Mendonça Filho, adiantou que acha necessário modificar a forma como a prova é trabalhada entre estudantes de todo o Brasil. Mas em entrevista ao LeiaJá, o ministro confessou que ainda não existe uma decisão concreta sobre o que mudará de fato no Enem. Por outro lado, ele garantiu que o edital da edição 2017 será divulgado em fevereiro.

Pela posição do ministro em relação à reforma do ensino médio, em que ele aposta na possibilidade do aluno escolher quais disciplinas vai estudar no final da formação, existe uma tendência para que o Enem trabalhe questões mais específicas, conforme a área universitária que o candidato almeja cursar. Mas enquanto a decisão não vem, Mendonça Filho garantiu ao LeiaJá que uma consulta pública será aberta na segunda quinzena deste mês.

De acordo com o ministro, a consulta será levada em consideração para a formalização das mudanças na edição 2017. “Ainda não temos uma definição porque vamos fazer uma consulta pública. Só a partir daí teremos mais informações. As mudanças dependerão dessa consulta, para que a gente possa apresentar aprimoramentos relativos ao Enem 2017”, prometeu Mendonça Filho.

Atualmente, o Enem é realizado em dois dias, com quase dez horas de duração. Todos os candidatos respondem questões das áreas de Humanas, Exatas, Linguagens e Ciências da Natureza, além da redação. Na edição 2016, mais de 8 milhões de feras responderam a prova. 

Sisu, protestos e ocupações

Ainda em entrevista ao LeiaJá, Mendonça Filho elogiou as mudanças aplicadas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Agora, as instituições de ensino poderão usar três opções de notas do Enem para selecionar seus candidatos: média geral da prova, uso da média das disciplinas específicas conforme o curso almejado pelo fera ou a utilização de uma média dessas duas opções. “Essa era uma demanda antiga das universidades, que atende a uma maior flexibilidade. Simplifica a adoção de mecanismos que aproximem o desejo do estudante a oferta da universidade”, comentou Mendonça.

Questionado sobre as ocupações contra a PEC do Teto e reforma do ensino médio, realizadas em todo o Brasil no ano passado, o ministro respondeu que acha válido qualquer tipo de manifestação que não tire o direito de outros grupos. “Acho que o direito de se manifestar é sagrado, constitucional, presente numa democracia como a nossa. Agora você não pode usar o direito de se manifestar para impedir o direito do outro de estudar. Espero que tenha ficado o aprendizado de que o livre posicionamento deve ser expresso por manifestações, preservando o direito da maioria. O espaço público é de todos”, analisou.

Apesar do fim de várias ocupações em escolas, institutos e universidades, muitos movimentos ainda pregam posições contrárias à reforma do ensino médio. Em 2016, protestos foram realizados com essa pauta e a tendência para este ano é de que aconteçam outras manifestações. Para o ministro da Educação, as manifestações fazem parte da democracia. “Nunca temo protesto. É parte da democracia. O protesto precisa ser feito de forma civilizada”, finalizou.     

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