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Professor: todos os profissionais passam por ele

Profissão que compartilha conhecimento e é essencial para a sociedade. Entenda esse universo

por Nathan Santos | qua, 15/02/2012 - 09:03
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Foto: Marionaldo Junior/LeiaJá Imagens Glícia Lemos não queria ser professora, mas hoje ela ama a profissão

O filósofo alemão Karl Max dizia o seguinte sobre ensinar e aprender: “Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você o sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você”. Através do contexto desses dizeres, é possível estabelecer uma profunda relação com uma importante profissão para a sociedade, que é a função de professor. No âmbito da licenciatura, a profissão é aquela que habilita a pessoa a ser professor em escolas e universidades.
 
Quem tem licenciatura pode dar aula, diferentemente do bacharel, que é o indivíduo que consegue desempenhar todas as áreas da sua profissão, exceto ensinar. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), apenas na rede estadual, existem 60 mil profissionais de educação, incluindo aposentados e administrativos. O Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE) tem como dado que cada município do Estado possui, no mínimo, 300 professores atuantes. Só no Recife, são cinco mil profissionais trabalhando.

Da graduação à profissão
Para Jackson Bezerra (foto), professor de química há 10 anos e atual presidente do Sinpro-PE, a situação de quem ingressa nas universidades para ser professor não é favorável. “Um jovem que entra na universidade não tem atrativos. Não existe plano de carreira para professor e nem formação continuada”, critica Bezerra.

O presidente também diz que as universidades não oferecem uma formação adequada para os alunos. “A formação não é compatível para um bom nível de educação, pois as faculdades não proporcionam pesquisas para os estudantes. Além disso, pegam os alunos ainda em formação e os jogam nas salas de aula”, completa ele.
 
Bezerra também não é a favor do piso salarial da categoria, que segundo ele, é uma das razões de o Brasil não ter muitos profissionais para ensinar. “Um trabalhador da educação básica privada em Pernambuco ganha apenas R$ 6,40 por hora de aula. Quantas aulas ele tem que dar para ter um bom orçamento mensal? Por isso, o Brasil vive hoje um apagão de professores”, conta o professor.
 
Mesmo com essas dificuldades, Jackson Bezerra afirma que ama a profissão, porque através dela ele pode compartilhar saberes para muitas pessoas. “Transmito conhecimento e transfiro saber. Passo para os alunos um pouco do que a humanidade acumulou ao longo da história. A educação pode atuar como um transformador social”, relata o profissional.

Amor pela profissão e pelos alunos
“A gente chega em casa pensando no trabalho, e isso é uma parte penosa. Mas o bom é o retorno positivo dos alunos e eu me sinto bem com isso. É uma troca de experiências muito boa”, conta Glícia Lemos, que desde o ano de 2004 é professora de língua portuguesa. Apesar de hoje estar feliz por ser educadora, ela diz que no começo da carreira não foi bem assim. “Eu escolhi o curso e não a profissão. Quando eu cheguei à sala de aula foi um choque para mim. O curioso era que os alunos gostavam das aulas, e eu era a única pessoa que não aguentava aquilo. Os próprios estudantes me fizeram gostar da profissão”, afirma Glícia.
 
Em contrapartida, Josué Gomes, professor de inglês há 15 anos, sempre quis trabalhar na área. “Sempre quis dar aula. Estou muito satisfeito, pois remeto bons valores familiares aos meus alunos, e isso é muito bom para a educação de todos”, defende Gomes. Ele também fala que para ser professor a pessoa tem que trabalhar com amor. “Um bom professor não pode ser frio, ele tem que gostar muito da profissão”.
 
Os dois profissionais destacam que, além de educador, os professores se relacionam muito com os alunos. “Às vezes, eu converso com muitos para saber se eles estão com algum problema. Existem alguns que veem na gente uma família”, frisa Glícia. “Nós somos amigos e ajudamos a resolver problemas, além da nossa função principal que é compartilhar conhecimento”, exalta Gomes.
 
Atritos nas salas de aula
Glícia conta que alguns estudantes não se dão bem com professores por questões sociais. Para ela, os valores familiares e da sociedade são inseridos nos alunos positivamente e negativamente. “O que eles aprendem fora da escola geralmente reflete nas aulas. Tem alunos que veem o professor como inimigo, e isso é reflexo de problemas sociais”.
 
Para Luciano Paz, professor de história há 12 anos, uma série de fatores influencia em maus alunos. “Um conjunto de fatores influencia. Inclusive o poder público, que não cuida tão bem da educação do País”. O professor conta que certa vez um aluno não se comportou bem na sala de aula, e, quando ele o repreendeu, o estudante foi grosseiro. “Ele falou que eu tinha que fazer o que ele queria, pois eu era o seu empregado. Daí, tive que explicar que naquele momento eu era a autoridade”, relata Paz.
 
Como exceções, existem inúmeros alunos que reconhecem a importância do professor para a vida deles. É o caso de Aline Bianca, 14 anos. “Os professores não são importantes apenas dentro da sala de aula. Fora dela, eles são amigos e nos ajudam bastante e fazem parte da nossa formação de caráter”.
 
Para Amanda Pólen, 13 anos, toda pessoa precisa da ajuda de um educador. “Todos nós precisamos deles. Só conseguiremos sucesso na vida se tivermos educação”, comenta a jovem.  
 
A pedagogia
Formar profissionais para trabalhar com o ensino, administrando atividades educacionais e ações escolares. Esse é o objetivo da graduação de pedagogia. De acordo com o Sinpro-PE, o pedagogo pode ensinar na educação infantil e, como ocorre na maioria das vezes, trabalhar como coordenador pedagógico de estabelecimentos educacionais.
 
Existe também o magistério, que segundo o Sindicato, equivale a uma preparação para ensinar na educação infantil, que um aluno do ensino médio pode escolher. Porém, o magistério só poderá ser realizado até o ano de 2014. A partir daí, segundo o Sindicato, a função deverá ficar restrita aos profissionais formados em pedagogia.
 
Viviane Cardoso é pedagoga há 22 anos. Grande parte da sua experiência é com educação fundamental. Ela diz que é muito prazeroso ser educadora. “É um grande privilégio ser professor. Você faz parte da vida de pessoas, e isso é sem dúvida extremamente gratificante”, conta.

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